O pinho no dezenove – Resenha de José Jarbas Ruas (UFNT) sobre o livro “O violão na Corte Imperial”, de Marcia Taborda

Marcia Taborda | Imagem: Gazeta do Povo

Resumo: O violão na Corte Imperial, de Marcia Taborda, destaca a história do violão no Rio de Janeiro do século XIX, analisando sua inserção social e econômica. A obra, bem estruturada e rica em fontes, é fundamental para estudiosos da história musical.

Palavras-chave: história do violão; música brasileira; Rio de Janeiro no Império.


O violão na Corte Imperial, publicado em 2021, pela série Cadernos da Biblioteca Nacional, é um livro que expõe os resultados alcançados durante o período em que a professora e musicóloga Marcia Taborda atuou como pesquisadora residente nessa instituição. A obra se propõe a realizar uma história do violão no Rio de Janeiro ao longo do século XIX, período em que o país se formava enquanto nação. Neste cenário, observa-se um quadro de fontes que foram consultadas e que pretendem demonstrar ao leitor o trânsito social do violão em diferentes estratos e espaços da Corte, em especial, aqueles vinculados à elite social fluminense.

Esta obra dá continuidade a uma trajetória de pouco mais de duas décadas de estudos iniciada no doutoramento de Marcia em História Social pelo Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Deste processo formativo, a autora produziu um pioneiro trabalho de sistematização de fontes documentais (literárias, organológicas, iconográficas, musicográficas e fonográficas) sobre o instrumento para o universo ibero-americano, conforme se vê em Violão e identidade nacional: Rio de Janeiro 1830 – 1930 (2011). Em O violão na Corte Imperial, Marcia aprofunda, portanto, questões sobre a inserção social do instrumento no cotidiano da família real, a partir da chegada da princesa D. Leopoldina, em 1817, e o meio econômico do trabalho.

A obra está estruturada em duas grandes partes. A primeira nos reporta à História Social da Cultura, uma vez que considera a chegada do instrumento no território brasileiro. Ela se passa durante o processo de “metropolização” do Brasil-fluminense, quando o violão era uma novidade que ganhara as cortes europeias no último quarto do século XVIII. A circulação do instrumento nos salões do centro europeu fomentava o status de modernidade preterido entre os membros da elite fluminense como forma de reproduzir mimeticamente o ambiente europeu trazido para este lado do Atlântico com a chegada da família real portuguesa. A segunda parte remete à História Social do Trabalho ao expor um fragmento da composição econômica local quando aborda o modelo de negócio exercido pelos artífices dedicados à tradição do ofício de violeiro na vivência familiar de suas casas-oficinas.

O capítulo primeiro sinaliza a presença do instrumento como parte da formação educativa e cultural nas cortes europeias. Aqui Marcia nos fornece um rico estudo de caso sobre a conexão dos Habsburgos (família de D. Leopoldina) com as manifestações artísticas de seu tempo com ênfase no processo de desenvolvimento musical articulado pelos mestres-professores que conduziram a formação artística da família. Nota-se a presença do virtuoso violonista e compositor italiano Mauro Giuliani (1781 – 1829) e sua relação de amizade com Maria Luisa, irmã de Leopoldina. A autora considera a hipótese de que Leopoldina desenvolveu sua prática musical no instrumento por influência de sua irmã, conforme analisado nas cartas trocadas entre parentes. Embora a coleção Thereza Cristina Maria, doada à Biblioteca Nacional por D. Pedro II, tenha incorporado o acervo musical de D. Leopoldina, não há registros de obras para o violão neste fundo documental conforme indicado pela autora. Contudo, outro documento depositado no Museu Imperial de Petrópolis, “Note des Morceaux de Musique” (1817), revela uma lista de obras demandadas por Leopoldina apresentando uma relação de peças dedicadas ao instrumento. O capítulo ainda aborda o ensino do violão ao público feminino pelos professores de música que se anunciavam nos periódicos locais.

No capítulo segundo, observa-se a circulação do instrumento nas residências e espaços de sociabilidade do Rio de Janeiro. Aqui a autora aborda essencialmente os relatos de cotidiano produzidos por alguns estrangeiros que fixaram moradia na cidade e ali estabeleceram uma forte rede de contatos na promoção de encontros, jantares e bailes. Nesse sentido, a partir dos relatos selecionados, nota-se que o repertório consumido era constituído por canções, música de câmara, arranjos de árias de ópera e variações para instrumento solista. Outra cena reportada neste capítulo são as referências ao instrumento nas temporadas de estada na serra, prática comum adotada pelas classes abastadas para fugir das altas temperaturas do verão. Neste capítulo e no subsequente, a autora menciona a atividade dos professores e concertistas que atuaram na cidade promovendo uma cena musical ativa e proporcionando um período de vitalidade para o violão durante a primeira metade do século XIX. Contudo, uma nova realidade é imposta durante a segunda metade do século, dada a ausência de personalidades que dessem relevo ao processo de criação, interpretação e ensino do instrumento.

No capítulo terceiro, Marcia nos fornece dois mapeamentos a partir de anúncios publicados em periódicos do Rio de Janeiro. Aqui se observa o destaque dado à atividade musical do professor Bartolomeo Bortolazzi (1772-1845/46). A autora fornece uma síntese dos métodos de ensino e publicações especializadas dedicadas ao violão que foram anunciados entre a década de 1820 e 1850. A análise que sobressalta ao período é o número extremamente reduzido de obras escritas para o violão em comparação a outros instrumentos e formações musicais. Nessa perspectiva, Marcia levanta a hipótese de que a difusão do conhecimento violonístico pudesse estar conectada mais com a tradição oral e baseada no acompanhamento de canções por meio de acordes.

No capítulo quarto, observa-se uma rede de conexões sociais que atesta a disseminação do violão e sua apropriação pelas práticas musicais da cidade. A partir do professor e violonista espanhol Vicente Ayala, é possível observar um quadro de músicos locais e estrangeiros que atuaram no meio musical fluminense em concertos beneficentes, por exemplo. Outro personagem que recebe destaque é Marziano Bruni e sua atividade docente em propor as possibilidades de realização musical no violão ao tocar obras de maior exigência técnica como fantasias e concertos. A atividade musical de Pedro Nolasco Baptista, Luiz Vento e do violonista amador Clementino Lisboa compõe a trama relacional que materializa a circulação do instrumento nos espaços musicais da cidade.

No centro da obra há um conjunto de 23 iconografias contextualizadas com breves reminiscências do texto que outrora foram abordados pela autora.

A segunda parte da obra tem como ponto de partida a importância da construção de instrumentos musicais e a tradição lusitana na arte da violaria (Capítulo 5). Conforme apontado por Marcia, os estudos sobre a atividade dos violeiros têm sido ignorados, mesmo diante da documentação existente, como é o caso do Rio de Janeiro. Ao longo de todo o século XIX, o centro do Rio de Janeiro registrou a atividade econômica das oficinas de violeiros portugueses imigrantes que trouxeram consigo os conhecimentos, práticas e estrutura organizacional de trabalho.

Os capítulos 6, 7 e 8 têm foco na atividade do artífice português João dos Santos Couceiro que migrou de Coimbra para o Rio de Janeiro em 1871. Marcia retrata traços da atividade de Couceiro ainda em Portugal enquanto participante em Exposições de instrumentos musicais e organizador de eventos beneficentes em sociedades musicais.

Emigrantes portugueses a caminho do Brasil Foto Benjamin Stone, ca. 1893 (Taborda, 2021, p.73)

No Rio de Janeiro, Couceiro funda a loja A Rabeca de Ouro, espaço que se tornou um importante estabelecimento comercial na Rua da Carioca e recebeu vários nomes que se consagraram na cena musical fluminense. A atividade de Couceiro excedeu os limites do ofício, estendendo-se à produção e participação em atividades beneficentes locais; o artífice-empresário é tido como um dos principais nomes que contribuíram para a difusão e a prática do bandolim na cidade.

No último capítulo temos um valioso mapeamento constituído por quarenta e quatro violeiros que se estabeleceram na cidade e que foram identificados a partir dos anúncios publicados no Almanak Laemmert. Se até então sabíamos apenas o nome e o endereço desses agentes econômicos, Marcia alçou-se ao desafio de nos proporcionar, dentro do possível, um aprofundamento sobre a vida de alguns violeiros, mesmo diante da escassez de registros sobre o cotidiano das camadas populares.

Esta obra ressalta a importância do acervo de periódicos depositados na Biblioteca Nacional e como ele serve à pesquisa para analisarmos um conjunto de atividades específicas como o mercado de instrumentos, a editoração e venda de música impressa, o trânsito de concertistas, a atividade dos professores de música, canto e instrumentos, o ofício dos artesãos. Assim, cumpre plenamente os objetivos declarados pela autora, no sentido de contar a história do instrumento no Rio de Janeiro, no século XIX, devendo ser lido, principalmente, por pesquisadores interessados pela história cultural da música fluminense em suas multidimensões.

Sumário de O violão na Corte Imperial

  • Apresentação da 2ª edição | Luiz Carlos Ramiro Junior
  • Apresentação | Marcus Venicio Toledo Ribeiro
  • Prefácio | Isabel Lustosa.
  • Introdução
  • I. A elite de executantes
  • 1. Uma novidade europeia
  • 2. O violão nos salões da corte
  • 3. O repertório e os métodos divulgados
  • 4. Novos sons na agenda musical do século XIX
  • II. Os artífices da construção
  • 5. Uma tradição portuguesa
  • 6. João dos Santos Couceiro: de artesão a empresário
  • 7. Um expositor premiado
  • 8. Os instrumentos da loja A Rabeca de Ouro
  • 9. O quase anonimato de um ofício
  • Referências

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Resenhista

José Jarbas Ruas é doutor em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor do colegiado de Licenciatura em Educação do Campo: Artes da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). Foi um dos organizadores do volume dedicado à região Norte, na série História da Música do Brasil, publicado pela Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (2023); ID LATTTES: http://lattes.cnpq.br/7940410678686273; ID ORCID: orcid.org/0000-0002-7435-8684; Redes sociais: Instagram: @josejarbasruas; E-mail: [email protected].

 


Para citar esta resenha

TABORDA, Marcia. O violão na corte imperial. 2ed. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2021. 180p. Resenha de: RUAS, José Jarbas. O pinho no dezenove. Crítica Historiográfica. Natal, v.4, n.17, maio./jun., 2024. Disponível em <https://www.criticahistoriografica.com.br/o-pinho-no-dezenove-resenha-de-jose-jarbas-ruas-ufnt-sobre-o-livro-o-violao-na-corte-imperial-de-marcia-taborda/>.


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.4, n. 17, maio/jun., 2023 | ISSN 2764-2666

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O pinho no dezenove – Resenha de José Jarbas Ruas (UFNT) sobre o livro “O violão na Corte Imperial”, de Marcia Taborda

Marcia Taborda | Imagem: Gazeta do Povo

Resumo: O violão na Corte Imperial, de Marcia Taborda, destaca a história do violão no Rio de Janeiro do século XIX, analisando sua inserção social e econômica. A obra, bem estruturada e rica em fontes, é fundamental para estudiosos da história musical.

Palavras-chave: história do violão; música brasileira; Rio de Janeiro no Império.


O violão na Corte Imperial, publicado em 2021, pela série Cadernos da Biblioteca Nacional, é um livro que expõe os resultados alcançados durante o período em que a professora e musicóloga Marcia Taborda atuou como pesquisadora residente nessa instituição. A obra se propõe a realizar uma história do violão no Rio de Janeiro ao longo do século XIX, período em que o país se formava enquanto nação. Neste cenário, observa-se um quadro de fontes que foram consultadas e que pretendem demonstrar ao leitor o trânsito social do violão em diferentes estratos e espaços da Corte, em especial, aqueles vinculados à elite social fluminense.

Esta obra dá continuidade a uma trajetória de pouco mais de duas décadas de estudos iniciada no doutoramento de Marcia em História Social pelo Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Deste processo formativo, a autora produziu um pioneiro trabalho de sistematização de fontes documentais (literárias, organológicas, iconográficas, musicográficas e fonográficas) sobre o instrumento para o universo ibero-americano, conforme se vê em Violão e identidade nacional: Rio de Janeiro 1830 – 1930 (2011). Em O violão na Corte Imperial, Marcia aprofunda, portanto, questões sobre a inserção social do instrumento no cotidiano da família real, a partir da chegada da princesa D. Leopoldina, em 1817, e o meio econômico do trabalho.

A obra está estruturada em duas grandes partes. A primeira nos reporta à História Social da Cultura, uma vez que considera a chegada do instrumento no território brasileiro. Ela se passa durante o processo de “metropolização” do Brasil-fluminense, quando o violão era uma novidade que ganhara as cortes europeias no último quarto do século XVIII. A circulação do instrumento nos salões do centro europeu fomentava o status de modernidade preterido entre os membros da elite fluminense como forma de reproduzir mimeticamente o ambiente europeu trazido para este lado do Atlântico com a chegada da família real portuguesa. A segunda parte remete à História Social do Trabalho ao expor um fragmento da composição econômica local quando aborda o modelo de negócio exercido pelos artífices dedicados à tradição do ofício de violeiro na vivência familiar de suas casas-oficinas.

O capítulo primeiro sinaliza a presença do instrumento como parte da formação educativa e cultural nas cortes europeias. Aqui Marcia nos fornece um rico estudo de caso sobre a conexão dos Habsburgos (família de D. Leopoldina) com as manifestações artísticas de seu tempo com ênfase no processo de desenvolvimento musical articulado pelos mestres-professores que conduziram a formação artística da família. Nota-se a presença do virtuoso violonista e compositor italiano Mauro Giuliani (1781 – 1829) e sua relação de amizade com Maria Luisa, irmã de Leopoldina. A autora considera a hipótese de que Leopoldina desenvolveu sua prática musical no instrumento por influência de sua irmã, conforme analisado nas cartas trocadas entre parentes. Embora a coleção Thereza Cristina Maria, doada à Biblioteca Nacional por D. Pedro II, tenha incorporado o acervo musical de D. Leopoldina, não há registros de obras para o violão neste fundo documental conforme indicado pela autora. Contudo, outro documento depositado no Museu Imperial de Petrópolis, “Note des Morceaux de Musique” (1817), revela uma lista de obras demandadas por Leopoldina apresentando uma relação de peças dedicadas ao instrumento. O capítulo ainda aborda o ensino do violão ao público feminino pelos professores de música que se anunciavam nos periódicos locais.

No capítulo segundo, observa-se a circulação do instrumento nas residências e espaços de sociabilidade do Rio de Janeiro. Aqui a autora aborda essencialmente os relatos de cotidiano produzidos por alguns estrangeiros que fixaram moradia na cidade e ali estabeleceram uma forte rede de contatos na promoção de encontros, jantares e bailes. Nesse sentido, a partir dos relatos selecionados, nota-se que o repertório consumido era constituído por canções, música de câmara, arranjos de árias de ópera e variações para instrumento solista. Outra cena reportada neste capítulo são as referências ao instrumento nas temporadas de estada na serra, prática comum adotada pelas classes abastadas para fugir das altas temperaturas do verão. Neste capítulo e no subsequente, a autora menciona a atividade dos professores e concertistas que atuaram na cidade promovendo uma cena musical ativa e proporcionando um período de vitalidade para o violão durante a primeira metade do século XIX. Contudo, uma nova realidade é imposta durante a segunda metade do século, dada a ausência de personalidades que dessem relevo ao processo de criação, interpretação e ensino do instrumento.

No capítulo terceiro, Marcia nos fornece dois mapeamentos a partir de anúncios publicados em periódicos do Rio de Janeiro. Aqui se observa o destaque dado à atividade musical do professor Bartolomeo Bortolazzi (1772-1845/46). A autora fornece uma síntese dos métodos de ensino e publicações especializadas dedicadas ao violão que foram anunciados entre a década de 1820 e 1850. A análise que sobressalta ao período é o número extremamente reduzido de obras escritas para o violão em comparação a outros instrumentos e formações musicais. Nessa perspectiva, Marcia levanta a hipótese de que a difusão do conhecimento violonístico pudesse estar conectada mais com a tradição oral e baseada no acompanhamento de canções por meio de acordes.

No capítulo quarto, observa-se uma rede de conexões sociais que atesta a disseminação do violão e sua apropriação pelas práticas musicais da cidade. A partir do professor e violonista espanhol Vicente Ayala, é possível observar um quadro de músicos locais e estrangeiros que atuaram no meio musical fluminense em concertos beneficentes, por exemplo. Outro personagem que recebe destaque é Marziano Bruni e sua atividade docente em propor as possibilidades de realização musical no violão ao tocar obras de maior exigência técnica como fantasias e concertos. A atividade musical de Pedro Nolasco Baptista, Luiz Vento e do violonista amador Clementino Lisboa compõe a trama relacional que materializa a circulação do instrumento nos espaços musicais da cidade.

No centro da obra há um conjunto de 23 iconografias contextualizadas com breves reminiscências do texto que outrora foram abordados pela autora.

A segunda parte da obra tem como ponto de partida a importância da construção de instrumentos musicais e a tradição lusitana na arte da violaria (Capítulo 5). Conforme apontado por Marcia, os estudos sobre a atividade dos violeiros têm sido ignorados, mesmo diante da documentação existente, como é o caso do Rio de Janeiro. Ao longo de todo o século XIX, o centro do Rio de Janeiro registrou a atividade econômica das oficinas de violeiros portugueses imigrantes que trouxeram consigo os conhecimentos, práticas e estrutura organizacional de trabalho.

Os capítulos 6, 7 e 8 têm foco na atividade do artífice português João dos Santos Couceiro que migrou de Coimbra para o Rio de Janeiro em 1871. Marcia retrata traços da atividade de Couceiro ainda em Portugal enquanto participante em Exposições de instrumentos musicais e organizador de eventos beneficentes em sociedades musicais.

Emigrantes portugueses a caminho do Brasil Foto Benjamin Stone, ca. 1893 (Taborda, 2021, p.73)

No Rio de Janeiro, Couceiro funda a loja A Rabeca de Ouro, espaço que se tornou um importante estabelecimento comercial na Rua da Carioca e recebeu vários nomes que se consagraram na cena musical fluminense. A atividade de Couceiro excedeu os limites do ofício, estendendo-se à produção e participação em atividades beneficentes locais; o artífice-empresário é tido como um dos principais nomes que contribuíram para a difusão e a prática do bandolim na cidade.

No último capítulo temos um valioso mapeamento constituído por quarenta e quatro violeiros que se estabeleceram na cidade e que foram identificados a partir dos anúncios publicados no Almanak Laemmert. Se até então sabíamos apenas o nome e o endereço desses agentes econômicos, Marcia alçou-se ao desafio de nos proporcionar, dentro do possível, um aprofundamento sobre a vida de alguns violeiros, mesmo diante da escassez de registros sobre o cotidiano das camadas populares.

Esta obra ressalta a importância do acervo de periódicos depositados na Biblioteca Nacional e como ele serve à pesquisa para analisarmos um conjunto de atividades específicas como o mercado de instrumentos, a editoração e venda de música impressa, o trânsito de concertistas, a atividade dos professores de música, canto e instrumentos, o ofício dos artesãos. Assim, cumpre plenamente os objetivos declarados pela autora, no sentido de contar a história do instrumento no Rio de Janeiro, no século XIX, devendo ser lido, principalmente, por pesquisadores interessados pela história cultural da música fluminense em suas multidimensões.

Sumário de O violão na Corte Imperial

  • Apresentação da 2ª edição | Luiz Carlos Ramiro Junior
  • Apresentação | Marcus Venicio Toledo Ribeiro
  • Prefácio | Isabel Lustosa.
  • Introdução
  • I. A elite de executantes
  • 1. Uma novidade europeia
  • 2. O violão nos salões da corte
  • 3. O repertório e os métodos divulgados
  • 4. Novos sons na agenda musical do século XIX
  • II. Os artífices da construção
  • 5. Uma tradição portuguesa
  • 6. João dos Santos Couceiro: de artesão a empresário
  • 7. Um expositor premiado
  • 8. Os instrumentos da loja A Rabeca de Ouro
  • 9. O quase anonimato de um ofício
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José Jarbas Ruas é doutor em Música pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor do colegiado de Licenciatura em Educação do Campo: Artes da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT). Foi um dos organizadores do volume dedicado à região Norte, na série História da Música do Brasil, publicado pela Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Música (2023); ID LATTTES: http://lattes.cnpq.br/7940410678686273; ID ORCID: orcid.org/0000-0002-7435-8684; Redes sociais: Instagram: @josejarbasruas; E-mail: [email protected].

 


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TABORDA, Marcia. O violão na corte imperial. 2ed. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, 2021. 180p. Resenha de: RUAS, José Jarbas. O pinho no dezenove. Crítica Historiográfica. Natal, v.4, n.17, maio./jun., 2024. Disponível em <https://www.criticahistoriografica.com.br/o-pinho-no-dezenove-resenha-de-jose-jarbas-ruas-ufnt-sobre-o-livro-o-violao-na-corte-imperial-de-marcia-taborda/>.


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.4, n. 17, maio/jun., 2023 | ISSN 2764-2666

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