Bolsonarismo à direita? – Resenha de “O que há de novo na “nova direita”? identarismo europeu, trumpismo e bolsonarismo, de Marcos Paulo dos Reis Quadros

Resenhado por Lucas Miranda Pinheiro (UFS) | https://orcid.org/0000-0002-4821-0168.

O que há de novo na nova direita, de Marcos Paulo dos Reis Quadros, resulta de uma investigação conduzida em seu estágio pós-doutoral, realizado na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde também cursou doutorado em Ciências sociais. O autor é professor e pró-reitor acadêmico do Centro Universitário Estácio Belo Horizonte (ESTÁCIO BH) e ministra cursos sobre “Direitas” e “Teoria Política” no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUCRS. Seus três livros discutem federalismo, e a relação “soft power” e violência em favelas no Brasil e trajetórias das direitas no Brasil e em Portugal. No seu mais novo trabalho, como explicitam título e subtítulo, sua meta é avaliar “caracteres distintivos dessa nova direita na Europa (os partidos identitários) e no Brasil (o bolsonarismo), fazendo, ainda, considerações sobre o “trumpismo nos Estados Unidos” (p.19). Suas questões são desafiadoras. Elas tocam nas causas da ascensão da direita e exploram a vivência das direitas em quatro planos: “pilares ideológicos”, “plataformas político-eleitorais”; comportamento nos parlamentos e comportamento nos governos. Dada a quantidade de planos, é uma tarefa desafiadora que ele se propõe a cumprir em três capítulos.

No primeiro – “Sobre os sentidos das direitas” –, o autor defende a validade da díade esquerda/direita como demarcador ideológico. Seu critério é o de N. Bobbio, ou seja, a relação que as pessoas mantem com o valor da igualdade. Assim, se para a esquerda (representada instrumentalmente por J.-j. Rousseau), o ser humano é bom e aperfeiçoável, sendo legítimos a rebeldia e a mudança. Para a direita (representada instrumentalmente por T. Hobbes), o ser humano é mal e imperfeito naturalmente, sendo legítimos a conservação da herança e a ordem (T. Hobbes). A direita, como se vê, é constituída por um núcleo – conservação da herança – e por conceitos outros como “ordem”, “ceticismo” e “idade do ouro”, acrescidos de outros tantos em determinados contextos. Aliás, fiel a R. Rémon, o autor toma a descrição de direita como um tipo ideal, mas há limites: “Pode existir um conservadorismo de inclinações autoritárias e um conservadorismo de pendor liberal; jamais, sublinhe-se, um conservadorismo progressista.” (p.43).

Esse mesmo tipo ideal serve ao autor para declarar famílias de conceitos caros a cada um dos “ramos ideológicos”. O liberalismo é o primeiro. Para o autor, liberalismo (J. Locke) não é direita. Considerando as ideias de Estado, indivíduo e mercado, por exemplo, o ramo liberal tende a diferenciar-se do conservadorismo pela propensão dos seus professantes ao cosmopolitismo, multiculturalismo e ao decisionismo (moral). Os condicionantes espaço-temporais, contudo, podem empurrar o liberalismo mais para a esquerda ou mais para a direita a depender da existência ou não de um conservadorismo ou de um marxismo concorrente. É isso que explica a tipificação do liberalismo nos EUA como esquerda e no Brasil como de direita. Em relação ao fascismo, o autor também não hesita: fascismo (italiano ou alemão/racista) é ramo de direita. Os significados dos conceitos que lhe constituem – Estado, sociedade, mundo, ordem, hierarquia (racial), desigualdade (natural) etc. – não devem ser assemelhados aos do socialismo ou do socialismo stalinista. O conservadorismo, terceiro e último ramo, segundo o autor, não cultiva contestações: “todos os conservadorismos são de direita e todas as direitas são conservadoras em algum grau”. (p.17) Tradição é o conceito nuclear. Ele admite vários significados, mas não é cultivado como conceito central no ramo da esquerda. “Apresentando-se por vezes como anti-ideologias (e não como contraideologias), os conservadorismos, ao contrário do marxismo, do liberalismo e do fascismo, não possuem uma profissão de fé […] Cada conservadorismo, agora no singular, é apropriado de modo diferente em cada contexto político, de acordo com as suas necessidades singulares”. Conservadorismo é uma “macroideologia” que abriga “microideologias […]: o reversionismo, o conservadorismo cultural, o pragmatismo, o conservadorismo de estado de espírito, o liberal-conservadorismo e o neoconservadorismo” (p.75)

No segundo capítulo – “’Um espectro ronda a Europa’” (e os Estados Unidos): a nova direita” –, o autor descreve as vitórias e as ideias das novas direitas na União Europeia e nos EUA. O contexto europeu, informa o autor, é de crise política (democracia representativa, soberania nacional) e social, econômica e cultural (migração, terrorismo, transnacionalização do capital, multiculturalismo) e dos princípios para o seu enfrentamento: a garantia “do vínculo entre “representantes e representados” e o paradoxo de manter a tolerância e limitar a ação dos intolerantes com a democracia liberal. (p.85). Com base em dados de 2019, o autor destaca o avanço de partidos das novas direitas em 14 países europeus, em número de cadeiras nos parlamentos, na direção dos parlamentos, nas eleições para presidente e na participação nos governos. Ao que chama de “onda”, são acrescentados os “movimentos eurocéticos à direita” como o antislâmico alemão PEGIDA. Em seguida, resume as ideias de Alain de Benoist, que ele considera “o vanguardista da nova direita europeia” (p.95). Esta seção não é a melhor contribuição do livro. O leitor vai encontrar mais ampla e rica exposição nos já clássicos inventários do tipo, como Key thinkers of the radical right, de Mark Sedgwick, e A world after liberalism, de Matthew Rose. Melhor contribuição está na sua tipologia de nova direita, tópico intitulado como “Os pilares da nova direita do norte e sua ação”.

O primeiro pilar é o “nacionalismo identitário”, emergente pós queda do Muro de Berlim, mas não institucionalizado como política de Estado. Presente em lugares como a Espanha, Polônia e Áustria, ganha a forma de “etnonacionalsmo”, adversário dos “diversitários”, “multiculturalistas” e “globalistas”. O segundo é a “aversão à imigração”. Ela ganha espaço após o esgotamento das políticas de bem-estar e a emergência das crises econômicas do século XXI e se expressa, por exemplo, na construção de um muro anti-imigrantista na Turquia, na expulsão de fundamentalistas islâmicos na França e na priorização das benesses do capitalismo nos EUA, em primeiro lugar, para os nascidos no país, segundo discurso de D. Trump. O terceiro pilar é o “populismo anti-establishment”. Ele se concretiza nos discursos anti-imigração nos EUA (Trump), França, Reino Unido, Itália, Espanha e, ainda, na Finlândia, Estônia, Letônia e nacionalistas (ceticismo europeu). O autor apresenta, por fim, um “quase-pilar” que é a democracia “liberal” em seu modo populista (no sentido acima), ou seja, democracia direta (plebiscito, consulta popular, referendo etc.) em lugar da democracia “constitucional, liberal e representativa” (p.131) e de parciais adoções da política econômica neoliberal (protecionismo, estatismo e algum grau de participação do Estado na assistência social).

No terceiro e último capítulo, o autor trata da novidade da “direita brasileira” em quatro movimentos/períodos: a hibernação (1985-2012), o despertar (2013-2018), a cristalização (2019-2021) e o futuro. A metáfora é boa para a periodização, mas a caracterização do fenômeno não corresponde à bondade porque o autor evita tratar explicitamente de ideologia (apesar de sugerir fazê-lo). Ele toma como estável a conhecida menção à “direita envergonhada” (envergonhada do golpe de 1964 e dos crimes da ditadura militar) sem problematizar (e tem elementos para tal) o entendimento da primeira parte da expressão tornada categoria: “direita”. Em seguida, caracteriza o “movimento” do “despertar” por quatro vetores: 1. a “defesa dos costumes tradicionais bafejados pela moral cristã” (pentecostal ou católica); 2. a denúncia da corrupção sistêmica, associada ao Partido dos Trabalhadores; 3. a defesa do neoliberalismo do tipo “econômico” – Estado mínimo, privatizações (tendência LIVRES do Partido Social Liberal – PSL e Partido Novo); e 4. a “vontade de ordem” – a crítica aos direitos humanos e a valorização dos justiçamentos e das forças policiais (Bancada da Bala). O terceiro movimento – “a cristalização pela via do bolsonarismo” – é a descrição de como Bolsonaro se fez “o representante mais autorizado para reverberar a mensagem da nova direita brasileira em seus quatro vetores” (p.178). Mas a direita brasileira não é só o bolsonarismo, alerta o autor com o tópico “O futuro da nova direita no Brasil”. É possível, segundo o autor, que esses quatro vetores sejam os indicadores que a nova direita já tenha dado “os primeiros passos” em termos de “organização e estratégia de longo prazo”. Os indícios (inclusive da presenta dos vetores) estão no programa da Aliança Liberal. Nas considerações finais, o autor estabelece as semelhanças (soluções diferentes para os problemas sociais em relação à velha direita) e as diferenças (antiglobalismo residual, identitarismo nacional residual, neoliberalismo forte) da nova direita brasileira para a nova direita europeia e estadunidense, reforça a tese dos quatro vetores como marcas da nova direita e comenta de modo otimista a possibilidade de ela se estabelecer na forma de partidos clássicos, apontando os elementos necessários: financiamento, líderes, estratégias de ocupação de espaços políticos a domínio dos equipamentos da cultura.

O livro a nuncia temas, questões centrais, objetivos e descrição de cada capítulo, mas o faz de modo claro e sucinto, reiterando teses em segmentos de conclusões e considerações finais bem-sinalizadas, algo raro entre doutores. A leitura, portanto, dá prazer. O livro é um manual porque demarca claramente o que é original e o que é literatura comentada, as definições e tipos que o autor segue e, da mesma maneira, as definições e tipos das quais o autor discorda. O livro é também um manual no sentido lato da palavra: ferramenta de consulta eventual e meio que o leigo pode usar para introduzir-se numa temática. O leitor não vai encontrar um subtítulo para o que descrevemos agora, mas se fizer a leitura do primeiro capítulo, vai perceber que ele age, quase que literalmente, como se estivesse em sala de aula: “parem de comparar stalinismo com nazismo”; “parem de assemelhar a ideologia do socialismo com o “socialismo” concebido pelo Partido Nacional-Socialista de Hitler”; “parem de situar o liberalismo em uma absoluta posição à direita”; “parem de confundir a “terceira via” (social-democrata) de A. Giddens com a “terceira via” assumida pelo “corporativismo” franquista e salazarista”. E mais: “estabeleçam diferenças entre uma ideia como arma de retórica partidária e como núcleo de uma ideologia”; “desconsiderem o “centro” da linha do espectro ideológico como uma posição absoluta (sempre se está à direita ou à esquerda de uma ideia, prática ou sujeito)”.

Isso, contudo, não o exime de imperfeições. A palavra “essência” é um incômodo desnecessário para significar fundamentos ou bases ideológicas (também fartamente usadas na obra).  A metáfora sobre a origem da “nova direita” é outro ponto a reparar. Ele as compara ao fenômeno da extinção de uma velha estrela – uma explosão “sob reações termonucleares que emanam energia descomunal” – as “Supernovas”. (p.19). A analogia entre o espetáculo das “supernovas” e a origem da “nova direita” já apresenta equívoco. Supernovas e quedas definitivas “de um regime em ocaso provocam grande liberação de energia, forjando novos ambientes e novos atores” (p.18). Assim, Supernovas criam “novos mundos” e não o “surgimento de uma outra” estrela (no caso, o surgimento de uma “nova direita”), como denota equivocadamente a figuração.

Outro problema no texto é o resultado da associação instrumental do significado “novas direitas” na Europa ao pensamento de Alain Benoist, considerando que o autor endossa o emprego de tipos ideais para as definições do fenômeno. Na justificativa da escolha dos “pilares” da nova direita, o autor enfatiza a significação teórica do termo (Benoist), em detrimento dos diferentes contextos nos quais as novas direitas são experimentadas. Há também uma propensão do autor em compreender e explicar (ou justificar) a ação e o sucesso da “nova direita” em termos de acontecimentos de curta duração, o que empobrece a tese. Pode passar a impressão de ruptura em todos os sentidos em relação, por exemplo, às experiências políticas de 1964 e 1930, em relação ao passado escravista, cristão/católico, inculto e de miserabilidade econômica de grande parte da população ao longo de séculos.

Alain de Benoist | Imagem: Folha de São Paulo

Principalmente, para esse caso brasileiro, faltam alertas ao leitor sobre as diferentes apropriações coletivas acerca dos “vetores”. Os elementos (valores, pautas, estigmas etc.) “mobilizadores” não são partilhados por todos com (e nem com a mesma intensidade entre os convivas). Em outros termos, discursos que enaltecem a ordem, moral cristã, neoliberalismo econômico e combate à corrupção e ao petismo são contraditórios entre grupos e intragrupos.

A ausência desse aviso induz o leitor a pensar os grupos e indivíduos como protagonistas coerentes em termos de pensamento e ação, quando sabemos, por exemplo, que o profissional liberal combatente da corrupção e cultor do Estado mínimo, não raro, sonega imposto de renda e não libera nota fiscal, por exemplo e defende a gratuidade da universidade pública para os seus filhos. A ausência dos avisos também pode induzir o leitor a inverter a relação convencional entre causa e consequência. Semelhante ao senso comum do jornalismo da grande mídia (e aos interessados discursos opositores), o autor declara (sem aspas ou qualquer outro indicador de metáfora) que “o PT finalmente ofertou a coesão que a nova direito tanto perseguia” e que a direita “esperava por trinta anos para se manifestar às claras”. Não digo que seja interpretação má intencionada. Mas afirmo que falta método – considerações sobre a historicidade das coisas. O cientista social (a despeito do elogio de manual que fizemos acima) faz as vezes de ensaísta que opera literalmente como “o olho de Deus”. Ele conhece o futuro e desenha personagens e vontades para o passado. Ele pode fazer isso (como ensaísta). As consequências da sua liberdade é que são outros quinhentos. As redes incautas estão repletas e raciocínios invertidos desse tipo, onde o golpeado (Dilma Rousseff, o PT) se transforma em perpetrador de crime e onde o criminoso (Bolsonaro e família) se transforma em catalizador de deferentes vontades de diferentes grupos conservadores.

Outro ponto frágil está na tipificação da nova direita a partir de três “pilares”. Não fica claro se os partidos (os agentes majoritários em termos de fonte) devem partilhar um, dois ou os três pilares (suportes, peça de estabilidade ou segurança?) para serem tomados como “novas direitas”. Também não fica claro o peso do terceiro pilar – o populismo – em relação aos dois primeiros já que a velha direita e a velha e a nova esquerda também podem apresentar marcas populistas (separação elite/povo, elite como agente corrupto e opressor, retórica simplista dirigida às massas). Esse é o mesmo problema apresentado pelo termo “vetores” (segmentos de reta ou agentes transmissores?), empregado para caracterizar o “despertar” das novas direitas no Brasil. O “vetor” é significado como ideia (ou conjunto de ideias – ideologia), como reivindicação (pauta/questão) e, como estímulo “mobilizador da corrente ideológica” (p.169), sem contar a tipificação interior: vetor simbólico (a “vontade de ordem”) e vetor “operacional” (a “bancada da bala”). Essa polissemia induz o leitor a convencer-se de que esse “despertar” resulta de uma conjunção pouco explicada de fatores de distinta natureza, envolvendo grupos bem delimitados e interseções pouco discutidas entre esses mesmos grupos. Não menos problemática, por fim, é a oscilação (embora diminuta) do objeto entre “nova direita” e “novas direitas”, expresso em passagens sobre “direitas europeias e norte-americanas” e considerando as citadas “ideias das novas direitas”, “novo espectro” na Europa, “novos players”, “lideranças”, “movimentos civis”, “think tanks”, “canais”, “setores”, “iniciativas”, “programas”, “plataformas”, “bandeiras”, “círculos”, “partidos”, “grupos” referidos à direita.

Consideradas as suas imperfeições, e para finalizar essa avaliação, reconhecemos que o autor cumpre os objetivos anunciados. Em passagens curtas e diretas, ao final do segundo e do terceiro capítulos, ele apresenta a sua noção de “novo” – cronologia e intensidade de ação – e lista as novidades da “nova direita” europeia: é posterior à Nouvelle Droite (Benoist) e mais “contundente” na contestação, na apresentação de suas pautas (democracia direta e “nacionalismo identitário”) e na ocupação de espaços de poder, quando comparada ao “conservadorismo clássico”. (p.18). O autor também lista as novidades da direita no brasil: a junção dos quatro vetores, por novos atores, “em uma conjuntura especialmente convidativa”. (p.188). O autor faz até mais que o prometido. Ele aponta as saídas, de modo bastante cético e com um espírito irônico em relação à Europa e aos EUA (resolução dos problemas pautados pela nova direita, rejuvenescimento dos seus adversários e reconexão dos seus adversários com as massas) e (de modo bastante otimista) em relação ao Brasil e à nova direita, afirmando ser provável “que o conservadorismo […] deixe de ser assim tão ‘difícil’ no brasil.” (p.189).

Sumário de O que há de novo na “nova direita”? identarismo europeu, trumpismo e bolsonarismo

  • Agradecimentos
  • Prefácio
  • Ouverture: as “Supernovas”
  • 1. Sobre os sentidos das direitas
    • 1.1 A direita diante da esquerda
    • 1.2 Liberalismo: um caso híbrido?
    • 1.3 Fascismo/hitlerismo
    • 1.4 Os conservadorismos
  • 2.“Um espectro ronda a Europa” (e os Estados Unidos): a Nova Direita
    • 2.1. A União Europeia e seus fantasmas
    • 2.2. A onda da nova direita
    • 2.3. Alain de Benoist e o surgimento da Nouvelle Droite
    • 2.4. Os pilares da nova direita do norte e sua ação
    • 2.5. Então, o que há de novo?
  • 3. O que há de novo na nova direita brasileira?
    • 3.1. O longo sono da “direita envergonhada”
    • 3.2. O despertar
    • 2.2. A cristalização pela via do bolsonarismo
    • 3.4. O futuro da nova direita no Brasil: um conservadorismo nem tão difícil
  • Fechemos este livro
  • Referências
  • Sobre o autor

Resenhista

Lucas Miranda Pinheiro é Doutor em História (UNESP/Franca), professor do Departamento de Relações Internacionais (DRI) e do Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória) da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Entre outros trabalhos, publicou (em coautoria) Perspectivas e Debates em Segurança, Defesa e Relações Internacionais e Relações Internacionais: Olhares Cruzados. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6576943412041943; Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4821-0168; E-mail: [email protected]

 


Para citar esta resenha

QUADROS, Marcos Paulo dos Reis. O que há de novo na “nova direita”? identarismo europeu, trumpismo e bolsonarismo. Porto Alegre: Editora da PUC-RS, 2020. 253p. Resenha de: PINHEIRO, Lucas Miranda. Bolsonarismo à direita? Crítica Historiográfica. Natal,.2, n. esp. (Novas Direitas em discussão), ago. 2022. Disponível em <https://www.criticahistoriografica.com.br/bolsonarismo-a-direita-resenha-de-o-que-ha-de-novo-na-nova-direita-identarismo-europeu-trumpismo-e-bolsonarismo-de-marcos-paulo-dos-reis-quadros/>.


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA)

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.2, número especial (Novas Direitas em discussão), ago., 2022 | ISSN 2764-2666

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Bolsonarismo à direita? – Resenha de “O que há de novo na “nova direita”? identarismo europeu, trumpismo e bolsonarismo, de Marcos Paulo dos Reis Quadros

Resenhado por Lucas Miranda Pinheiro (UFS) | https://orcid.org/0000-0002-4821-0168.

O que há de novo na nova direita, de Marcos Paulo dos Reis Quadros, resulta de uma investigação conduzida em seu estágio pós-doutoral, realizado na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde também cursou doutorado em Ciências sociais. O autor é professor e pró-reitor acadêmico do Centro Universitário Estácio Belo Horizonte (ESTÁCIO BH) e ministra cursos sobre “Direitas” e “Teoria Política” no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da PUCRS. Seus três livros discutem federalismo, e a relação “soft power” e violência em favelas no Brasil e trajetórias das direitas no Brasil e em Portugal. No seu mais novo trabalho, como explicitam título e subtítulo, sua meta é avaliar “caracteres distintivos dessa nova direita na Europa (os partidos identitários) e no Brasil (o bolsonarismo), fazendo, ainda, considerações sobre o “trumpismo nos Estados Unidos” (p.19). Suas questões são desafiadoras. Elas tocam nas causas da ascensão da direita e exploram a vivência das direitas em quatro planos: “pilares ideológicos”, “plataformas político-eleitorais”; comportamento nos parlamentos e comportamento nos governos. Dada a quantidade de planos, é uma tarefa desafiadora que ele se propõe a cumprir em três capítulos.

No primeiro – “Sobre os sentidos das direitas” –, o autor defende a validade da díade esquerda/direita como demarcador ideológico. Seu critério é o de N. Bobbio, ou seja, a relação que as pessoas mantem com o valor da igualdade. Assim, se para a esquerda (representada instrumentalmente por J.-j. Rousseau), o ser humano é bom e aperfeiçoável, sendo legítimos a rebeldia e a mudança. Para a direita (representada instrumentalmente por T. Hobbes), o ser humano é mal e imperfeito naturalmente, sendo legítimos a conservação da herança e a ordem (T. Hobbes). A direita, como se vê, é constituída por um núcleo – conservação da herança – e por conceitos outros como “ordem”, “ceticismo” e “idade do ouro”, acrescidos de outros tantos em determinados contextos. Aliás, fiel a R. Rémon, o autor toma a descrição de direita como um tipo ideal, mas há limites: “Pode existir um conservadorismo de inclinações autoritárias e um conservadorismo de pendor liberal; jamais, sublinhe-se, um conservadorismo progressista.” (p.43).

Esse mesmo tipo ideal serve ao autor para declarar famílias de conceitos caros a cada um dos “ramos ideológicos”. O liberalismo é o primeiro. Para o autor, liberalismo (J. Locke) não é direita. Considerando as ideias de Estado, indivíduo e mercado, por exemplo, o ramo liberal tende a diferenciar-se do conservadorismo pela propensão dos seus professantes ao cosmopolitismo, multiculturalismo e ao decisionismo (moral). Os condicionantes espaço-temporais, contudo, podem empurrar o liberalismo mais para a esquerda ou mais para a direita a depender da existência ou não de um conservadorismo ou de um marxismo concorrente. É isso que explica a tipificação do liberalismo nos EUA como esquerda e no Brasil como de direita. Em relação ao fascismo, o autor também não hesita: fascismo (italiano ou alemão/racista) é ramo de direita. Os significados dos conceitos que lhe constituem – Estado, sociedade, mundo, ordem, hierarquia (racial), desigualdade (natural) etc. – não devem ser assemelhados aos do socialismo ou do socialismo stalinista. O conservadorismo, terceiro e último ramo, segundo o autor, não cultiva contestações: “todos os conservadorismos são de direita e todas as direitas são conservadoras em algum grau”. (p.17) Tradição é o conceito nuclear. Ele admite vários significados, mas não é cultivado como conceito central no ramo da esquerda. “Apresentando-se por vezes como anti-ideologias (e não como contraideologias), os conservadorismos, ao contrário do marxismo, do liberalismo e do fascismo, não possuem uma profissão de fé […] Cada conservadorismo, agora no singular, é apropriado de modo diferente em cada contexto político, de acordo com as suas necessidades singulares”. Conservadorismo é uma “macroideologia” que abriga “microideologias […]: o reversionismo, o conservadorismo cultural, o pragmatismo, o conservadorismo de estado de espírito, o liberal-conservadorismo e o neoconservadorismo” (p.75)

No segundo capítulo – “’Um espectro ronda a Europa’” (e os Estados Unidos): a nova direita” –, o autor descreve as vitórias e as ideias das novas direitas na União Europeia e nos EUA. O contexto europeu, informa o autor, é de crise política (democracia representativa, soberania nacional) e social, econômica e cultural (migração, terrorismo, transnacionalização do capital, multiculturalismo) e dos princípios para o seu enfrentamento: a garantia “do vínculo entre “representantes e representados” e o paradoxo de manter a tolerância e limitar a ação dos intolerantes com a democracia liberal. (p.85). Com base em dados de 2019, o autor destaca o avanço de partidos das novas direitas em 14 países europeus, em número de cadeiras nos parlamentos, na direção dos parlamentos, nas eleições para presidente e na participação nos governos. Ao que chama de “onda”, são acrescentados os “movimentos eurocéticos à direita” como o antislâmico alemão PEGIDA. Em seguida, resume as ideias de Alain de Benoist, que ele considera “o vanguardista da nova direita europeia” (p.95). Esta seção não é a melhor contribuição do livro. O leitor vai encontrar mais ampla e rica exposição nos já clássicos inventários do tipo, como Key thinkers of the radical right, de Mark Sedgwick, e A world after liberalism, de Matthew Rose. Melhor contribuição está na sua tipologia de nova direita, tópico intitulado como “Os pilares da nova direita do norte e sua ação”.

O primeiro pilar é o “nacionalismo identitário”, emergente pós queda do Muro de Berlim, mas não institucionalizado como política de Estado. Presente em lugares como a Espanha, Polônia e Áustria, ganha a forma de “etnonacionalsmo”, adversário dos “diversitários”, “multiculturalistas” e “globalistas”. O segundo é a “aversão à imigração”. Ela ganha espaço após o esgotamento das políticas de bem-estar e a emergência das crises econômicas do século XXI e se expressa, por exemplo, na construção de um muro anti-imigrantista na Turquia, na expulsão de fundamentalistas islâmicos na França e na priorização das benesses do capitalismo nos EUA, em primeiro lugar, para os nascidos no país, segundo discurso de D. Trump. O terceiro pilar é o “populismo anti-establishment”. Ele se concretiza nos discursos anti-imigração nos EUA (Trump), França, Reino Unido, Itália, Espanha e, ainda, na Finlândia, Estônia, Letônia e nacionalistas (ceticismo europeu). O autor apresenta, por fim, um “quase-pilar” que é a democracia “liberal” em seu modo populista (no sentido acima), ou seja, democracia direta (plebiscito, consulta popular, referendo etc.) em lugar da democracia “constitucional, liberal e representativa” (p.131) e de parciais adoções da política econômica neoliberal (protecionismo, estatismo e algum grau de participação do Estado na assistência social).

No terceiro e último capítulo, o autor trata da novidade da “direita brasileira” em quatro movimentos/períodos: a hibernação (1985-2012), o despertar (2013-2018), a cristalização (2019-2021) e o futuro. A metáfora é boa para a periodização, mas a caracterização do fenômeno não corresponde à bondade porque o autor evita tratar explicitamente de ideologia (apesar de sugerir fazê-lo). Ele toma como estável a conhecida menção à “direita envergonhada” (envergonhada do golpe de 1964 e dos crimes da ditadura militar) sem problematizar (e tem elementos para tal) o entendimento da primeira parte da expressão tornada categoria: “direita”. Em seguida, caracteriza o “movimento” do “despertar” por quatro vetores: 1. a “defesa dos costumes tradicionais bafejados pela moral cristã” (pentecostal ou católica); 2. a denúncia da corrupção sistêmica, associada ao Partido dos Trabalhadores; 3. a defesa do neoliberalismo do tipo “econômico” – Estado mínimo, privatizações (tendência LIVRES do Partido Social Liberal – PSL e Partido Novo); e 4. a “vontade de ordem” – a crítica aos direitos humanos e a valorização dos justiçamentos e das forças policiais (Bancada da Bala). O terceiro movimento – “a cristalização pela via do bolsonarismo” – é a descrição de como Bolsonaro se fez “o representante mais autorizado para reverberar a mensagem da nova direita brasileira em seus quatro vetores” (p.178). Mas a direita brasileira não é só o bolsonarismo, alerta o autor com o tópico “O futuro da nova direita no Brasil”. É possível, segundo o autor, que esses quatro vetores sejam os indicadores que a nova direita já tenha dado “os primeiros passos” em termos de “organização e estratégia de longo prazo”. Os indícios (inclusive da presenta dos vetores) estão no programa da Aliança Liberal. Nas considerações finais, o autor estabelece as semelhanças (soluções diferentes para os problemas sociais em relação à velha direita) e as diferenças (antiglobalismo residual, identitarismo nacional residual, neoliberalismo forte) da nova direita brasileira para a nova direita europeia e estadunidense, reforça a tese dos quatro vetores como marcas da nova direita e comenta de modo otimista a possibilidade de ela se estabelecer na forma de partidos clássicos, apontando os elementos necessários: financiamento, líderes, estratégias de ocupação de espaços políticos a domínio dos equipamentos da cultura.

O livro a nuncia temas, questões centrais, objetivos e descrição de cada capítulo, mas o faz de modo claro e sucinto, reiterando teses em segmentos de conclusões e considerações finais bem-sinalizadas, algo raro entre doutores. A leitura, portanto, dá prazer. O livro é um manual porque demarca claramente o que é original e o que é literatura comentada, as definições e tipos que o autor segue e, da mesma maneira, as definições e tipos das quais o autor discorda. O livro é também um manual no sentido lato da palavra: ferramenta de consulta eventual e meio que o leigo pode usar para introduzir-se numa temática. O leitor não vai encontrar um subtítulo para o que descrevemos agora, mas se fizer a leitura do primeiro capítulo, vai perceber que ele age, quase que literalmente, como se estivesse em sala de aula: “parem de comparar stalinismo com nazismo”; “parem de assemelhar a ideologia do socialismo com o “socialismo” concebido pelo Partido Nacional-Socialista de Hitler”; “parem de situar o liberalismo em uma absoluta posição à direita”; “parem de confundir a “terceira via” (social-democrata) de A. Giddens com a “terceira via” assumida pelo “corporativismo” franquista e salazarista”. E mais: “estabeleçam diferenças entre uma ideia como arma de retórica partidária e como núcleo de uma ideologia”; “desconsiderem o “centro” da linha do espectro ideológico como uma posição absoluta (sempre se está à direita ou à esquerda de uma ideia, prática ou sujeito)”.

Isso, contudo, não o exime de imperfeições. A palavra “essência” é um incômodo desnecessário para significar fundamentos ou bases ideológicas (também fartamente usadas na obra).  A metáfora sobre a origem da “nova direita” é outro ponto a reparar. Ele as compara ao fenômeno da extinção de uma velha estrela – uma explosão “sob reações termonucleares que emanam energia descomunal” – as “Supernovas”. (p.19). A analogia entre o espetáculo das “supernovas” e a origem da “nova direita” já apresenta equívoco. Supernovas e quedas definitivas “de um regime em ocaso provocam grande liberação de energia, forjando novos ambientes e novos atores” (p.18). Assim, Supernovas criam “novos mundos” e não o “surgimento de uma outra” estrela (no caso, o surgimento de uma “nova direita”), como denota equivocadamente a figuração.

Outro problema no texto é o resultado da associação instrumental do significado “novas direitas” na Europa ao pensamento de Alain Benoist, considerando que o autor endossa o emprego de tipos ideais para as definições do fenômeno. Na justificativa da escolha dos “pilares” da nova direita, o autor enfatiza a significação teórica do termo (Benoist), em detrimento dos diferentes contextos nos quais as novas direitas são experimentadas. Há também uma propensão do autor em compreender e explicar (ou justificar) a ação e o sucesso da “nova direita” em termos de acontecimentos de curta duração, o que empobrece a tese. Pode passar a impressão de ruptura em todos os sentidos em relação, por exemplo, às experiências políticas de 1964 e 1930, em relação ao passado escravista, cristão/católico, inculto e de miserabilidade econômica de grande parte da população ao longo de séculos.

Alain de Benoist | Imagem: Folha de São Paulo

Principalmente, para esse caso brasileiro, faltam alertas ao leitor sobre as diferentes apropriações coletivas acerca dos “vetores”. Os elementos (valores, pautas, estigmas etc.) “mobilizadores” não são partilhados por todos com (e nem com a mesma intensidade entre os convivas). Em outros termos, discursos que enaltecem a ordem, moral cristã, neoliberalismo econômico e combate à corrupção e ao petismo são contraditórios entre grupos e intragrupos.

A ausência desse aviso induz o leitor a pensar os grupos e indivíduos como protagonistas coerentes em termos de pensamento e ação, quando sabemos, por exemplo, que o profissional liberal combatente da corrupção e cultor do Estado mínimo, não raro, sonega imposto de renda e não libera nota fiscal, por exemplo e defende a gratuidade da universidade pública para os seus filhos. A ausência dos avisos também pode induzir o leitor a inverter a relação convencional entre causa e consequência. Semelhante ao senso comum do jornalismo da grande mídia (e aos interessados discursos opositores), o autor declara (sem aspas ou qualquer outro indicador de metáfora) que “o PT finalmente ofertou a coesão que a nova direito tanto perseguia” e que a direita “esperava por trinta anos para se manifestar às claras”. Não digo que seja interpretação má intencionada. Mas afirmo que falta método – considerações sobre a historicidade das coisas. O cientista social (a despeito do elogio de manual que fizemos acima) faz as vezes de ensaísta que opera literalmente como “o olho de Deus”. Ele conhece o futuro e desenha personagens e vontades para o passado. Ele pode fazer isso (como ensaísta). As consequências da sua liberdade é que são outros quinhentos. As redes incautas estão repletas e raciocínios invertidos desse tipo, onde o golpeado (Dilma Rousseff, o PT) se transforma em perpetrador de crime e onde o criminoso (Bolsonaro e família) se transforma em catalizador de deferentes vontades de diferentes grupos conservadores.

Outro ponto frágil está na tipificação da nova direita a partir de três “pilares”. Não fica claro se os partidos (os agentes majoritários em termos de fonte) devem partilhar um, dois ou os três pilares (suportes, peça de estabilidade ou segurança?) para serem tomados como “novas direitas”. Também não fica claro o peso do terceiro pilar – o populismo – em relação aos dois primeiros já que a velha direita e a velha e a nova esquerda também podem apresentar marcas populistas (separação elite/povo, elite como agente corrupto e opressor, retórica simplista dirigida às massas). Esse é o mesmo problema apresentado pelo termo “vetores” (segmentos de reta ou agentes transmissores?), empregado para caracterizar o “despertar” das novas direitas no Brasil. O “vetor” é significado como ideia (ou conjunto de ideias – ideologia), como reivindicação (pauta/questão) e, como estímulo “mobilizador da corrente ideológica” (p.169), sem contar a tipificação interior: vetor simbólico (a “vontade de ordem”) e vetor “operacional” (a “bancada da bala”). Essa polissemia induz o leitor a convencer-se de que esse “despertar” resulta de uma conjunção pouco explicada de fatores de distinta natureza, envolvendo grupos bem delimitados e interseções pouco discutidas entre esses mesmos grupos. Não menos problemática, por fim, é a oscilação (embora diminuta) do objeto entre “nova direita” e “novas direitas”, expresso em passagens sobre “direitas europeias e norte-americanas” e considerando as citadas “ideias das novas direitas”, “novo espectro” na Europa, “novos players”, “lideranças”, “movimentos civis”, “think tanks”, “canais”, “setores”, “iniciativas”, “programas”, “plataformas”, “bandeiras”, “círculos”, “partidos”, “grupos” referidos à direita.

Consideradas as suas imperfeições, e para finalizar essa avaliação, reconhecemos que o autor cumpre os objetivos anunciados. Em passagens curtas e diretas, ao final do segundo e do terceiro capítulos, ele apresenta a sua noção de “novo” – cronologia e intensidade de ação – e lista as novidades da “nova direita” europeia: é posterior à Nouvelle Droite (Benoist) e mais “contundente” na contestação, na apresentação de suas pautas (democracia direta e “nacionalismo identitário”) e na ocupação de espaços de poder, quando comparada ao “conservadorismo clássico”. (p.18). O autor também lista as novidades da direita no brasil: a junção dos quatro vetores, por novos atores, “em uma conjuntura especialmente convidativa”. (p.188). O autor faz até mais que o prometido. Ele aponta as saídas, de modo bastante cético e com um espírito irônico em relação à Europa e aos EUA (resolução dos problemas pautados pela nova direita, rejuvenescimento dos seus adversários e reconexão dos seus adversários com as massas) e (de modo bastante otimista) em relação ao Brasil e à nova direita, afirmando ser provável “que o conservadorismo […] deixe de ser assim tão ‘difícil’ no brasil.” (p.189).

Sumário de O que há de novo na “nova direita”? identarismo europeu, trumpismo e bolsonarismo

  • Agradecimentos
  • Prefácio
  • Ouverture: as “Supernovas”
  • 1. Sobre os sentidos das direitas
    • 1.1 A direita diante da esquerda
    • 1.2 Liberalismo: um caso híbrido?
    • 1.3 Fascismo/hitlerismo
    • 1.4 Os conservadorismos
  • 2.“Um espectro ronda a Europa” (e os Estados Unidos): a Nova Direita
    • 2.1. A União Europeia e seus fantasmas
    • 2.2. A onda da nova direita
    • 2.3. Alain de Benoist e o surgimento da Nouvelle Droite
    • 2.4. Os pilares da nova direita do norte e sua ação
    • 2.5. Então, o que há de novo?
  • 3. O que há de novo na nova direita brasileira?
    • 3.1. O longo sono da “direita envergonhada”
    • 3.2. O despertar
    • 2.2. A cristalização pela via do bolsonarismo
    • 3.4. O futuro da nova direita no Brasil: um conservadorismo nem tão difícil
  • Fechemos este livro
  • Referências
  • Sobre o autor

Resenhista

Lucas Miranda Pinheiro é Doutor em História (UNESP/Franca), professor do Departamento de Relações Internacionais (DRI) e do Mestrado Profissional em Ensino de História (ProfHistória) da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Entre outros trabalhos, publicou (em coautoria) Perspectivas e Debates em Segurança, Defesa e Relações Internacionais e Relações Internacionais: Olhares Cruzados. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6576943412041943; Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4821-0168; E-mail: [email protected]

 


Para citar esta resenha

QUADROS, Marcos Paulo dos Reis. O que há de novo na “nova direita”? identarismo europeu, trumpismo e bolsonarismo. Porto Alegre: Editora da PUC-RS, 2020. 253p. Resenha de: PINHEIRO, Lucas Miranda. Bolsonarismo à direita? Crítica Historiográfica. Natal,.2, n. esp. (Novas Direitas em discussão), ago. 2022. Disponível em <https://www.criticahistoriografica.com.br/bolsonarismo-a-direita-resenha-de-o-que-ha-de-novo-na-nova-direita-identarismo-europeu-trumpismo-e-bolsonarismo-de-marcos-paulo-dos-reis-quadros/>.


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA)

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.2, número especial (Novas Direitas em discussão), ago., 2022 | ISSN 2764-2666

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