Dar o Sangue pela Música – Resenha de Isaac Santana Andrade (UNIRIO) “Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju”, de João Luís Meneses

João Luís Meneses | Imagem: Acervo da Editora Criação

Resumo: O livro Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju, de João Luís Meneses, publicado em 2022, analisa o trabalho musical em Aracaju, focando em bares e festas. Meneses critica a falta de representação dos músicos por órgãos públicos e sugere melhorias nas condições de trabalho.

Palavras-chave: Etnomusicologia; músicos; condições de trabalho.


O livro Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju, escrito por João Luís Meneses e publicado em 2022 pela Criação Editora, aborda o mundo profissional da música na cidade de Aracaju e seus problemas. Trata-se de um relato de pesquisa etnográfica extraído de sua dissertação de mestrado, no qual o autor justifica a familiaridade com o objeto e dialoga com um grupo de amigos músicos e outras pesquisas na área da etnomusicologia. O objetivo do autor foi analisar aspectos que permeiam o trabalho com música na capital sergipana em duas frentes: bares e festas particulares. O professor e orientador José Alberto Salgado Filho, titular da Escola de Música da UFRJ, escreveu o prefácio, enfatizando a originalidade da obra pela experiência direta do autor com os trabalhos e os problemas dessa profissão, numa rede que conecta músicos, coprodutores, contratantes e plateias. Além de trazer seu juízo de valor às sensíveis causas trabalhistas, ele destaca a necessidade de tratar com seriedade, respeito e valorização o trabalho dos músicos e seus conjuntos. A coleta das entrevistas, tanto físicas quanto virtuais, transcritas no livro, proporciona ao professor uma certa riqueza de vocabulários numa sintaxe local, auxiliando a compreensão das “paisagens sonoras” carregadas de valor e significado. O estudo intensivo e o diálogo com essa realidade particular nos levam a compreender amplamente a relação entre o músico e o trabalho, para além do caso específico. O autor buscou responder às seguintes perguntas centrais: Como se dá a organização de trabalho nessas frentes? Como os músicos contribuem na construção das convenções desse mundo produtivo?

João Luís Meneses, músico e acadêmico, é graduado em Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), mestre em Musicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorando em Musicologia pela Universidade de São Paulo (USP), e em Etnomusicologia pela Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO). Seu livro é fruto de sua pesquisa de mestrado realizada na UFRJ, que contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES). O livro está dividido em introdução, quatro capítulos e considerações finais.

Na introdução, o autor situa o leitor geograficamente, apresentando as características físicas e etnográficas do local numa contextualização epistemológica. Critica as intervenções negativas e omissas daqueles órgãos públicos e fiscalizadores que deveriam representar o músico e demais artistas, mas que, segundo ele, não o fazem. O capítulo apresenta conceitos como “Mundos da arte” e categorias de análise sobre modos de relação com a música e a psicodinâmica do trabalho, facilitando o entendimento da amplitude e dos contextos subjetivos da arte musical e do trabalho. O segundo capítulo foca nos agentes envolvidos nas entrevistas do livro e seus respectivos grupos musicais, delimitando o objeto desta escrita. No terceiro capítulo, “O fardo do clientelismo”, o autor descreve a conjuntura sociopolítica sobre a qual o trabalho com música em bares e festas particulares se desenvolve, mostrando as convenções da organização do trabalho do músico em Aracaju. Destaco aqui o item “Se não tiver no esquema, não entra” (p. 98), como exemplo dessas estruturas do trabalho musical em eventos públicos. O quarto capítulo mostra como a interação entre músicos e não músicos afeta as condições de trabalho; a disputa por espaços e ascensão artísticas; questões sobre remuneração (cachês); repertórios; estilos de vida desses agentes, condições físicas e psíquicas às quais são submetidos. No quinto capítulo, o autor aborda subjetividades da profissão relacionadas ao “prazer de fazer música e o sofrimento de tocar”.

Por ser familiar ao tema, o autor traz diversos relatos de experiências suas, comumente vividas por outros músicos da cidade de Aracaju, que atuam em bares, restaurantes e festas particulares. Ele dialoga com um grupo de catorze músicos que fazem parte de seu ciclo de amizade e trabalho. Sobre as perguntas centrais feitas na introdução do livro, eu diria que foram respondidas, sim, e acrescentaria que não apenas os músicos contribuem para as convenções de trabalho na área, mas, como mostrado nos capítulos três e quatro, outros fatores alheios à performance musical e aos performers são responsáveis pelo funcionamento (ou mau funcionamento) dessa cadeia produtiva. Exemplo disso é a interferência do Estado, do empresariado e do juízo de valor empregado pelo público consumidor, que delimitam o prestígio social do artista e, consequentemente, o valor do cachê.

Vale ressaltar que, apesar de próximo à realidade dos músicos citados, a escrita é baseada no ponto de observação privilegiada do autor, como ele próprio exemplifica: “somos, em maioria, homens, brancos, heterossexuais e escolarizados” (p. 198).

Banda sergipana “Samba do Ernesto” (2022) | Foto: Juliana Santin/Infonet

Essa realidade não reflete a prática musical dos trabalhadores informais na cidade de Aracaju e nem no interior de Sergipe. Digo isso por também ser músico, sergipano do interior, e já ter vivido na informalidade da música, exercendo a função em shows e festas públicas e particulares por todo o estado com bandas de forró, arrocha, axé e pagode, entre os anos de 2008 e 2013. Apesar de as práticas musicais distintas possuírem familiaridades em muitos pontos, a realidade é ainda mais cruel no interior e zonas periféricas do estado. Para citar alguns casos: risco de acidentes com ônibus de banda; carroceria de caminhão usada como palco; brigas generalizadas com óbitos; ameaça aos músicos para não parar o show; assédio moral, sexual; assalto na volta para casa; e aguardar o dia amanhecer em rodoviárias.

Mas o autor esclarece ao leitor que não busca neste livro fazer justiça à toda complexidade que envolve a profissão do músico em Aracaju, deixando abertas amplas frentes de pesquisa sobre o tema: “Para concluir, apresento perspectivas epistemológicas não ponderadas, mas que representam possibilidades para investigações futuras” (p. 14). “[…] vale ressaltar algumas falhas desta pesquisa, seja por inviabilidade, seja por descuido no recorte do objeto. Enfatizo aqui, por exemplo, a ausência de questões de gênero e raça […]” (p.225)

Sobre a estrutura textual, o livro traz um equilíbrio entre a escrita acadêmica, formal e bem formulada na condução dos conceitos (referencial bibliográfico rico e extenso inclusive) e a linguagem coloquial das falas dos interlocutores. Porém, observei que o autor usa constantemente o termo “tento” quando inicia uma explicação sobre o capítulo ou seção: “Como ‘tento’ mostrar” (p.19) […] “Em todas elas ‘tento’ mostrar” (p.36) […] “Neste capítulo ‘tento’ descrever” (p.91) […] “Neste capítulo, ‘tento’ compreender” (p.191). Isso pode ser interpretado como “insegurança” do autor no que ele próprio escreve. Talvez a substituição pela palavra “busco” soaria melhor e na maioria dos casos poderia de fato afirmar o que deseja (o que acontece no decorrer dos capítulos). Faço reparo também à utilização de termos estrangeiros formatados em itálico, que podem ser de conhecimento do autor, mas não necessariamente do leitor. Por vezes fui buscar o significado da palavra fora do livro. Recomendaria o uso de notas de rodapé explicando o significado das palavras estrangeiras e não populares. A última observação é sobre a equivocada troca das legendas das figuras 29 e 30 (p.181 – 182).

No mais, a leitura é fluida, leve. Apesar de inicialmente apresentar uma estrutura formal acadêmica (fruto de um recorte de sua pesquisa de mestrado), há presença de diálogos em linguagem coloquial dando maior originalidade às falas dos interlocutores. Vale ressaltar também a coragem do autor e dos entrevistados em confrontar todo um sistema mercadológico da música em sua cidade de atuação profissional e assumirem um risco em futuros trabalhos após as exposições (ver p.122). O livro cumpre os objetivos anunciados por seu autor. Por essa razão, recomendo a leitura a todo músico das ruas, intérpretes e trabalhadores da música, que já vivenciaram ou não questões inerentes aos relatos trazidos no livro, para uma análise de consciência e representatividade, com um olhar crítico às políticas públicas voltadas aos artistas informais.

Sumário de Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju

Prefácio

  • Introdução
  • 1. Ser músico: essência ou vaidade
  • 2. O fardo do clientelismo
  • 3. “Cachê sangrento”: as convenções do trabalho
  • 4. Entre o prazer e o sofrimento: a subjetividade em questão
  • Considerações finais
  • Referências
  • Apêndice A

Acessar gratuitamente essa obra


Resenhista

Isaac Santana Andrade é mestre em Musicologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Publicou, entre outros trabalhos, Uma Abordagem Sobre a Prática Profissional dos Músicos de Banda no Estado do Rio de Janeiro no Início do Século XX, a Partir de Análise do Acervo Documental do SindMusi e Análise quantitativa das Fichas de Matrícula do Centro Musical do Rio de Janeiro (1907– 1941). ID LATTES: http://lattes.cnpq.br/3928872046786716; ID ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8612-6709; E-mail: [email protected].


Para citar esta resenha

MENESES, João Luís. Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju. Aracaju: Criação, 2022. 235p. Resenha de: ANDRADE, Isaac Santana. Dar o sangue pela música. Crítica Historiográfica. Natal, v.4, n.17, May/June, 2024. Disponível em <Dar o Sangue pela Música – Resenha de Isaac Santana Andrade (UNIRIO) “Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju”, de João Luís Meneses – Crítica Historiografica (criticahistoriografica.com.br)>.

 


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.4, n. 17, May/June, 2023 | ISSN 2764-2666

Pesquisa/Search

Alertas/Alerts

Dar o Sangue pela Música – Resenha de Isaac Santana Andrade (UNIRIO) “Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju”, de João Luís Meneses

João Luís Meneses | Imagem: Acervo da Editora Criação

Resumo: O livro Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju, de João Luís Meneses, publicado em 2022, analisa o trabalho musical em Aracaju, focando em bares e festas. Meneses critica a falta de representação dos músicos por órgãos públicos e sugere melhorias nas condições de trabalho.

Palavras-chave: Etnomusicologia; músicos; condições de trabalho.


O livro Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju, escrito por João Luís Meneses e publicado em 2022 pela Criação Editora, aborda o mundo profissional da música na cidade de Aracaju e seus problemas. Trata-se de um relato de pesquisa etnográfica extraído de sua dissertação de mestrado, no qual o autor justifica a familiaridade com o objeto e dialoga com um grupo de amigos músicos e outras pesquisas na área da etnomusicologia. O objetivo do autor foi analisar aspectos que permeiam o trabalho com música na capital sergipana em duas frentes: bares e festas particulares. O professor e orientador José Alberto Salgado Filho, titular da Escola de Música da UFRJ, escreveu o prefácio, enfatizando a originalidade da obra pela experiência direta do autor com os trabalhos e os problemas dessa profissão, numa rede que conecta músicos, coprodutores, contratantes e plateias. Além de trazer seu juízo de valor às sensíveis causas trabalhistas, ele destaca a necessidade de tratar com seriedade, respeito e valorização o trabalho dos músicos e seus conjuntos. A coleta das entrevistas, tanto físicas quanto virtuais, transcritas no livro, proporciona ao professor uma certa riqueza de vocabulários numa sintaxe local, auxiliando a compreensão das “paisagens sonoras” carregadas de valor e significado. O estudo intensivo e o diálogo com essa realidade particular nos levam a compreender amplamente a relação entre o músico e o trabalho, para além do caso específico. O autor buscou responder às seguintes perguntas centrais: Como se dá a organização de trabalho nessas frentes? Como os músicos contribuem na construção das convenções desse mundo produtivo?

João Luís Meneses, músico e acadêmico, é graduado em Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), mestre em Musicologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorando em Musicologia pela Universidade de São Paulo (USP), e em Etnomusicologia pela Universidade do Rio de Janeiro (UNIRIO). Seu livro é fruto de sua pesquisa de mestrado realizada na UFRJ, que contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES). O livro está dividido em introdução, quatro capítulos e considerações finais.

Na introdução, o autor situa o leitor geograficamente, apresentando as características físicas e etnográficas do local numa contextualização epistemológica. Critica as intervenções negativas e omissas daqueles órgãos públicos e fiscalizadores que deveriam representar o músico e demais artistas, mas que, segundo ele, não o fazem. O capítulo apresenta conceitos como “Mundos da arte” e categorias de análise sobre modos de relação com a música e a psicodinâmica do trabalho, facilitando o entendimento da amplitude e dos contextos subjetivos da arte musical e do trabalho. O segundo capítulo foca nos agentes envolvidos nas entrevistas do livro e seus respectivos grupos musicais, delimitando o objeto desta escrita. No terceiro capítulo, “O fardo do clientelismo”, o autor descreve a conjuntura sociopolítica sobre a qual o trabalho com música em bares e festas particulares se desenvolve, mostrando as convenções da organização do trabalho do músico em Aracaju. Destaco aqui o item “Se não tiver no esquema, não entra” (p. 98), como exemplo dessas estruturas do trabalho musical em eventos públicos. O quarto capítulo mostra como a interação entre músicos e não músicos afeta as condições de trabalho; a disputa por espaços e ascensão artísticas; questões sobre remuneração (cachês); repertórios; estilos de vida desses agentes, condições físicas e psíquicas às quais são submetidos. No quinto capítulo, o autor aborda subjetividades da profissão relacionadas ao “prazer de fazer música e o sofrimento de tocar”.

Por ser familiar ao tema, o autor traz diversos relatos de experiências suas, comumente vividas por outros músicos da cidade de Aracaju, que atuam em bares, restaurantes e festas particulares. Ele dialoga com um grupo de catorze músicos que fazem parte de seu ciclo de amizade e trabalho. Sobre as perguntas centrais feitas na introdução do livro, eu diria que foram respondidas, sim, e acrescentaria que não apenas os músicos contribuem para as convenções de trabalho na área, mas, como mostrado nos capítulos três e quatro, outros fatores alheios à performance musical e aos performers são responsáveis pelo funcionamento (ou mau funcionamento) dessa cadeia produtiva. Exemplo disso é a interferência do Estado, do empresariado e do juízo de valor empregado pelo público consumidor, que delimitam o prestígio social do artista e, consequentemente, o valor do cachê.

Vale ressaltar que, apesar de próximo à realidade dos músicos citados, a escrita é baseada no ponto de observação privilegiada do autor, como ele próprio exemplifica: “somos, em maioria, homens, brancos, heterossexuais e escolarizados” (p. 198).

Banda sergipana “Samba do Ernesto” (2022) | Foto: Juliana Santin/Infonet

Essa realidade não reflete a prática musical dos trabalhadores informais na cidade de Aracaju e nem no interior de Sergipe. Digo isso por também ser músico, sergipano do interior, e já ter vivido na informalidade da música, exercendo a função em shows e festas públicas e particulares por todo o estado com bandas de forró, arrocha, axé e pagode, entre os anos de 2008 e 2013. Apesar de as práticas musicais distintas possuírem familiaridades em muitos pontos, a realidade é ainda mais cruel no interior e zonas periféricas do estado. Para citar alguns casos: risco de acidentes com ônibus de banda; carroceria de caminhão usada como palco; brigas generalizadas com óbitos; ameaça aos músicos para não parar o show; assédio moral, sexual; assalto na volta para casa; e aguardar o dia amanhecer em rodoviárias.

Mas o autor esclarece ao leitor que não busca neste livro fazer justiça à toda complexidade que envolve a profissão do músico em Aracaju, deixando abertas amplas frentes de pesquisa sobre o tema: “Para concluir, apresento perspectivas epistemológicas não ponderadas, mas que representam possibilidades para investigações futuras” (p. 14). “[…] vale ressaltar algumas falhas desta pesquisa, seja por inviabilidade, seja por descuido no recorte do objeto. Enfatizo aqui, por exemplo, a ausência de questões de gênero e raça […]” (p.225)

Sobre a estrutura textual, o livro traz um equilíbrio entre a escrita acadêmica, formal e bem formulada na condução dos conceitos (referencial bibliográfico rico e extenso inclusive) e a linguagem coloquial das falas dos interlocutores. Porém, observei que o autor usa constantemente o termo “tento” quando inicia uma explicação sobre o capítulo ou seção: “Como ‘tento’ mostrar” (p.19) […] “Em todas elas ‘tento’ mostrar” (p.36) […] “Neste capítulo ‘tento’ descrever” (p.91) […] “Neste capítulo, ‘tento’ compreender” (p.191). Isso pode ser interpretado como “insegurança” do autor no que ele próprio escreve. Talvez a substituição pela palavra “busco” soaria melhor e na maioria dos casos poderia de fato afirmar o que deseja (o que acontece no decorrer dos capítulos). Faço reparo também à utilização de termos estrangeiros formatados em itálico, que podem ser de conhecimento do autor, mas não necessariamente do leitor. Por vezes fui buscar o significado da palavra fora do livro. Recomendaria o uso de notas de rodapé explicando o significado das palavras estrangeiras e não populares. A última observação é sobre a equivocada troca das legendas das figuras 29 e 30 (p.181 – 182).

No mais, a leitura é fluida, leve. Apesar de inicialmente apresentar uma estrutura formal acadêmica (fruto de um recorte de sua pesquisa de mestrado), há presença de diálogos em linguagem coloquial dando maior originalidade às falas dos interlocutores. Vale ressaltar também a coragem do autor e dos entrevistados em confrontar todo um sistema mercadológico da música em sua cidade de atuação profissional e assumirem um risco em futuros trabalhos após as exposições (ver p.122). O livro cumpre os objetivos anunciados por seu autor. Por essa razão, recomendo a leitura a todo músico das ruas, intérpretes e trabalhadores da música, que já vivenciaram ou não questões inerentes aos relatos trazidos no livro, para uma análise de consciência e representatividade, com um olhar crítico às políticas públicas voltadas aos artistas informais.

Sumário de Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju

Prefácio

  • Introdução
  • 1. Ser músico: essência ou vaidade
  • 2. O fardo do clientelismo
  • 3. “Cachê sangrento”: as convenções do trabalho
  • 4. Entre o prazer e o sofrimento: a subjetividade em questão
  • Considerações finais
  • Referências
  • Apêndice A

Acessar gratuitamente essa obra


Resenhista

Isaac Santana Andrade é mestre em Musicologia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Publicou, entre outros trabalhos, Uma Abordagem Sobre a Prática Profissional dos Músicos de Banda no Estado do Rio de Janeiro no Início do Século XX, a Partir de Análise do Acervo Documental do SindMusi e Análise quantitativa das Fichas de Matrícula do Centro Musical do Rio de Janeiro (1907– 1941). ID LATTES: http://lattes.cnpq.br/3928872046786716; ID ORCID: https://orcid.org/0009-0001-8612-6709; E-mail: [email protected].


Para citar esta resenha

MENESES, João Luís. Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju. Aracaju: Criação, 2022. 235p. Resenha de: ANDRADE, Isaac Santana. Dar o sangue pela música. Crítica Historiográfica. Natal, v.4, n.17, May/June, 2024. Disponível em <Dar o Sangue pela Música – Resenha de Isaac Santana Andrade (UNIRIO) “Cachê Sangrento: uma etnografia do trabalho musical em Aracaju”, de João Luís Meneses – Crítica Historiografica (criticahistoriografica.com.br)>.

 


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.4, n. 17, May/June, 2023 | ISSN 2764-2666

Resenhistas

Privacidade

Ao se inscrever nesta lista de e-mails, você estará sujeito à nossa política de privacidade.

Acesso livre

Crítica Historiográfica não cobra taxas para submissão, publicação ou uso dos artigos. Os leitores podem baixar, copiar, distribuir, imprimir os textos para fins não comerciais, desde que citem a fonte.

Foco e escopo

Publicamos resenhas de livros e de dossiês de artigos de revistas acadêmicas que tratem da reflexão, investigação, comunicação e/ou consumo da escrita da História. Saiba mais sobre o único periódico de História inteiramente dedicado à Crítica em formato resenha.

Corpo editorial

Somos professore(a)s do ensino superior brasileiro, especializado(a)s em mais de duas dezenas de áreas relacionadas à reflexão, produção e usos da História. Faça parte dessa equipe.

Submissões

As resenhas devem expressar avaliações de livros ou de dossiês de revistas acadêmicas autodesignadas como "de História". Conheça as normas e envie-nos o seu texto.

Pesquisa


Enviar mensagem de WhatsApp