Introdução ao estudo e à prática autobiográfica – Resenhas de “Écrire ses memóires: astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre”, de Marie -Gaëlle Le Perff, e “Aspectos teóricos de la autobiografia”, de Edgar Velásquez Rivera

Resenhado por Itamar Freitas (UFS) | 28 fevereiro 2022


Marie-Gaëlle Le Perff e Edgar Velásquez Rivera | Imagens: Narrovita e Proclama

Dois manuais recentes sobre a elaboração de autobiografias foram lançados em línguas francesa e espanhola com abordagens e destinatários diferenciados. Não apresentam inovações  na área, mas vale a pena submetê-los à crítica como indicador da bibliografia circulante para o interessado na temática. Eles são: Écrire ses memóires: astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre, de Marie-Gaëlle Le Perff, e Aspectos teóricos de la autobiografia, de Edgar Velásquez Rivera.

Écrire ses mémoires é um singelo manual introdutório às artes dos escritos de vida (biografias, autobiografias e memórias). Foi publicado em 2020 com a meta de auxiliar pessoas comuns a escreverem suas lembranças, por si mesmas, dando a conhecer questões e conceitos típicos da investigação do gênero e da publicação independente. Sua autora, Marie-Gaëlle Le Perff, é formada em Jornalismo (Paris 7) e Biologia (Poitiers) e se apresenta como redatora da revista Vie Chrétienne, biógrafa familiar e especialista na cobertura de assuntos da saúde.

O livro é constituído por seis capítulos, cinco dos quais referentes ao trabalho de investigação e escrita propriamente ditos. No primeiro, Le Perff inicia o trabalho de convencimento, declarando subliminarmente que o leitor pode e deve escrever suas memórias, que as memórias são um gênero de vária serventia. Escrever memória é atividade terapêutica, afirma a autora. Lembrar antigos desejos pode renovar forças para a ação, revelar algo das profundezas do ser, exorcizar coisas ruins e reviver momentos dolorosos. Mas, pode também comunicar aos outros o desconhecido sobre sua vida, explicar ou restituir contextos e esclarecer mal-entendidos.

Logo de início percebemos os destinatários da obra. Le Perff problematiza as categorias “memória” e “verdade” sem apresentar um referente acadêmico. Anulando o suposto esquecimento inicial, ela afirma que basta começar a escrever e a investigar. Para livrar-se da divergência dos próprios testemunhos, a autora orienta a consulta a outras fontes (que não apenas a sua própria memória) e, até mesmo, a apresentação das diferentes versões produzidas pelo autobiógrafo aprendiz.

O segundo capítulo responde à questão do como iniciar. A orientação é também simples: basta começar por uma lembrança de situações prazerosas. Escreva no computador ou no caderno de notas. Combine os dois instrumentos, continua a autora. O primeiro você usa para textos longos e o segundo emprega para anotar ideias ou informações breves. Escreva nos horários e lugares que melhor lhe oferecerem concentração ou riqueza de lembranças. Escreva com regularidade, consultando diferentes fontes de conhecimento: biografias, lugares de infância, fotografias e depoimento dos colegas.

O capítulo se encerra com a discussão sobre o plano do livro em construção pelo leitor. É o ponto mais frágil do manual. Aqui, a autora dá um salto das questões motivadoras do início da escrita (primeiras lembranças da vida, eventos significativos etc.) para a arquitetura da informação que esboçará a vida contada. O tema mereceria capítulo inteiro. As seis possibilidades aventadas (ordem cronológica, flashback, história de lugar, abecedário, árvore genealógica e descrição de objeto simbólico) estão desacompanhadas dos seus prós e contras e dos efeitos que teriam sobre a identidade individual em construção, mediante texto autobiográfico.

A fragilidade do segundo capítulo se consolida com a leitura do seguinte. Em “Questões para encontrar a inspiração”, a autora lista questionários que são pontos de partida à lembrança dos leitores e à consequente deflagração de escritas de memória. A maior parte dos inventários de questões obedece ao padrão cronológico dos ciclos de vida: há questões sobre o “nascimento”, “família”, “infância”, “adolescência”, “serviço militar”, “primeiro trabalho”, “residência” e “férias”. Depois dessa sequência, a escolha é aleatória: “filhos”, relações com o “progresso tecnológico”, percepções de “fatos históricos”, perfil pessoal, “coisas que lhes dão prazer”, “listas de sentimentos”, entre outros.

A maioria dessas listas é subestimada pela autora que as tipifica como instrumentos de “inspiração”. A própria palavra reforça um desserviço, pois abre grande possibilidade de ser tomada como sopro criador ou revelação e não como fonte de ideias. O que a autora prescreve é muito trabalho e trabalho sistemático, em geral, exigido pela escrita de narrativas. Desse modo, as listas estariam bem conformadas como procedimentos de planos de redação. O outro problema está no subemprego da lista de questões sobre o “quem é você”. Isolada como exemplar de lista e anexo, deixa de preencher de sentido uma das finalidades do manual: o autoconhecimento, a superação de traumas e a motivação para a ação.

Nos últimos três capítulos, o manual perde força, considerando que o espaço é dominantemente reservado para questões que afetam a produção livreira de modo geral. O título do quarto capítulo, por exemplo, não corresponde ao dito. O “Como terminar” informa, sim, os assuntos que devem conter em uma “conclusão”: desejos anteriores, projetos de vida, autoavaliação da vida e agradecimentos. Contudo, ¾ do espaço é reservado à descrição dos elementos da arquitetura da informação: introdução, capítulos, conclusão, sumário e cuidados com as revisões ortográfica e tipográfica e as consequências jurídicas das informações comunicadas pelo autobiógrafo em livro.

No capítulo quinto, a autora informa sobre as vantagens e desvantagens da autoedição  e da edição por conta de um editor. Ela fornece endereço de empresas editoras e menciona as referências obrigatórias a serem feitas na manufatura do impresso, a exemplo do ISBN e do depósito legal.

O último capítulo é reservado à propaganda. Se você não sabe, não quer, não tem tempo e coragem de finalizar seu escrito de vida, provoca a autora, você pode contratar os serviços de um especialista. Le Perff, como explicitado na página imediatamente posterior ao capítulo, é uma das centenas de praticantes desse ofício, na França: “Não hesite em contactar-me seja qual for a fase de escrita em que se encontre. Eu poderia ajudá-lo em um ponto específico ou retomar toda a obra, de acordo com seus desejos.” (posição 562).

O segundo livro, como adiantei, aborda a autobiografia em perspectiva muito diferente. Não está interessado, diretamente, em facilitar a construção de biografias por pessoas comuns. Aspectos teóricos de la autobiografia é um compêndio comentado da literatura dominantemente ibérica, produzida nos últimos 30 anos, sobre a natureza do “gênero autobiográfico” ou das tentativas de circunscrever os exemplares de autobiografia como gênero. Seu autor, Edgar Velásquez Rivera, é doutor em História pela Pontifícia Universidad Católica de Chile e professor do Departamento de História da Universidad del Cauca, na Colômbia.

O livro é apresentado por Zamira Díaz López, professora da Universidad del Cauca e traz prólogo assinado pelo professor Luis Guillermo Jaramillo Echeverri, também professor da Universidad del Cauca. Ambos destacam a profundidade da investigação. Segue-se-lhe uma brevíssima introdução onde  o autor situa a autobiografia como um “gênero” constituinte da “literatura del yo” (junto à “biografia” e às “memórias”). Seu objetivo explícito é “sistematizar un considerable volumen de los estúdios” e “mostrar algunos aspectos teóricos” sobre o “gênero” autobiográfico (p.23-24). Essa meta o autor persegue por quatro capítulos os quais passamos a comentar na sequência.

No primeiro, Rivera faz longa exposição de definições e caracterizações do gênero autobiografia. O título é enganoso (para o bem). “Sentidos etimológicos del término ‘autobiografía’” não reflete nem de longe o conteúdo dessa seção. Há no texto, certamente, um estudo etimológico sobre a dicionarização e as significações da palavra: “vida de um indivíduo por ele mesmo” e “qualquer texto onde o autor parece expressar sua vida ou seus sentimentos” (p.31). A maioria do espaço, porém, é preenchido com o enredamento de proposições de diferentes autores sobre, por exemplo, as origens do fenômeno autobiográfico (idade média/idade moderna), das relações com outros gêneros (romance, biografia e memória), o seu status perante a ciência histórica (fonte para narrativa histórica e narrativa histórica), os seus suportes privilegiados (prosa/poesia) e o seu caráter mais ou menos narcísico.

São trinta e nove  páginas sem descanso para o leitor, com raras iniciativas de classificação dos autores-fonte e sem intenções anunciadas, ao início ou ao final do capítulo. O interessado na matéria tem que se submeter ao regime do autor-narrador: indo e voltando aos especialistas, apreciando as digressões e as passagens em que ele firma suas posições. Destaco, porém, as proposições de caráter teórico (como requer o título do livro) que penso serem as mais representativas para o autor. Ele entende autobiografia como um gênero, cujo termo chave é “bio” (vida): “la autobiografia es la manera como um sujeto entende, explica y quiere que sea entendida su vida” (p.50). Essa vida é sempre parcial, idealizada, configurada por vários “eus”, representando apenas “uma compreensão” entre várias possíveis. Essa vida é “explicada” a partir de pontos de vista orientados pela especulação cognitivista, idealista ou materialista, empregados de modo autônomo ou combinados. (p.29-29). Por fim, a autobiografia desempenha funções de complementaridade da historiografia (e da historiografia sobre as nações), dispositivo de catarse e de libertação de populações submetidas à opressão, como mulheres, homossexuais, afrodescendentes e vítimas do holocausto.

O segundo capítulo – “El fenômeno autobiográfico” – é uma história do gênero. O autor não esclarece de qual gênero está a tratar (literário, textual, discursivo etc.). O “fenômeno” também tem significado pendular. Podem ser as “expressões autobiográficas”, a palavra “autobiografia”, as obras, fragmentos de contexto econômico, político e ideológico ou mesmo o gênero ainda não definido. Nesse capítulo são listadas algumas tipologias e gêneros concorrentes em diferentes períodos. O fio condutor da história do “fenômeno”, entretanto, está claro. Contrariando uma característica que ele mesmo anunciou para a autobiografia (a vida se realiza após a escrita), o autor a transforma em coisa preexistente à sua história da autobiografia. O fenômeno, portanto, tem “origem”, “raízes” e época de “estabelecimento como gênero” (p.65-66) que oscilam entre a antiguidade clássica e a idade moderna. De mais positivo, neste capítulo, o leitor colherá as distinções entre o pensamento e a prática autobiográfica de S. Agostinho, J-J. Rousseau, M. Montaigne e B. Franklin, por exemplo, e algumas ideias de vida (o lugar do homem e de Deus, o providencialismo e o humanismo) que recuperam, indiretamente, características da autobiografia, defendidas no primeiro capítulo.

No capítulo terceiro – “Perspectivas teóricas” –, o autor passa em revista dezenas de investigadores em busca da “teoria da autobiografia” asseverando, logo de início, a impossibilidade mesma da sua existência. Prefere, então, buscar “teorias da história”, marcadas por suas respectivas circunstâncias e referências espaço-temporais. Dessa forma, apresenta as perspectivas teóricas de cada autor, resultando em um espectro de objetos: definição de autobiografia, justificativas do autobiógrafo para escrever, as funções do escrito autobiográfico (criação, imitação ou sepultamento do sujeito), o insumo da autobiografia (a memória, por exemplo), a definição do Eu (determinado por si mesmo, linguagem, sociedade etc.), relação da autobiografia com outros gêneros (biografia, novela, poema autobiográfico e autorretrato, etc.), o regime de verdade (ou a natureza realista e/ou ficcional da autobiografia) e a orientação disciplinar na concepção desses elementos (Psicanálise, Teoria Literária e História). Esses elementos de teoria aparecem e desaparecem ao sabor das demandas de cada um dos autores revisados. Rivera, repito, opta por teorias, mas não informa o que seria uma teoria ou que elementos constituiriam um tipo balizador do exame das proposições que, em conjunto, ele chama de teoria.

No início do quarto e último capítulo, penso ter compreendido o caráter de inventário tomado pelas seções precedentes. O que deseja Rivera é colocar alguma ordem na pluralidade e na divergência sobre o que ele chama de “teorias da autobiografia”. Meu pensamento, contudo, logo se desfaz, quando noto que a execução dessa seção não se diferencia das demais. Ele até que reduz o número de referências teóricas. As suas proposições, todavia, são apresentadas nos termos do capítulo anterior sem previsão de certa quantidade de “aspectos” (sem identificação dos elementos que caracterizariam a identidade do gênero biográfico).

No último parágrafo do capítulo – “a manera de colofón” (p.168) –, Rivera sintetiza o que pareceria os principais aspectos do gênero subscritos com fins individuais, fins sociais e serventia científica: “En tiempos de la ficción moderna y posmoderna […], tal género, desde una perspectiva autocrítica, se alza como una posibilidad de reencuentro personal y pone al sujeto en el camino de su propia liberación. La autobiografía encarna teorías y métodos para la investigación histórica y, desde ella, es posible conocer fenómenos que escapan a los convencionales objetos de otras disciplinas.” Além disso, continua Rivera, “Las sociedades con distintos tipos y niveles de vulnerabilidad, así como aquellos cuyo único estilo de vida es la banal opulencia, al igual que aquellos seres humanos ubicados entre ambos extremos, tienen en la autobiografía la oportunidad de comprender y encontrar los sentidos a su existencia.” (p.168). Essa síntese, contudo, não reflete o conteúdo do capítulo que apresenta mais de uma dezena de aspectos não classificados e não hierarquizados, abrangendo desde qualidades genéricas do texto, como incompletude, retrospectividade, imprecisão e intencionalidade (de publicação), passando pelas contribuições à existência individual (como vimos acima), construção da identidade, recuperação da memória e desenvolvimento da resiliência, até a definição fundamentada e de amplo conhecimento entre os pares, configurada na “coincidencia de la identidad de autor, narrador y personaje principal, es decir, un ‘pacto autobiográfico’” (p.141).

As duas abordagens aqui comentadas oferecem um termo de comparação para a literatura nacional recente. O primeiro, o livro Le Perff, é um manual singelo para a introdução aos escritos de vida sobretudo daquelas pessoas que exploram as próprias vidas sob o ponto de vista da memória pessoal. O livro não avança na fundamentação das categorias (verdade, memória, indivíduo, ser, identidade etc.) e na apresentação dos procedimentos investigativos (busca, descrição, classificação e comparação de fontes etc.). Trata-se de manual para a pessoa afastada dos ambientes acadêmicos (embora, em sua maioria, com estudos em nível superior) e é desse modo que deve ser julgado.

Assim, considerando os senões apresentados, concluímos que o livro cumpre parcialmente as suas metas ainda que deva ser lido pelo iniciante interessado. Essa sugestão tem a ver com a raridade dos estudos propedêuticos não acadêmicos no Brasil. Iniciativas desse tipo existem às dezenas em língua francesa e inglesa e espanhola, provavelmente, mas rareiam no idioma nacional. Ao menos, até o fechamento desta resenha, não encontrei um título de livro “Como escrever uma autobiografia” nos registros brasileiros do Google Acadêmico. Preenchidas as lacunas apontadas acima, seria bem-vinda a sua tradução para brasileiros.

Já os “Aspectos teóricos” de Rivera estão literalmente abertos à interpretação do leitor. Eles configuram um modo de ver o “gênero autobiográfico” (uma angulação) e a aparência do gênero autobiográfico (o modo como os textos se apresentam). Mas, a ausência da explicitação de uma concepção tipológica de teoria (ou da concepção de teoria explicitada por suas fontes) é o obstáculo ao conhecimento da posição do autor em termos “teóricos”. Sob tal critério, se sua meta foi “sistematizar” estudos teóricos sobre autobiografia, ela está parcialmente cumprida, na medida em que os seus quatro capítulos se apresentam como um bom e exaustivo inventário comentado. As longas jornadas analíticas não seriam problema se o autor reiterasse algumas questões e respostas dispersas ao longo dos quatro capítulos em forma de considerações finais, seção que, inexplicavelmente, inexiste na obra. Não deixa de ser, contudo, um compêndio sobre a matéria de grande valia aos estudos propedêuticos, desde que sua leitura seja guiada por um leitor experimentado.


Sumário de Écrire ses memóires: astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre

  1. Pourquoi écrire?
  2. Comment débuter?
  3. Des questions pour trouver l’inspiration
  4. Comment terminer?
  5. Éditeur, autoédition, imprimeur…
  6. Que peut apporter un biografe familial?
  • Anexes

Sumário de Aspectos teóricos de la autobiografia

  • Agradecimientos
  • Presentación
  • Prólogo
    1. Introducción
    2. Sentidos etimológicos del término “autobiografía”
    3. El fenómeno autobiográfico
    4. Perspectivas teóricas
    5. Características de la autobiografía
  • Bibliografía 

Resenhista

Itamar Freitas – Doutor em História (UFRGS) e em Educação (PUC-SP), Professor do Departamento de Educação e do Mestrado Profissional em História, da Universidade Federal de Sergipe, e editor do blog Resenha Crítica. Publicou, entre outros trabalhos, Uma introdução ao método histórico (2021) e “Objetividade histórica no Manual de Teoria da História de Roberto Piragibe da Fonseca (1903-1986)”. ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. Email: [email protected].

 

 


Para citar esta resenha

LE PERFF, Marie-Gaêlle. Guide pratique: Écrire ses memoires – Astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre. [Paris:] Amazon, 2020. RIVERA, Edgar Velásquez. Aspectos teóricos de la autobiografia. Popayán: Antropos, 2020. Resenha de: FREITAS, Itamar.. Introduções ao estudo e à prática autobiografia – resenhas de Écrire ses memóires: astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre, de Marie – Gaëlle Le Perff, e de Aspectos teóricos de la autobiografia, de Edgar Velásquez Rivera.  Crítica Historiográfica. Natal, v.2, n.4, p.23-28, mar./abr. 2022.

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Introdução ao estudo e à prática autobiográfica – Resenhas de “Écrire ses memóires: astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre”, de Marie -Gaëlle Le Perff, e “Aspectos teóricos de la autobiografia”, de Edgar Velásquez Rivera

Resenhado por Itamar Freitas (UFS) | 28 fevereiro 2022


Marie-Gaëlle Le Perff e Edgar Velásquez Rivera | Imagens: Narrovita e Proclama

Dois manuais recentes sobre a elaboração de autobiografias foram lançados em línguas francesa e espanhola com abordagens e destinatários diferenciados. Não apresentam inovações  na área, mas vale a pena submetê-los à crítica como indicador da bibliografia circulante para o interessado na temática. Eles são: Écrire ses memóires: astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre, de Marie-Gaëlle Le Perff, e Aspectos teóricos de la autobiografia, de Edgar Velásquez Rivera.

Écrire ses mémoires é um singelo manual introdutório às artes dos escritos de vida (biografias, autobiografias e memórias). Foi publicado em 2020 com a meta de auxiliar pessoas comuns a escreverem suas lembranças, por si mesmas, dando a conhecer questões e conceitos típicos da investigação do gênero e da publicação independente. Sua autora, Marie-Gaëlle Le Perff, é formada em Jornalismo (Paris 7) e Biologia (Poitiers) e se apresenta como redatora da revista Vie Chrétienne, biógrafa familiar e especialista na cobertura de assuntos da saúde.

O livro é constituído por seis capítulos, cinco dos quais referentes ao trabalho de investigação e escrita propriamente ditos. No primeiro, Le Perff inicia o trabalho de convencimento, declarando subliminarmente que o leitor pode e deve escrever suas memórias, que as memórias são um gênero de vária serventia. Escrever memória é atividade terapêutica, afirma a autora. Lembrar antigos desejos pode renovar forças para a ação, revelar algo das profundezas do ser, exorcizar coisas ruins e reviver momentos dolorosos. Mas, pode também comunicar aos outros o desconhecido sobre sua vida, explicar ou restituir contextos e esclarecer mal-entendidos.

Logo de início percebemos os destinatários da obra. Le Perff problematiza as categorias “memória” e “verdade” sem apresentar um referente acadêmico. Anulando o suposto esquecimento inicial, ela afirma que basta começar a escrever e a investigar. Para livrar-se da divergência dos próprios testemunhos, a autora orienta a consulta a outras fontes (que não apenas a sua própria memória) e, até mesmo, a apresentação das diferentes versões produzidas pelo autobiógrafo aprendiz.

O segundo capítulo responde à questão do como iniciar. A orientação é também simples: basta começar por uma lembrança de situações prazerosas. Escreva no computador ou no caderno de notas. Combine os dois instrumentos, continua a autora. O primeiro você usa para textos longos e o segundo emprega para anotar ideias ou informações breves. Escreva nos horários e lugares que melhor lhe oferecerem concentração ou riqueza de lembranças. Escreva com regularidade, consultando diferentes fontes de conhecimento: biografias, lugares de infância, fotografias e depoimento dos colegas.

O capítulo se encerra com a discussão sobre o plano do livro em construção pelo leitor. É o ponto mais frágil do manual. Aqui, a autora dá um salto das questões motivadoras do início da escrita (primeiras lembranças da vida, eventos significativos etc.) para a arquitetura da informação que esboçará a vida contada. O tema mereceria capítulo inteiro. As seis possibilidades aventadas (ordem cronológica, flashback, história de lugar, abecedário, árvore genealógica e descrição de objeto simbólico) estão desacompanhadas dos seus prós e contras e dos efeitos que teriam sobre a identidade individual em construção, mediante texto autobiográfico.

A fragilidade do segundo capítulo se consolida com a leitura do seguinte. Em “Questões para encontrar a inspiração”, a autora lista questionários que são pontos de partida à lembrança dos leitores e à consequente deflagração de escritas de memória. A maior parte dos inventários de questões obedece ao padrão cronológico dos ciclos de vida: há questões sobre o “nascimento”, “família”, “infância”, “adolescência”, “serviço militar”, “primeiro trabalho”, “residência” e “férias”. Depois dessa sequência, a escolha é aleatória: “filhos”, relações com o “progresso tecnológico”, percepções de “fatos históricos”, perfil pessoal, “coisas que lhes dão prazer”, “listas de sentimentos”, entre outros.

A maioria dessas listas é subestimada pela autora que as tipifica como instrumentos de “inspiração”. A própria palavra reforça um desserviço, pois abre grande possibilidade de ser tomada como sopro criador ou revelação e não como fonte de ideias. O que a autora prescreve é muito trabalho e trabalho sistemático, em geral, exigido pela escrita de narrativas. Desse modo, as listas estariam bem conformadas como procedimentos de planos de redação. O outro problema está no subemprego da lista de questões sobre o “quem é você”. Isolada como exemplar de lista e anexo, deixa de preencher de sentido uma das finalidades do manual: o autoconhecimento, a superação de traumas e a motivação para a ação.

Nos últimos três capítulos, o manual perde força, considerando que o espaço é dominantemente reservado para questões que afetam a produção livreira de modo geral. O título do quarto capítulo, por exemplo, não corresponde ao dito. O “Como terminar” informa, sim, os assuntos que devem conter em uma “conclusão”: desejos anteriores, projetos de vida, autoavaliação da vida e agradecimentos. Contudo, ¾ do espaço é reservado à descrição dos elementos da arquitetura da informação: introdução, capítulos, conclusão, sumário e cuidados com as revisões ortográfica e tipográfica e as consequências jurídicas das informações comunicadas pelo autobiógrafo em livro.

No capítulo quinto, a autora informa sobre as vantagens e desvantagens da autoedição  e da edição por conta de um editor. Ela fornece endereço de empresas editoras e menciona as referências obrigatórias a serem feitas na manufatura do impresso, a exemplo do ISBN e do depósito legal.

O último capítulo é reservado à propaganda. Se você não sabe, não quer, não tem tempo e coragem de finalizar seu escrito de vida, provoca a autora, você pode contratar os serviços de um especialista. Le Perff, como explicitado na página imediatamente posterior ao capítulo, é uma das centenas de praticantes desse ofício, na França: “Não hesite em contactar-me seja qual for a fase de escrita em que se encontre. Eu poderia ajudá-lo em um ponto específico ou retomar toda a obra, de acordo com seus desejos.” (posição 562).

O segundo livro, como adiantei, aborda a autobiografia em perspectiva muito diferente. Não está interessado, diretamente, em facilitar a construção de biografias por pessoas comuns. Aspectos teóricos de la autobiografia é um compêndio comentado da literatura dominantemente ibérica, produzida nos últimos 30 anos, sobre a natureza do “gênero autobiográfico” ou das tentativas de circunscrever os exemplares de autobiografia como gênero. Seu autor, Edgar Velásquez Rivera, é doutor em História pela Pontifícia Universidad Católica de Chile e professor do Departamento de História da Universidad del Cauca, na Colômbia.

O livro é apresentado por Zamira Díaz López, professora da Universidad del Cauca e traz prólogo assinado pelo professor Luis Guillermo Jaramillo Echeverri, também professor da Universidad del Cauca. Ambos destacam a profundidade da investigação. Segue-se-lhe uma brevíssima introdução onde  o autor situa a autobiografia como um “gênero” constituinte da “literatura del yo” (junto à “biografia” e às “memórias”). Seu objetivo explícito é “sistematizar un considerable volumen de los estúdios” e “mostrar algunos aspectos teóricos” sobre o “gênero” autobiográfico (p.23-24). Essa meta o autor persegue por quatro capítulos os quais passamos a comentar na sequência.

No primeiro, Rivera faz longa exposição de definições e caracterizações do gênero autobiografia. O título é enganoso (para o bem). “Sentidos etimológicos del término ‘autobiografía’” não reflete nem de longe o conteúdo dessa seção. Há no texto, certamente, um estudo etimológico sobre a dicionarização e as significações da palavra: “vida de um indivíduo por ele mesmo” e “qualquer texto onde o autor parece expressar sua vida ou seus sentimentos” (p.31). A maioria do espaço, porém, é preenchido com o enredamento de proposições de diferentes autores sobre, por exemplo, as origens do fenômeno autobiográfico (idade média/idade moderna), das relações com outros gêneros (romance, biografia e memória), o seu status perante a ciência histórica (fonte para narrativa histórica e narrativa histórica), os seus suportes privilegiados (prosa/poesia) e o seu caráter mais ou menos narcísico.

São trinta e nove  páginas sem descanso para o leitor, com raras iniciativas de classificação dos autores-fonte e sem intenções anunciadas, ao início ou ao final do capítulo. O interessado na matéria tem que se submeter ao regime do autor-narrador: indo e voltando aos especialistas, apreciando as digressões e as passagens em que ele firma suas posições. Destaco, porém, as proposições de caráter teórico (como requer o título do livro) que penso serem as mais representativas para o autor. Ele entende autobiografia como um gênero, cujo termo chave é “bio” (vida): “la autobiografia es la manera como um sujeto entende, explica y quiere que sea entendida su vida” (p.50). Essa vida é sempre parcial, idealizada, configurada por vários “eus”, representando apenas “uma compreensão” entre várias possíveis. Essa vida é “explicada” a partir de pontos de vista orientados pela especulação cognitivista, idealista ou materialista, empregados de modo autônomo ou combinados. (p.29-29). Por fim, a autobiografia desempenha funções de complementaridade da historiografia (e da historiografia sobre as nações), dispositivo de catarse e de libertação de populações submetidas à opressão, como mulheres, homossexuais, afrodescendentes e vítimas do holocausto.

O segundo capítulo – “El fenômeno autobiográfico” – é uma história do gênero. O autor não esclarece de qual gênero está a tratar (literário, textual, discursivo etc.). O “fenômeno” também tem significado pendular. Podem ser as “expressões autobiográficas”, a palavra “autobiografia”, as obras, fragmentos de contexto econômico, político e ideológico ou mesmo o gênero ainda não definido. Nesse capítulo são listadas algumas tipologias e gêneros concorrentes em diferentes períodos. O fio condutor da história do “fenômeno”, entretanto, está claro. Contrariando uma característica que ele mesmo anunciou para a autobiografia (a vida se realiza após a escrita), o autor a transforma em coisa preexistente à sua história da autobiografia. O fenômeno, portanto, tem “origem”, “raízes” e época de “estabelecimento como gênero” (p.65-66) que oscilam entre a antiguidade clássica e a idade moderna. De mais positivo, neste capítulo, o leitor colherá as distinções entre o pensamento e a prática autobiográfica de S. Agostinho, J-J. Rousseau, M. Montaigne e B. Franklin, por exemplo, e algumas ideias de vida (o lugar do homem e de Deus, o providencialismo e o humanismo) que recuperam, indiretamente, características da autobiografia, defendidas no primeiro capítulo.

No capítulo terceiro – “Perspectivas teóricas” –, o autor passa em revista dezenas de investigadores em busca da “teoria da autobiografia” asseverando, logo de início, a impossibilidade mesma da sua existência. Prefere, então, buscar “teorias da história”, marcadas por suas respectivas circunstâncias e referências espaço-temporais. Dessa forma, apresenta as perspectivas teóricas de cada autor, resultando em um espectro de objetos: definição de autobiografia, justificativas do autobiógrafo para escrever, as funções do escrito autobiográfico (criação, imitação ou sepultamento do sujeito), o insumo da autobiografia (a memória, por exemplo), a definição do Eu (determinado por si mesmo, linguagem, sociedade etc.), relação da autobiografia com outros gêneros (biografia, novela, poema autobiográfico e autorretrato, etc.), o regime de verdade (ou a natureza realista e/ou ficcional da autobiografia) e a orientação disciplinar na concepção desses elementos (Psicanálise, Teoria Literária e História). Esses elementos de teoria aparecem e desaparecem ao sabor das demandas de cada um dos autores revisados. Rivera, repito, opta por teorias, mas não informa o que seria uma teoria ou que elementos constituiriam um tipo balizador do exame das proposições que, em conjunto, ele chama de teoria.

No início do quarto e último capítulo, penso ter compreendido o caráter de inventário tomado pelas seções precedentes. O que deseja Rivera é colocar alguma ordem na pluralidade e na divergência sobre o que ele chama de “teorias da autobiografia”. Meu pensamento, contudo, logo se desfaz, quando noto que a execução dessa seção não se diferencia das demais. Ele até que reduz o número de referências teóricas. As suas proposições, todavia, são apresentadas nos termos do capítulo anterior sem previsão de certa quantidade de “aspectos” (sem identificação dos elementos que caracterizariam a identidade do gênero biográfico).

No último parágrafo do capítulo – “a manera de colofón” (p.168) –, Rivera sintetiza o que pareceria os principais aspectos do gênero subscritos com fins individuais, fins sociais e serventia científica: “En tiempos de la ficción moderna y posmoderna […], tal género, desde una perspectiva autocrítica, se alza como una posibilidad de reencuentro personal y pone al sujeto en el camino de su propia liberación. La autobiografía encarna teorías y métodos para la investigación histórica y, desde ella, es posible conocer fenómenos que escapan a los convencionales objetos de otras disciplinas.” Além disso, continua Rivera, “Las sociedades con distintos tipos y niveles de vulnerabilidad, así como aquellos cuyo único estilo de vida es la banal opulencia, al igual que aquellos seres humanos ubicados entre ambos extremos, tienen en la autobiografía la oportunidad de comprender y encontrar los sentidos a su existencia.” (p.168). Essa síntese, contudo, não reflete o conteúdo do capítulo que apresenta mais de uma dezena de aspectos não classificados e não hierarquizados, abrangendo desde qualidades genéricas do texto, como incompletude, retrospectividade, imprecisão e intencionalidade (de publicação), passando pelas contribuições à existência individual (como vimos acima), construção da identidade, recuperação da memória e desenvolvimento da resiliência, até a definição fundamentada e de amplo conhecimento entre os pares, configurada na “coincidencia de la identidad de autor, narrador y personaje principal, es decir, un ‘pacto autobiográfico’” (p.141).

As duas abordagens aqui comentadas oferecem um termo de comparação para a literatura nacional recente. O primeiro, o livro Le Perff, é um manual singelo para a introdução aos escritos de vida sobretudo daquelas pessoas que exploram as próprias vidas sob o ponto de vista da memória pessoal. O livro não avança na fundamentação das categorias (verdade, memória, indivíduo, ser, identidade etc.) e na apresentação dos procedimentos investigativos (busca, descrição, classificação e comparação de fontes etc.). Trata-se de manual para a pessoa afastada dos ambientes acadêmicos (embora, em sua maioria, com estudos em nível superior) e é desse modo que deve ser julgado.

Assim, considerando os senões apresentados, concluímos que o livro cumpre parcialmente as suas metas ainda que deva ser lido pelo iniciante interessado. Essa sugestão tem a ver com a raridade dos estudos propedêuticos não acadêmicos no Brasil. Iniciativas desse tipo existem às dezenas em língua francesa e inglesa e espanhola, provavelmente, mas rareiam no idioma nacional. Ao menos, até o fechamento desta resenha, não encontrei um título de livro “Como escrever uma autobiografia” nos registros brasileiros do Google Acadêmico. Preenchidas as lacunas apontadas acima, seria bem-vinda a sua tradução para brasileiros.

Já os “Aspectos teóricos” de Rivera estão literalmente abertos à interpretação do leitor. Eles configuram um modo de ver o “gênero autobiográfico” (uma angulação) e a aparência do gênero autobiográfico (o modo como os textos se apresentam). Mas, a ausência da explicitação de uma concepção tipológica de teoria (ou da concepção de teoria explicitada por suas fontes) é o obstáculo ao conhecimento da posição do autor em termos “teóricos”. Sob tal critério, se sua meta foi “sistematizar” estudos teóricos sobre autobiografia, ela está parcialmente cumprida, na medida em que os seus quatro capítulos se apresentam como um bom e exaustivo inventário comentado. As longas jornadas analíticas não seriam problema se o autor reiterasse algumas questões e respostas dispersas ao longo dos quatro capítulos em forma de considerações finais, seção que, inexplicavelmente, inexiste na obra. Não deixa de ser, contudo, um compêndio sobre a matéria de grande valia aos estudos propedêuticos, desde que sua leitura seja guiada por um leitor experimentado.


Sumário de Écrire ses memóires: astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre

  1. Pourquoi écrire?
  2. Comment débuter?
  3. Des questions pour trouver l’inspiration
  4. Comment terminer?
  5. Éditeur, autoédition, imprimeur…
  6. Que peut apporter un biografe familial?
  • Anexes

Sumário de Aspectos teóricos de la autobiografia

  • Agradecimientos
  • Presentación
  • Prólogo
    1. Introducción
    2. Sentidos etimológicos del término “autobiografía”
    3. El fenómeno autobiográfico
    4. Perspectivas teóricas
    5. Características de la autobiografía
  • Bibliografía 

Resenhista

Itamar Freitas – Doutor em História (UFRGS) e em Educação (PUC-SP), Professor do Departamento de Educação e do Mestrado Profissional em História, da Universidade Federal de Sergipe, e editor do blog Resenha Crítica. Publicou, entre outros trabalhos, Uma introdução ao método histórico (2021) e “Objetividade histórica no Manual de Teoria da História de Roberto Piragibe da Fonseca (1903-1986)”. ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. Email: [email protected].

 

 


Para citar esta resenha

LE PERFF, Marie-Gaêlle. Guide pratique: Écrire ses memoires – Astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre. [Paris:] Amazon, 2020. RIVERA, Edgar Velásquez. Aspectos teóricos de la autobiografia. Popayán: Antropos, 2020. Resenha de: FREITAS, Itamar.. Introduções ao estudo e à prática autobiografia – resenhas de Écrire ses memóires: astuces et conseils pour transformer ses souvenirs en un livre, de Marie – Gaëlle Le Perff, e de Aspectos teóricos de la autobiografia, de Edgar Velásquez Rivera.  Crítica Historiográfica. Natal, v.2, n.4, p.23-28, mar./abr. 2022.

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