Edição especial

Crítica Historiográfica. Natal, v.2, n. esp., ago. 2022 | ISSN 2764-2666

Dugin Carvalho Spencer
Aleksandr Dugin, Olavo de Carvalho e Richard Spencer | Imagens: The New Fascism Syllabus, Youtube/Estadão, Wikipedia

Nos últimos cinco anos, experimentamos verdadeira onda de estudos acadêmicos e de vulgarização sobre a atuação das novas direitas em vários lugares do planeta. A maioria deles foi escrita por profissionais da comunicação, sociólogos e politólogos.

No Brasil, não obstante o fenômeno estar na grande mídia e em moda, livros produzidos a partir de fenômenos nacionais e designados por expressões frequentes entre acadêmicos, a exemplo de “nova direita”, “direita radical”, “extrema direita”, “direita populista”, “nova onda conservadora” e “neofascismo” ou “ressurgência fascista” são desconhecidos entre os docentes em história por formação.

Por essa razão, a revista Crítica Historiográfica vai divulgar em bloco alguns desses títulos que eventual e potencialmente podem assumir funções didáticas para o ensino superior de História e a formação continuada em História.

São 14 obras, publicadas em português, espanhol e inglês, nos últimos três anos, por autores nacionais e estrangeiros, especialistas das ciências humanas e sociais com larga experiência na pesquisa sobre o político e a política no passado recente.

Com as resenhas desse dossiê, avaliamos a relevância heurística e interpretativa das categorias que esses livros anunciam para ampliar o rol de possibilidades das nossas análises de conjuntura sobre o crescimento das novas direitas no Brasil. De modo complementar, mapeamos o lugar da experiência das “direitas” brasileiras na construção dessas publicações tornadas transnacionais.

Nosso público-alvo é o leitor de História, egresso ou concludente da graduação em História, demandado cotidianamente a produzir pesquisa, criar material didático e a tipificar ações, valores e ideias manifestadas por crianças e jovens em situação escolar. É o leitor que admite a dificuldade de ultrapassar cinco típicas distinções de uso cotidiano da categoria “direita” em relação ao ser par oposto (“esquerda”):

  • conjunto de defensores da ditadura militar, da pena de morte (Jair Bolsonaro, por exemplo);
  • conjunto de formadores de opinião e construtores de políticas públicas (Fundação Lemann e Instituto Mises Brasil etc.) disseminadores e apoiadores de (não definidas) ideias “neoliberais”;
  • conjunto de movimentos de protestos animados por bordões do tipo “Cansei”, “Foram Lula”, “Fora Dilma”, “Fora PT”, “Fora corruptos”, “Impeachment já”;
  • posição (à direita) dos grupos apoiadores do rei e da religião em relação à presidência da Assembleia Constituinte da França, em 1789; e
  • posição dos partidos políticos do século XX em relação ao valor e a coisa designada com a expressão “igualdade".

Se você se interessa pelo assunto e quer ampliar a sua formação, leia cada uma dessas resenhas, cujos objetos centrais incorporam as categorias citadas (“nova direita”, “direita radical”, “extrema direita”, “direita populista”, “nova onda conservadora” e “neofascismo” ou “ressurgência fascista”), adquiram os livros e, se for o caso, enviem novas resenha para esta revista.

Agradecemos muitíssimo aos autores, avaliadores e revisores das resenhas que contribuíram para a publicação desse primeiro número especial, com o qual comemoramos o primeiro ano de existência de nossa Crítica Historiográfica.

Boa leitura!

Um manual (para) traduzir as novas direitas – Resenha de “The far right today”, de Cas Mudde


Resenhado por Karl Schurster (Universidade de Vigo/UPE) | ID: https://orcid.org/0000-0002-1363-119X e Óscar Ferreiro-Vázquez (Universidade de Vigo) | ID: https://orcid.org/0000-0002-8442-8930. The far right today é o primeiro livro de Cas Mudde voltado para o público “não acadêmico” interessado no impulso das “novas direitas”, na América e na Europa, nomeada por ele como a “quarta onda”. O caráter de manual está na arquitetura da informação, na brevidade do texto, na ausência de digressões teóricas e…

Olhando para o outro lado – Resenha de “Fighting the Last War: Confusion, Partisanship, and Alarmism in the Literature on the Radical Right”, de Jeffrey M. Bale e Tamir Bar-On


Resenhado por  Itamar Freitas (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. Tudo parece tranquilo entre os investigadores das novas direitas do eixo Europa-América nos últimos cinco anos. Eles divergem conceitualmente (fascismo, neofascismo, posfascismo, ultradireita, nova direita etc.), ocupam-se de objetos distintos (ideologias, partidos, eleições, movimentos, redes, subculturas, líderes, programas, eleições e ações de governo), mas convergem na ideia de que a maior parte dos seus fenômenos-objeto representa ameaças à democracia liberal. Não sem razão, parte…

Combater o fascismo – Resenha de “Como travar o Fascismo – História, Ideologia, Resistência”, de Paul Mason


Resenhado por Karl Schurster (Universidade de Vigo/UPE) | ID: https://orcid.org/0000-0002-1363-119X e Óscar Ferreiro-Vázquez (Universidade de Vigo) | ID: https://orcid.org/0000-0002-8442-8930. O músico e politólogo Paul Mason, além de professor convidado na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, atuou como jornalista em diversos meios de comunicação, do The Guardian ao Channel 4. Com diversos livros publicados, quase todos best-sellers no mercado editorial europeu e estadunidense, ficou amplamente conhecido pelos livros Pós-Capitalismo: Guia para o Futuro (2016)…

Aprendendo com os politólogos – Resenha de “Analizar el auge de la ultraderecha”, de Beatriz Ugarte Acha


Resenhado por Dilton Cândido Santos Maynard (UFS/UFRJ) | ID: https://orcid.org/0000-0002-9780-0260. Analizar el auge de la ultradereha é o mais recente livro de Beatriz Ugarte Acha. Natural de Vizcaya (1970), Acha é professora de Sociologia e Trabalho Social na Universidad del País Vasco.[i] Doutorou-se em Ciência Política com a tese Éxito y fracaso de los nuevos partidos de extrema derecha en Europa Occidental: el caso de los Republikaner en el Land…

O fascismo fala às massas – Resenha de “A linguagem fascista”, de Carlos Piovezani e Emilio Gentile


Resenhado por Katty Cristina Lima Sá (G/Tempo/UFS) | ID: Orcid:https://orcid.org/0000-0001-9855-317X. A ascensão da extrema direita nos últimos anos aconteceu em sequência ao fim de governos que adotaram posturas progressistas no que condiz à concessão de direitos. Assim, após o governo de Barack Obama (2009-2017), o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, tivemos a eleição do republicano Donald Trump; no Brasil, por sua vez, os doze anos de governos petistas foram…

Sobre as direitas no “Terceiro Mundo” – Resenha de “The Right and Radical Right in the Americas – Ideological Currents from Interwar Canada to Contemporary Chile”, de Tamir Bar-On e Bàrbara Molas


Resenhado por  Itamar Freitas (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. Em The right eand radical right in the Americas: currents from interwar Canada to contemporary Chile [A Direita e a Direita radical nas Américas: correntes ideológicas no entreguerras do Canadá ao Chile contemporâneo], Tamir Bar-On e Bàrbara Molas querem cobrir a lacuna deixada pelo recente The Oxford Handbook of the Radical Righ, editado por Jens Rydgren, que não inclui países da América Latina –…

O Inventário de um conservador? – Resenha de “A World after Liberalism – Philosophers of the Radical Right”, de Matthew Rose


Resenhado por Karl Schurster (Universidade de Vigo/UPE) | ID: https://orcid.org/0000-0002-1363-119X e Óscar Ferreiro-Vázquez (Universidade de Vigo) | ID: https://orcid.org/0000-0002-8442-8930. Matthew Rose é especialista em História das ideias teológicas e políticas e doutor pela Universidade de Chicago. Seu novo trabalho – A World after Liberalism – Philosophers of the Radical Right (2021) – foi pensado no contexto da campanha de Donald Trump e da crise dos refugiados de 2016, quando ele notou que jornalistas…

Ler as novas direitas – Resenha de ¿La rebeldía se volvió de la derecha? Cómo el antiprogresismo y la anticorrección política están construyendo um nuevo sentido común (y por qué la izquiera deveria tomarlos en serio)”, de Pablo Stefanoni


Resenhado por Fábio Alves (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0001-8969-3031. La reledía se volvió de la derecha, de Pablo Stefanoni traz um subtítulo enciclopédico, entregando a matéria ao leitor sem que se tenha a necessidade de abrir o livro: o combate ao progressismo político e ao politicamente correto é rebelde e atrai multidões de jovens. É necessário, então, ler esses arautos das novas direitas (“extrema direita”, da “direita alternativa” ou “populismo de…

Um elemento ausente – Resenha de “O ódio como política: A reinvenção das direitas no Brasil, organizado por Esther Solano Gallego


Resenhado por Lucas Miranda Pinheiro (UFS) | https://orcid.org/0000-0002-4821-0168. No dia 8 de outubro de 2018, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial brasileira, a editora Boitempo liberou gratuitamente o e-book O ódio como política: A reinvenção das direitas no Brasil, organizado pela socióloga Esther Solano Gallego, com o objetivo e “ajudar a compreender” como havíamos chegado à situação na qual o retrógrado Jair Bolsonaro estava à frente…

Por uma direita legítima – Resenha de “Da direita Moderna à Direita Tradicional”, de Cesar Ranqueta Júnior


Resenhado por Jandson Bernardo Soares (UFRN) | ID: http: orcid.org/0000-0001-8195-5113. De autoria de Cesar Ranqueta Jr, o livro Da direita Moderna a Direita tradicional, publicado em 2019, tem duas ambições. A primeira delas é reconstituir historicamente o conceito de Direita, sistematizando argumentos e compilando autores que são ícones para sua fundamentação no mundo ocidental. A segunda é, a partir de uma análise dessa corrente de pensamento no Brasil, apresentar suas fragilidades, incongruências,…

Bolsonarismo à direita? – Resenha de “O que há de novo na “nova direita”? identarismo europeu, trumpismo e bolsonarismo, de Marcos Paulo dos Reis Quadros


Resenhado por Lucas Miranda Pinheiro (UFS) | https://orcid.org/0000-0002-4821-0168. O que há de novo na nova direita, de Marcos Paulo dos Reis Quadros, resulta de uma investigação conduzida em seu estágio pós-doutoral, realizado na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde também cursou doutorado em Ciências sociais. O autor é professor e pró-reitor acadêmico do Centro Universitário Estácio Belo Horizonte (ESTÁCIO BH) e ministra cursos sobre “Direitas” e “Teoria…

As recentes direitas de um historiador – Resenha de “Las nuevas caras de la derecha”, de Enzo Traverso


Resenhado por Itamar Freitas (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. O que me levou a ler o livro de Enzo Traverso não foi apenas o título referente a esse dossiê de resenhas sobre “novas direitas”. O fato de ele ser um dos poucos historiadores de ofício a estudarem o fenômeno e de fazê-lo com ferramentas típicas de historiador – a categoria “regimes de historicidade” – foi o que pesou na escolha. Las nuevas…

A novidade do passado – Resenha de “Menos Marx, Mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil”, de Camila Rocha


Resenhado por João Maurício Gomes Neto (Unir) | ID: http: orcid/ 0000-0003-0194-6802. Menos Marx, mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil, de Camila Rocha, resulta da pesquisa de doutorado em Ciência Política, desenvolvida na Universidade de São Paulo/USP e defendida em 2018. A pesquisa ganhou os prêmios de Tese Destaque USP no âmbito das Ciências Humanas e melhor tese pela Associação Brasileira de Ciência Política. Em 2021,…

Militares e ideologias – Resenha de “Os militares e a crise brasileira”, organizado por João Roberto Martins


Resenhado por Itamar Freitas (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. Em 2020, João Roberto Martins Filho publicou a segunda edição de O palácio e a caserna: a dinâmica militar das crises políticas na Ditadura (1964-1969), adaptação da sua tese de Doutorado em Ciência Política, orientada por Décio Saes e defendida em 1989. Nesse livro, manteve a proposição de que as forças armadas brasileiras configuram um partido político fortalecido na emergência uma “ideologia militar…

Foco e escopo

Publicamos resenhas de livros e de dossiês de artigos de revistas acadêmicas que tratem da reflexão, investigação, comunicação e/ou consumo da escrita da História. Saiba mais sobre o único periódico de História inteiramente dedicado à Crítica em formato resenha.

Corpo editorial

Somos professore(a)s do ensino superior brasileiro, especializado(a)s em mais de duas dezenas de áreas relacionadas à reflexão, produção e usos da História. Faça parte dessa equipe.

Submissões

As resenhas devem expressar avaliações de livros ou de dossiês de revistas acadêmicas autodesignadas como "de História". Conheça as normas e envie-nos o seu texto.

Pesquisa

Alertas

Receba a lista de livros e dossiês resenhados mensalmente. Informe seu nome e endereço eletrônico.

Acesso livre

Crítica Historiográfica não cobra taxas para submissão, publicação ou uso dos artigos. Os leitores podem baixar, copiar, distribuir, imprimir os textos para fins não comerciais, desde que citem a fonte.

Privacidade

Ao se inscrever nesta lista de e-mails, você estará sujeito à nossa política de privacidade.

Pareceristas deste número especial

    • Fábio Alves (UFS)
    • Itamar Freitas (UFS)
    • Magno Francisco de Jesus Santos (UFRN)
    • Margarida Maria Dias de Oliveira (UFRN)

© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

Crítica Historiográfica. Natal, v.2, n. esp. (Novas Direitas em discussão), ago. 2022 | ISSN 2764-2666

Edição especial

Crítica Historiográfica. Natal, v.2, n. esp., ago. 2022 | ISSN 2764-2666

Dugin Carvalho Spencer
Aleksandr Dugin, Olavo de Carvalho e Richard Spencer | Imagens: The New Fascism Syllabus, Youtube/Estadão, Wikipedia

Nos últimos cinco anos, experimentamos verdadeira onda de estudos acadêmicos e de vulgarização sobre a atuação das novas direitas em vários lugares do planeta. A maioria deles foi escrita por profissionais da comunicação, sociólogos e politólogos.

No Brasil, não obstante o fenômeno estar na grande mídia e em moda, livros produzidos a partir de fenômenos nacionais e designados por expressões frequentes entre acadêmicos, a exemplo de “nova direita”, “direita radical”, “extrema direita”, “direita populista”, “nova onda conservadora” e “neofascismo” ou “ressurgência fascista” são desconhecidos entre os docentes em história por formação.

Por essa razão, a revista Crítica Historiográfica vai divulgar em bloco alguns desses títulos que eventual e potencialmente podem assumir funções didáticas para o ensino superior de História e a formação continuada em História.

São 14 obras, publicadas em português, espanhol e inglês, nos últimos três anos, por autores nacionais e estrangeiros, especialistas das ciências humanas e sociais com larga experiência na pesquisa sobre o político e a política no passado recente.

Com as resenhas desse dossiê, avaliamos a relevância heurística e interpretativa das categorias que esses livros anunciam para ampliar o rol de possibilidades das nossas análises de conjuntura sobre o crescimento das novas direitas no Brasil. De modo complementar, mapeamos o lugar da experiência das “direitas” brasileiras na construção dessas publicações tornadas transnacionais.

Nosso público-alvo é o leitor de História, egresso ou concludente da graduação em História, demandado cotidianamente a produzir pesquisa, criar material didático e a tipificar ações, valores e ideias manifestadas por crianças e jovens em situação escolar. É o leitor que admite a dificuldade de ultrapassar cinco típicas distinções de uso cotidiano da categoria “direita” em relação ao ser par oposto (“esquerda”):

  • conjunto de defensores da ditadura militar, da pena de morte (Jair Bolsonaro, por exemplo);
  • conjunto de formadores de opinião e construtores de políticas públicas (Fundação Lemann e Instituto Mises Brasil etc.) disseminadores e apoiadores de (não definidas) ideias “neoliberais”;
  • conjunto de movimentos de protestos animados por bordões do tipo “Cansei”, “Foram Lula”, “Fora Dilma”, “Fora PT”, “Fora corruptos”, “Impeachment já”;
  • posição (à direita) dos grupos apoiadores do rei e da religião em relação à presidência da Assembleia Constituinte da França, em 1789; e
  • posição dos partidos políticos do século XX em relação ao valor e a coisa designada com a expressão “igualdade".

Se você se interessa pelo assunto e quer ampliar a sua formação, leia cada uma dessas resenhas, cujos objetos centrais incorporam as categorias citadas (“nova direita”, “direita radical”, “extrema direita”, “direita populista”, “nova onda conservadora” e “neofascismo” ou “ressurgência fascista”), adquiram os livros e, se for o caso, enviem novas resenha para esta revista.

Agradecemos muitíssimo aos autores, avaliadores e revisores das resenhas que contribuíram para a publicação desse primeiro número especial, com o qual comemoramos o primeiro ano de existência de nossa Crítica Historiográfica.

Boa leitura!

Um manual (para) traduzir as novas direitas – Resenha de “The far right today”, de Cas Mudde


Resenhado por Karl Schurster (Universidade de Vigo/UPE) | ID: https://orcid.org/0000-0002-1363-119X e Óscar Ferreiro-Vázquez (Universidade de Vigo) | ID: https://orcid.org/0000-0002-8442-8930. The far right today é o primeiro livro de Cas Mudde voltado para o público “não acadêmico” interessado no impulso das “novas direitas”, na América e na Europa, nomeada por ele como a “quarta onda”. O caráter de manual está na arquitetura da informação, na brevidade do texto, na ausência de digressões teóricas e…

Olhando para o outro lado – Resenha de “Fighting the Last War: Confusion, Partisanship, and Alarmism in the Literature on the Radical Right”, de Jeffrey M. Bale e Tamir Bar-On


Resenhado por  Itamar Freitas (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. Tudo parece tranquilo entre os investigadores das novas direitas do eixo Europa-América nos últimos cinco anos. Eles divergem conceitualmente (fascismo, neofascismo, posfascismo, ultradireita, nova direita etc.), ocupam-se de objetos distintos (ideologias, partidos, eleições, movimentos, redes, subculturas, líderes, programas, eleições e ações de governo), mas convergem na ideia de que a maior parte dos seus fenômenos-objeto representa ameaças à democracia liberal. Não sem razão, parte…

Combater o fascismo – Resenha de “Como travar o Fascismo – História, Ideologia, Resistência”, de Paul Mason


Resenhado por Karl Schurster (Universidade de Vigo/UPE) | ID: https://orcid.org/0000-0002-1363-119X e Óscar Ferreiro-Vázquez (Universidade de Vigo) | ID: https://orcid.org/0000-0002-8442-8930. O músico e politólogo Paul Mason, além de professor convidado na Universidade de Sheffield, na Inglaterra, atuou como jornalista em diversos meios de comunicação, do The Guardian ao Channel 4. Com diversos livros publicados, quase todos best-sellers no mercado editorial europeu e estadunidense, ficou amplamente conhecido pelos livros Pós-Capitalismo: Guia para o Futuro (2016)…

Aprendendo com os politólogos – Resenha de “Analizar el auge de la ultraderecha”, de Beatriz Ugarte Acha


Resenhado por Dilton Cândido Santos Maynard (UFS/UFRJ) | ID: https://orcid.org/0000-0002-9780-0260. Analizar el auge de la ultradereha é o mais recente livro de Beatriz Ugarte Acha. Natural de Vizcaya (1970), Acha é professora de Sociologia e Trabalho Social na Universidad del País Vasco.[i] Doutorou-se em Ciência Política com a tese Éxito y fracaso de los nuevos partidos de extrema derecha en Europa Occidental: el caso de los Republikaner en el Land…

O fascismo fala às massas – Resenha de “A linguagem fascista”, de Carlos Piovezani e Emilio Gentile


Resenhado por Katty Cristina Lima Sá (G/Tempo/UFS) | ID: Orcid:https://orcid.org/0000-0001-9855-317X. A ascensão da extrema direita nos últimos anos aconteceu em sequência ao fim de governos que adotaram posturas progressistas no que condiz à concessão de direitos. Assim, após o governo de Barack Obama (2009-2017), o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, tivemos a eleição do republicano Donald Trump; no Brasil, por sua vez, os doze anos de governos petistas foram…

Sobre as direitas no “Terceiro Mundo” – Resenha de “The Right and Radical Right in the Americas – Ideological Currents from Interwar Canada to Contemporary Chile”, de Tamir Bar-On e Bàrbara Molas


Resenhado por  Itamar Freitas (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. Em The right eand radical right in the Americas: currents from interwar Canada to contemporary Chile [A Direita e a Direita radical nas Américas: correntes ideológicas no entreguerras do Canadá ao Chile contemporâneo], Tamir Bar-On e Bàrbara Molas querem cobrir a lacuna deixada pelo recente The Oxford Handbook of the Radical Righ, editado por Jens Rydgren, que não inclui países da América Latina –…

O Inventário de um conservador? – Resenha de “A World after Liberalism – Philosophers of the Radical Right”, de Matthew Rose


Resenhado por Karl Schurster (Universidade de Vigo/UPE) | ID: https://orcid.org/0000-0002-1363-119X e Óscar Ferreiro-Vázquez (Universidade de Vigo) | ID: https://orcid.org/0000-0002-8442-8930. Matthew Rose é especialista em História das ideias teológicas e políticas e doutor pela Universidade de Chicago. Seu novo trabalho – A World after Liberalism – Philosophers of the Radical Right (2021) – foi pensado no contexto da campanha de Donald Trump e da crise dos refugiados de 2016, quando ele notou que jornalistas…

Ler as novas direitas – Resenha de ¿La rebeldía se volvió de la derecha? Cómo el antiprogresismo y la anticorrección política están construyendo um nuevo sentido común (y por qué la izquiera deveria tomarlos en serio)”, de Pablo Stefanoni


Resenhado por Fábio Alves (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0001-8969-3031. La reledía se volvió de la derecha, de Pablo Stefanoni traz um subtítulo enciclopédico, entregando a matéria ao leitor sem que se tenha a necessidade de abrir o livro: o combate ao progressismo político e ao politicamente correto é rebelde e atrai multidões de jovens. É necessário, então, ler esses arautos das novas direitas (“extrema direita”, da “direita alternativa” ou “populismo de…

Um elemento ausente – Resenha de “O ódio como política: A reinvenção das direitas no Brasil, organizado por Esther Solano Gallego


Resenhado por Lucas Miranda Pinheiro (UFS) | https://orcid.org/0000-0002-4821-0168. No dia 8 de outubro de 2018, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial brasileira, a editora Boitempo liberou gratuitamente o e-book O ódio como política: A reinvenção das direitas no Brasil, organizado pela socióloga Esther Solano Gallego, com o objetivo e “ajudar a compreender” como havíamos chegado à situação na qual o retrógrado Jair Bolsonaro estava à frente…

Por uma direita legítima – Resenha de “Da direita Moderna à Direita Tradicional”, de Cesar Ranqueta Júnior


Resenhado por Jandson Bernardo Soares (UFRN) | ID: http: orcid.org/0000-0001-8195-5113. De autoria de Cesar Ranqueta Jr, o livro Da direita Moderna a Direita tradicional, publicado em 2019, tem duas ambições. A primeira delas é reconstituir historicamente o conceito de Direita, sistematizando argumentos e compilando autores que são ícones para sua fundamentação no mundo ocidental. A segunda é, a partir de uma análise dessa corrente de pensamento no Brasil, apresentar suas fragilidades, incongruências,…

Bolsonarismo à direita? – Resenha de “O que há de novo na “nova direita”? identarismo europeu, trumpismo e bolsonarismo, de Marcos Paulo dos Reis Quadros


Resenhado por Lucas Miranda Pinheiro (UFS) | https://orcid.org/0000-0002-4821-0168. O que há de novo na nova direita, de Marcos Paulo dos Reis Quadros, resulta de uma investigação conduzida em seu estágio pós-doutoral, realizado na Pontifícia Universidade do Rio Grande do Sul (PUCRS), onde também cursou doutorado em Ciências sociais. O autor é professor e pró-reitor acadêmico do Centro Universitário Estácio Belo Horizonte (ESTÁCIO BH) e ministra cursos sobre “Direitas” e “Teoria…

As recentes direitas de um historiador – Resenha de “Las nuevas caras de la derecha”, de Enzo Traverso


Resenhado por Itamar Freitas (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. O que me levou a ler o livro de Enzo Traverso não foi apenas o título referente a esse dossiê de resenhas sobre “novas direitas”. O fato de ele ser um dos poucos historiadores de ofício a estudarem o fenômeno e de fazê-lo com ferramentas típicas de historiador – a categoria “regimes de historicidade” – foi o que pesou na escolha. Las nuevas…

A novidade do passado – Resenha de “Menos Marx, Mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil”, de Camila Rocha


Resenhado por João Maurício Gomes Neto (Unir) | ID: http: orcid/ 0000-0003-0194-6802. Menos Marx, mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil, de Camila Rocha, resulta da pesquisa de doutorado em Ciência Política, desenvolvida na Universidade de São Paulo/USP e defendida em 2018. A pesquisa ganhou os prêmios de Tese Destaque USP no âmbito das Ciências Humanas e melhor tese pela Associação Brasileira de Ciência Política. Em 2021,…

Militares e ideologias – Resenha de “Os militares e a crise brasileira”, organizado por João Roberto Martins


Resenhado por Itamar Freitas (UFS) | ID: https://orcid.org/0000-0002-0605-7214. Em 2020, João Roberto Martins Filho publicou a segunda edição de O palácio e a caserna: a dinâmica militar das crises políticas na Ditadura (1964-1969), adaptação da sua tese de Doutorado em Ciência Política, orientada por Décio Saes e defendida em 1989. Nesse livro, manteve a proposição de que as forças armadas brasileiras configuram um partido político fortalecido na emergência uma “ideologia militar…

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Crítica Histórica em debate é uma promoção da revista Crítica Historiográfica, do Canal Luiz Carlos Bento e do Prof. Eduardo Vasconcelos (UEG). Acesse o canal.

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    • Fábio Alves (UFS)
    • Itamar Freitas (UFS)
    • Magno Francisco de Jesus Santos (UFRN)
    • Margarida Maria Dias de Oliveira (UFRN)

© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

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