Resenha de Maria Margarida Dias de Oliveira (UFRN) sobre o livro “Elke: Mulher maravilha”, de Chico Felitti

Chico Felitti | Foto: Ale Ruaro/Pauliceia

Resumo: Elke: Mulher maravilha, de Chico Felitti, narra acontecimentos da vida de Elke Grünupp, artista brasileira, nascida na Alemanha, destacada por atitudes anarquistas e críticas ao status quo. Leitura envolvente e exemplo de crítica de fontes e posicionamento autoral, o livro peca pela linearidade cronológica dominante na composição.

Palavras-chave: Maravilha, Mulher, Biografia.


Elke: Mulher Maravilha explora a vida de Elke Grünupp, personagem midiática brasileira e alemã, anterior à idade das redes sociais, que viveu entre 1945 e 2016. É uma biografia e um livro de memórias: de Elke, do próprio autor e dos leitores que a assistiram na TV. Motivado, inicialmente, por um desejo pouco refletido de um estudante de jornalismo, Chico Felitti a concebeu, em 2006, como “perfil biográfico” de uma “mulher poliglota, pagã, na época, em plena decadência profissional” e, em 2020, o transformou em “áudio série”. Década e meia depois, 2021, o já profissional Felitti assim definiu os objetivos da sua obra: mostrar que Elke “foi uma artista cuja plataforma era o inconsciente de um país” (p.7).

Chico Felitti é um jovem jornalista brasileiro (1986), premiado pela reportagem e livro Ricardo e Vânia: o maquiador, a garota de programa, o silicone e uma história de amor (2019), e por Rainhas da Noite (2023). Escreveu também o livro A Casa: a história da seita de João de Deus (2020) e atua como podcaster narrador de vidas. Em Elke, Felitti, distribui a experiência da modelo, secretária, atriz de teatro e cinema, cantora, jurada e apresentadora de TV em 32 capítulos, além da apresentação, introdução e epílogo.

A apresentação e o prefácio anunciam a motivação e o objetivo da obra (citados acima). Sobretudo na introdução, há sintético perfil da biografada, retratando ocupações, casamentos, pontos altos e baixos da carreira, detalhados na sequência dos capítulos. O texto ressente-se de uma nota de rodapé ou de um parágrafo que efetivamente apresente as escolhas substantivas e metodológicas que guiaram o autor na construção da biografia.

Os capítulos não são descritos como tal. Há ambiguidade na feitura do texto. Os 32 segmentos são intitulados por datas cronológicas (dispostos ao final desta resenha). Sem conhecer a razão, sobram conjecturas: ele quis evitar a quebra do fluxo de leitura? Quis demarcar mudança de tema ou, ao contrário, forçar a percepção de uma linearidade? Quis estruturar a narrativa ao gosto da biografada?

Para o bem ou para o mal, o leitor fica livre em suas tentativas de organização e síntese. A descrição tripartite é um exemplo. No primeiro grande segmento, limitado pelos títulos “de 1945–1948” e o último “1972” (são três títulos com o mesmo nome), o autor descreve os pais, avós e irmãos de Elke, a chegada ao Brasil, a infância em Atibaia e em Bragança Paulista (SP), participação em concursos de beleza, o primeiro casamento na Europa, vida de estudante universitária (Letras e Filosofia) em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, a participação nos desfiles de moda, a prisão política e a entrada no programa “A buzina do Chacrinha”.

O segundo segmento o autor narra acontecimentos relativos aos anos insertos no período “1973” e “1993–2007”. Desse tempo, entre outros episódios, o autor trata da convivência de Elke com Silvio Santos, Chacrinha, Zezé Mota, da participação no teatro e no Cinema (Xica da Silva, Pixote, entre outros), dos auxílios de início de carreira aos Dzi Croquettes, Angélica, Patrícia Marques, Rubão, do estilo e os estilistas que conformavam seu cabelo, roupas e maquiagem, da experiência como artista mambembe, do cotidiano dos casamentos, vícios com drogas lícitas e ilícitas, e da decadência financeira.

Observando panoramicamente o descrito até aqui, percebo que a narrativa amplia o desequilíbrio em tema e extensão e o autor vai contradizendo a biografia idealizada por Elke: “não gosto daquela biografia assim, ah, naquele dia eu caguei, eu peidei, eu trepei, não. Gosto assim, como a gente está falando. Atemporal. De repente, lembro de uma coisa, de repente eu tô aqui.” (p.140).

O último segmento inclui experiências de “2007 a 2016” e se estende até “2018–2019”. Apesar dos marcos temporais elásticos, a escritura é breve e a narrativa trata das dívidas, doença, da morte por úlcera e do espólio de Elke na moda, no cinema e no Carnaval de 2029.

 

Em toda a obra, o autor deixa pistas sobre a sua autonomia em relação às falas da biografada. Ele discorda e questiona declarações de causa, tempo e lugar, destacando as inventividades de Elke.

Elke Maravilha: “mais inteligente do que todos os biógrafos” | Foto: Daryan/Folha de Londrina

Devo confessar que, até bem pouco tempo, me perguntava se Elke Maravilha era uma mulher, um travesti, uma drag queen ou um personagem da TV. Soube pelo livro que era uma mulher e que suas roupas, calçados e adereços eram, supostamente, um gosto pessoal, que era alemã e não nascida em Leningrado na antiga União Soviética como afirmava.

Quem aprecia biografias ou autobiografias sabe que o gostoso da leitura desses gêneros são as histórias que se conta e como se conta. Segundo a própria biografada e alguns depoentes, Elke era uma mulher livre e libertária. Mas, sobre vinculações políticas, não se pode deduzir. Ela se escondeu. Em um episódio se diz anarquista, mas não se sabe em que aspecto ela está afirmando: se do ponto de vista político mais geral ou do ponto de vista do comportamento individual.

No trato com esses jogos de realidade e representação de Elke, o autor demonstra cuidado e compromisso jornalístico. Ele apresenta contraprovas arquivísticas, bibliográficas, anuncia mais de uma versão para os fatos, levanta hipóteses abusa do “não se sabe”, “é impossível dizer” e do “é provável que” e, não raro, deixa a questão em aberto ou afirma peremptoriamente: “isso não é verdade […] Elke criou um personagem para si mesma, e o levou adiante até sua morte” (p.12).

Outro ponto positivo é o esforço de contextualização. Aqui e ali ele faz digressões ligeiras, sem ar de professor, estimulando a memória do leitor sobre eventos de impacto nacional. Ainda assim, o exagera a espichar a excentricidade da vida de Elke, por exemplo, ao afirmar que foi amiga de Jim Jones, o líder do “suicídio coletivo de 918 pessoas de seu culto, na Guiana” (p.25) e que a “única violência” sofrida do “regime militar” foi um “tapa na cara”, durante um interrogatório (p.49). Há passagens dispensáveis, como a informação de sobre um dos maridos de Elke: morava em Brumadinho, “que teve bairros soterrado por dejetos de uma barragem da Vale” (120).

O autor demonstra muito respeito e paixão pela personagem e o livro tem um enorme potencial para discussão sobre biografias e autobiografias, como se fazem e se refazem. Esse potencial, expresso nas declarações metabiográficas, contudo, vão raleando ao longo da obra, em que predomina a narração descritiva.

Com esses comentários, posso afirmar que o autor cumpriu de modo parcial a tarefa anunciada no princípio da obra. É certo que ele fez pesquisa de grande fôlego, demonstrou atitude crítica no trato com as fontes, sobretudo em relação às falas da biografada. Mas a proposição de que a vida de Elke é uma representação do “inconsciente” do Brasil (p.2) figurou como uma (boa) hipótese, carente de fundamentação teórica e investigação complementar.

Por outro lado, o livro cumpre uma função testemunhal e formativa, sobretudo para os jovens leitores. Durante a leitura, os moços vão descobrir que havia gente como Elke revolucionando comportamentos há muito tempo e que, de certa forma, retrocedemos. Ele poderá chegar a essa conclusão ao se deparar com o diálogo (real ou imaginário?) da Elke criança com seu pai, onde ela perguntou se necessitava ter comportamento de mulher, ao que ele responde: não, você pode ser o que quiser.

A biografia de Elke, por fim, enche os olhos e o coração de pessoas comuns, mas nunca é demais lembrar o que uma pessoa “incomum” (segundo o espírito das pessoas que, ao lerem Elke se sentem “comuns”) declarou sobre excepcionalidade das vidas. Afirma Zé Dirceu, em sua autobiografia, que pensava a sua trajetória como um diferencial na prisão, após o mensalão. Tempos depois, descobriu que todas as vidas eram extraordinárias, desde que alguém se dispusesse a contá-la para alguém predisposto a ouvi-la.

Sumário de Elke: Mulher Maravilha

  • Apresentação
  • Introdução
  • De 1945 a 1948
  • 1949
  • De 1958 a 1962
  • 1962 e 1963
  • 1965
  • De 1967 a 1969
  • 1969
  • De 1970 a 1972
  • 1972
  • 1972
  • 1972
  • 1973
  • 1975 e 1976
  • 1978
  • 1979
  • Pausa
  • 1979
  • 1980
  • 1987
  • De 1982 a 1988
  • 1984
  • De 1988 a 1993
  • De 1989 a 1993
  • Pausa
  • 1993
  • 1993
  • 1993
  • De 1994 a 2007
  • De 2007 a 2016
  • 2016
  • 2017
  • 2018 e 2019
  • Epílogo
  • Autor
  • Créditos

Para ampliar a sua revisão da literatura


Resenhista

Margarida Maria Dias de Oliveira – Doutora em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Professora do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em História da UFRN. Publicou, entre outros trabalhos, Dicionário do Ensino de História (2020), em coautoria com Marieta e Morais Ferreira, e Formação dos professores de História: os desafios de uma profissão em processo de reinvenção. ID LATTES: http://lattes.cnpq.br/5565266295414497; ID ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8542-4173; E-mail: [email protected].

 


Para citar esta resenha

FELITTI, Chico. Elke: Mulher Maravilha. São Paulo: Todavia, 2021. 200p. Resenha de: OLIVEIRA, Maria Margarida Dias. Excepcionalidade? Crítica Historiográfica. Natal, v.3, n.14, nov./dez., 2023. Disponível em <https://www.criticahistoriografica.com.br/resenha-de-maria-margarida-dias-de-oliveira-ufrn-sobre-o-livro-elke-mulher-maravilha-de-chico-felitti/>.


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.3, n. 14, nov./dez., 2023 | ISSN 2764-2666

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Chico Felitti | Foto: Ale Ruaro/Pauliceia

Resumo: Elke: Mulher maravilha, de Chico Felitti, narra acontecimentos da vida de Elke Grünupp, artista brasileira, nascida na Alemanha, destacada por atitudes anarquistas e críticas ao status quo. Leitura envolvente e exemplo de crítica de fontes e posicionamento autoral, o livro peca pela linearidade cronológica dominante na composição.

Palavras-chave: Maravilha, Mulher, Biografia.


Elke: Mulher Maravilha explora a vida de Elke Grünupp, personagem midiática brasileira e alemã, anterior à idade das redes sociais, que viveu entre 1945 e 2016. É uma biografia e um livro de memórias: de Elke, do próprio autor e dos leitores que a assistiram na TV. Motivado, inicialmente, por um desejo pouco refletido de um estudante de jornalismo, Chico Felitti a concebeu, em 2006, como “perfil biográfico” de uma “mulher poliglota, pagã, na época, em plena decadência profissional” e, em 2020, o transformou em “áudio série”. Década e meia depois, 2021, o já profissional Felitti assim definiu os objetivos da sua obra: mostrar que Elke “foi uma artista cuja plataforma era o inconsciente de um país” (p.7).

Chico Felitti é um jovem jornalista brasileiro (1986), premiado pela reportagem e livro Ricardo e Vânia: o maquiador, a garota de programa, o silicone e uma história de amor (2019), e por Rainhas da Noite (2023). Escreveu também o livro A Casa: a história da seita de João de Deus (2020) e atua como podcaster narrador de vidas. Em Elke, Felitti, distribui a experiência da modelo, secretária, atriz de teatro e cinema, cantora, jurada e apresentadora de TV em 32 capítulos, além da apresentação, introdução e epílogo.

A apresentação e o prefácio anunciam a motivação e o objetivo da obra (citados acima). Sobretudo na introdução, há sintético perfil da biografada, retratando ocupações, casamentos, pontos altos e baixos da carreira, detalhados na sequência dos capítulos. O texto ressente-se de uma nota de rodapé ou de um parágrafo que efetivamente apresente as escolhas substantivas e metodológicas que guiaram o autor na construção da biografia.

Os capítulos não são descritos como tal. Há ambiguidade na feitura do texto. Os 32 segmentos são intitulados por datas cronológicas (dispostos ao final desta resenha). Sem conhecer a razão, sobram conjecturas: ele quis evitar a quebra do fluxo de leitura? Quis demarcar mudança de tema ou, ao contrário, forçar a percepção de uma linearidade? Quis estruturar a narrativa ao gosto da biografada?

Para o bem ou para o mal, o leitor fica livre em suas tentativas de organização e síntese. A descrição tripartite é um exemplo. No primeiro grande segmento, limitado pelos títulos “de 1945–1948” e o último “1972” (são três títulos com o mesmo nome), o autor descreve os pais, avós e irmãos de Elke, a chegada ao Brasil, a infância em Atibaia e em Bragança Paulista (SP), participação em concursos de beleza, o primeiro casamento na Europa, vida de estudante universitária (Letras e Filosofia) em Porto Alegre e no Rio de Janeiro, a participação nos desfiles de moda, a prisão política e a entrada no programa “A buzina do Chacrinha”.

O segundo segmento o autor narra acontecimentos relativos aos anos insertos no período “1973” e “1993–2007”. Desse tempo, entre outros episódios, o autor trata da convivência de Elke com Silvio Santos, Chacrinha, Zezé Mota, da participação no teatro e no Cinema (Xica da Silva, Pixote, entre outros), dos auxílios de início de carreira aos Dzi Croquettes, Angélica, Patrícia Marques, Rubão, do estilo e os estilistas que conformavam seu cabelo, roupas e maquiagem, da experiência como artista mambembe, do cotidiano dos casamentos, vícios com drogas lícitas e ilícitas, e da decadência financeira.

Observando panoramicamente o descrito até aqui, percebo que a narrativa amplia o desequilíbrio em tema e extensão e o autor vai contradizendo a biografia idealizada por Elke: “não gosto daquela biografia assim, ah, naquele dia eu caguei, eu peidei, eu trepei, não. Gosto assim, como a gente está falando. Atemporal. De repente, lembro de uma coisa, de repente eu tô aqui.” (p.140).

O último segmento inclui experiências de “2007 a 2016” e se estende até “2018–2019”. Apesar dos marcos temporais elásticos, a escritura é breve e a narrativa trata das dívidas, doença, da morte por úlcera e do espólio de Elke na moda, no cinema e no Carnaval de 2029.

 

Em toda a obra, o autor deixa pistas sobre a sua autonomia em relação às falas da biografada. Ele discorda e questiona declarações de causa, tempo e lugar, destacando as inventividades de Elke.

Elke Maravilha: “mais inteligente do que todos os biógrafos” | Foto: Daryan/Folha de Londrina

Devo confessar que, até bem pouco tempo, me perguntava se Elke Maravilha era uma mulher, um travesti, uma drag queen ou um personagem da TV. Soube pelo livro que era uma mulher e que suas roupas, calçados e adereços eram, supostamente, um gosto pessoal, que era alemã e não nascida em Leningrado na antiga União Soviética como afirmava.

Quem aprecia biografias ou autobiografias sabe que o gostoso da leitura desses gêneros são as histórias que se conta e como se conta. Segundo a própria biografada e alguns depoentes, Elke era uma mulher livre e libertária. Mas, sobre vinculações políticas, não se pode deduzir. Ela se escondeu. Em um episódio se diz anarquista, mas não se sabe em que aspecto ela está afirmando: se do ponto de vista político mais geral ou do ponto de vista do comportamento individual.

No trato com esses jogos de realidade e representação de Elke, o autor demonstra cuidado e compromisso jornalístico. Ele apresenta contraprovas arquivísticas, bibliográficas, anuncia mais de uma versão para os fatos, levanta hipóteses abusa do “não se sabe”, “é impossível dizer” e do “é provável que” e, não raro, deixa a questão em aberto ou afirma peremptoriamente: “isso não é verdade […] Elke criou um personagem para si mesma, e o levou adiante até sua morte” (p.12).

Outro ponto positivo é o esforço de contextualização. Aqui e ali ele faz digressões ligeiras, sem ar de professor, estimulando a memória do leitor sobre eventos de impacto nacional. Ainda assim, o exagera a espichar a excentricidade da vida de Elke, por exemplo, ao afirmar que foi amiga de Jim Jones, o líder do “suicídio coletivo de 918 pessoas de seu culto, na Guiana” (p.25) e que a “única violência” sofrida do “regime militar” foi um “tapa na cara”, durante um interrogatório (p.49). Há passagens dispensáveis, como a informação de sobre um dos maridos de Elke: morava em Brumadinho, “que teve bairros soterrado por dejetos de uma barragem da Vale” (120).

O autor demonstra muito respeito e paixão pela personagem e o livro tem um enorme potencial para discussão sobre biografias e autobiografias, como se fazem e se refazem. Esse potencial, expresso nas declarações metabiográficas, contudo, vão raleando ao longo da obra, em que predomina a narração descritiva.

Com esses comentários, posso afirmar que o autor cumpriu de modo parcial a tarefa anunciada no princípio da obra. É certo que ele fez pesquisa de grande fôlego, demonstrou atitude crítica no trato com as fontes, sobretudo em relação às falas da biografada. Mas a proposição de que a vida de Elke é uma representação do “inconsciente” do Brasil (p.2) figurou como uma (boa) hipótese, carente de fundamentação teórica e investigação complementar.

Por outro lado, o livro cumpre uma função testemunhal e formativa, sobretudo para os jovens leitores. Durante a leitura, os moços vão descobrir que havia gente como Elke revolucionando comportamentos há muito tempo e que, de certa forma, retrocedemos. Ele poderá chegar a essa conclusão ao se deparar com o diálogo (real ou imaginário?) da Elke criança com seu pai, onde ela perguntou se necessitava ter comportamento de mulher, ao que ele responde: não, você pode ser o que quiser.

A biografia de Elke, por fim, enche os olhos e o coração de pessoas comuns, mas nunca é demais lembrar o que uma pessoa “incomum” (segundo o espírito das pessoas que, ao lerem Elke se sentem “comuns”) declarou sobre excepcionalidade das vidas. Afirma Zé Dirceu, em sua autobiografia, que pensava a sua trajetória como um diferencial na prisão, após o mensalão. Tempos depois, descobriu que todas as vidas eram extraordinárias, desde que alguém se dispusesse a contá-la para alguém predisposto a ouvi-la.

Sumário de Elke: Mulher Maravilha

  • Apresentação
  • Introdução
  • De 1945 a 1948
  • 1949
  • De 1958 a 1962
  • 1962 e 1963
  • 1965
  • De 1967 a 1969
  • 1969
  • De 1970 a 1972
  • 1972
  • 1972
  • 1972
  • 1973
  • 1975 e 1976
  • 1978
  • 1979
  • Pausa
  • 1979
  • 1980
  • 1987
  • De 1982 a 1988
  • 1984
  • De 1988 a 1993
  • De 1989 a 1993
  • Pausa
  • 1993
  • 1993
  • 1993
  • De 1994 a 2007
  • De 2007 a 2016
  • 2016
  • 2017
  • 2018 e 2019
  • Epílogo
  • Autor
  • Créditos

Para ampliar a sua revisão da literatura


Resenhista

Margarida Maria Dias de Oliveira – Doutora em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Professora do Departamento e do Programa de Pós-Graduação em História da UFRN. Publicou, entre outros trabalhos, Dicionário do Ensino de História (2020), em coautoria com Marieta e Morais Ferreira, e Formação dos professores de História: os desafios de uma profissão em processo de reinvenção. ID LATTES: http://lattes.cnpq.br/5565266295414497; ID ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8542-4173; E-mail: [email protected].

 


Para citar esta resenha

FELITTI, Chico. Elke: Mulher Maravilha. São Paulo: Todavia, 2021. 200p. Resenha de: OLIVEIRA, Maria Margarida Dias. Excepcionalidade? Crítica Historiográfica. Natal, v.3, n.14, nov./dez., 2023. Disponível em <https://www.criticahistoriografica.com.br/resenha-de-maria-margarida-dias-de-oliveira-ufrn-sobre-o-livro-elke-mulher-maravilha-de-chico-felitti/>.


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.3, n. 14, nov./dez., 2023 | ISSN 2764-2666

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