Experimentações tecnológicas em aprendizagem histórica – Resenha de Micaela Franciele Costa (UFS) sobre o livro “Ensino de História, tecnologias e metodologias ativas: novas experiências e saberes escolares”, organizado por Priscilla Leite, Cláudia Borges e Arnaldo Szlachta Júnior

Priscilla Leite, Cláudia Borges e Arnaldo Szlachta Jr | Imagens: Religare/UFPB/UFPE

Resumo: “Ensino de História, tecnologias e metodologias ativas”, organizado por Priscilla Leite, Cláudia Borges e Arnaldo Szlachta Júnior em 2022, explora o uso de tecnologias no ensino de História. Destina-se a educadores, discutindo a integração de dispositivos eletrônicos na educação histórica. Criticamente, a obra carece de uma contextualização mais profunda e exemplos práticos sobre a implementação de suas abordagens no contexto escolar.

Palavras-chave: Ensino de História, Metodologias Ativas, Saberes Escolares.


O livro “Ensino de História, tecnologias e metodologias ativas: novas experiências e saberes escolares”, editado em 2022 pela editora CCTA, foi organizado por Priscilla Leite, Cláudia Borges e Arnaldo Szlachta Júnior. Tendo em vista a presença crescente de dispositivos eletrônicos na vida cotidiana, o livro tem como finalidade discutir o uso de tecnologias e metodologias ativas no ensino de História.

O trabalho em questão integra a série “Experimentos e reflexões sobre práticas no ensino de História”, organizada pelo ProfHistória (Mestrado Profissional em Ensino de História) da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). Os organizadores são docentes e pesquisadores do corpo docente do ProfHistória, voltando suas pesquisas para o ensino de História e formação de professores.

Destinada a reunir reflexões e diretrizes para educadores sobre o uso de tecnologia e metodologias ativas no ensino de História, considerando a ubiquidade dos dispositivos eletrônicos, a obra se mostra oportuna. Os professores de História devem ponderar tanto sobre como aplicar quanto sobre as razões para integrar as ferramentas tecnológicas disponíveis na sociedade contemporânea ao ensino.

Nesse sentido, o livro foi estruturado em onze capítulos, escritos por vários pesquisadores dedicados a reflexões sobre o uso de tecnologias e metodologias ativas no ensino de História. Eles visaram tanto evidenciar a utilidade dos dispositivos eletrônicos em sala de aula, quanto demarcar como os professores podem auxiliar os estudantes a usar a tecnologia de maneira consciente e reflexiva. A coletânea é composta pelos trabalhos listados a seguir.

O primeiro capítulo, “Entre Papéis Empoeirados e Mídias Digitais ou de Como o Aprendizado Histórico Comporta Múltiplas Dimensões”, sublinha a importância de conservar documentos físicos e acervos tradicionais. Simultaneamente, os autores indicam os desafios éticos e metodológicos ligados ao uso de mídias digitais. O capítulo se destaca por sua abordagem cuidadosa, ao evidenciar a necessária aplicabilidade das inovações tecnológicas e pedagógicas, realçando a valorização do conhecimento adquirido ao longo das gerações.

Em “Educação 4.0 e Educação Histórica: Mídias Digitais, Ensino de História e Metodologias Ativas para o Século XXI”, a importância das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) para o ensino de História é ressaltada. Os autores destacam a necessidade de empregar essas tecnologias de maneira significativa, promovendo a descentralização da produção do conhecimento e incentivando uma pedagogia mediada pelas novas tecnologias. Enfatizam também o protagonismo dos estudantes, salientando com precisão a importância de uma abordagem histórico-crítica e a consideração da diversidade e pluralidade discursiva na educação.

A necessidade de repensar as práticas docentes, realçando o potencial das metodologias ativas e do ensino híbrido para uma aprendizagem participativa e dinâmica, é o tema de “O Absolutismo Monárquico em Podcasts: Relato de Sala de Aula Invertida no Estágio Supervisionado em História no Oeste Baiano (2019)”. Este trabalho discorre sobre as metodologias ativas que possibilitam aos estudantes construir seu próprio conhecimento por meio de debates, projetos e recursos digitais.

O capítulo “Desafios de Ensinar História nas Aulas Remotas Emergenciais: Invertendo as Aulas como Possibilidade de Aprendizagem Ativa” trata da importância da adaptação dos professores ao uso de tecnologias. Durante essa discussão, os autores mencionam as metodologias ativas como estratégias para promover uma aprendizagem significativa. Embora experiências reais sejam descritas, as descrições são breves, mas servem para ilustrar o uso de tecnologias educacionais a fim de tornar as aulas interativas e interessantes.

No quinto capítulo, “Ensino de História, Histórias em Quadrinhos e Fake News: uma experiência com o aplicativo Cômica”, os estudiosos ressaltam a relevância dos quadrinhos como uma linguagem acessível e motivadora para os alunos no ensino de História. Enfatizam também as possibilidades das metodologias ativas, das tecnologias digitais e do uso de smartphones no ensino de História durante aulas remotas.

“O que produzem os professores de História quando estão no YouTube?” aborda a importância do YouTube como uma ferramenta educacional. Nesse capítulo, os autores analisam o papel dos professores de História que produzem conteúdo nessa plataforma. Concluem que a plataforma em foco tem um potencial educativo significativo, permitindo que os estudantes busquem vídeos para instrução.

“Ensino de História e Patrimônios Invisíveis e Silenciados: Um Guia para a Produção de Mapas Digitais Interativos” debate sobre os desafios enfrentados pelo ensino de História e propõe soluções inovadoras usando recursos digitais. O foco principal é a importância de uma experiência de aprendizagem histórica inclusiva, que aproveite os recursos tecnológicos para promover uma aprendizagem conectada com o século XXI.

Segue-se “Caminhos Operários Virtuais: Relato de uma Experiência com Trajetos de Memória Realizados à Distância”, que descreve a transformação do projeto “Caminhos Operários” em Porto Alegre. Nesse programa, o percurso se transfere do ambiente físico para uma prática educativa à distância durante a pandemia. O texto relata essa transformação, explorando os limites e possibilidades dessa experiência de ensino. Segundo os autores, o projeto visa resgatar a memória da classe trabalhadora organizada.

Caminhos Operários realizados em 2019 (da esquerda para direita): antiga sede da FORGS na Rua do Parque e Travessa dos Venezianos Imagem: Acervo de Frederico Duarte Bartz (Disponível em: LEITE; BORGES; SZLACHTA JR, 2022, p.181)

A integração da Educação Patrimonial, do Ensino de História e dos jogos como estratégia de ensino é debatida em “Patrimônio Cultural na Cidade do Paulista-PE: Uma Experiência de Educação Patrimonial a partir de Jogo de Trilha Digital”. Com o objetivo de promover o conhecimento histórico e o sentimento de pertencimento cultural, foi desenvolvido um inventário participativo dos bens culturais valorizados pelos estudantes e criado um jogo como recurso de ensino-aprendizagem. O resultado esperado com a pesquisa é a contribuição para a identificação dos bens culturais valorizados pelos estudantes e, assim, fomentar o sentimento de pertencimento.

Na pesquisa “Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação, Ensino de História e Educação Patrimonial: Experiências de Formação Docente nos Anos Iniciais da Educação Básica”, é abordada a utilização das tecnologias digitais no ensino de História e Educação Patrimonial. As autoras exploram a relação entre memória, História e patrimônio, discutindo diferentes perspectivas teóricas sobre a memória. Os alunos tiveram uma experiência de aprendizado participativo, e a importância da formação docente contínua no uso das tecnologias digitais para ensino de História e Educação Patrimonial foi evidenciada.

Por fim, “Narrativas do Passado Campinense no ‘Retalhos Históricos de Campina Grande/PB’ (2009–2020)” destaca o projeto digital que preserva e compartilha a história da cidade de Campina Grande. Descreve a criação do projeto e seu desenvolvimento, ressaltando sua natureza colaborativa e a importância da história digital. O projeto utiliza diversas plataformas online para alcançar um público amplo.

O texto é organizado com uma estrutura clara e coerente, relatando a progressão das experiências dos autores. A coletânea apresenta discussões enriquecedoras e propostas práticas, revelando a diversidade de experiências e caminhos promissores. Contudo, a leitura demonstra que a obra carece de uma contextualização mais aprofundada sobre a relevância e as lacunas existentes no ensino de História em consonância com as transformações sociais mediadas pelas mídias digitais.

Esta contextualização mais abrangente poderia ter sido realizada por meio da apresentação de estatísticas, estudos prévios ou exemplos práticos que demonstrassem a necessidade de abordagens inovadoras neste campo educacional. Embora os textos discutam os desafios da formação docente em tempos de mídias digitais, poderiam ser aprimorados se apresentassem uma análise mais crítica dos desafios enfrentados e uma discussão mais aprofundada sobre o uso de metodologias ativas e tecnologias digitais. O trabalho carece de mais exemplos concretos de como as abordagens propostas podem ser implementadas em diferentes contextos escolares e os possíveis desafios que podem surgir. Acima de tudo, a maneira pela qual a integração entre a licenciatura em História e a tecnologia pode ser realizada merece maior atenção e traria uma maior contribuição a esta temática.

Em conclusão, os textos ressaltam a importância das tecnologias digitais, jogos e projetos de história digital no ensino de História. Eles enfatizam a necessidade de adaptar as práticas educacionais ao contexto digital, aproveitando as potencialidades das plataformas online para promover a aprendizagem histórica e engajar os alunos. No entanto, também apontam desafios, como a desigualdade no acesso às tecnologias e a necessidade de formação docente contínua. No geral, apesar da falta de contextualização mais aprofundada e da ausência de exemplos concretos na aplicação da integração entre o ensino de História e a tecnologia, o livro cumpre seu objetivo principal, considerando que essas pesquisas oferecem percepções valiosas para os educadores interessados em explorar o uso das tecnologias digitais no ensino de História e Educação Patrimonial para formar cidadãos mais críticos de seus direitos e deveres em um mundo conectado.

Sumário de “Ensino de História, tecnologias e metodologias ativas: novas experiências e saberes escolares”:

  • Apresentação
  • Entre papéis empoeirados e mídias digitais ou de como o aprendizado histórico comporta múltiplas dimensões | Ângelo Emílio da Silva Pessoa
  • Educação 4.0 e educação histórica: mídias digitais, ensino de história e metodologias ativas para o século XXI | Alexandre de Souza Júnior
  • O absolutismo monárquico em podcasts: relato de sala de aula invertida no estágio supervisionado em história no oeste baiano (2019) | Aline Vanessa Locastre e Duglas Novais da Silva
  • Desafios de ensinar história nas aulas remotas emergenciais: invertendo as aulas como possibilidade de aprendizagem ativa | TAdeu Moura de Almeida e Paulo Tarcísio Moura de Almeida
  • Ensino de história, histórias em quadrinhos e fake news: uma experiência com o aplicativo cômica | Keliene Christina da Silva
  • O que produzem os professores de história quando estão no Youtube? | Pedro Botelho Rocha e Juliana Alves de Andrade
  • Ensino de história e patrimônios invisíveis e silenciados: um guia para a produção de mapas digitais interativos |  Renana Marques Birro
  • Caminhos operários virtuais: relato de uma experiência com trajetos de memória realizados à distância | Frederico Duarte Bartz
  • Patrimônio cultural na cidade de Paulista – PE: uma experiência de educação patrimonial a partir de jogo de trilha digital | Williams Urbano da Silva
  • Tecnologias digitais de informação e comunicação, ensino de história e educação patrimonial: experiências de formação docente nos anos iniciais da educação básica | Aléxia Pádua Franco, Nilza Aparecida da Silva Oliveira e Núbia da Silva Lopes Freitas
  • Narrativas do passado campinense no ‘retalhos históricos de campina grande/PB’ (2009–2020) | Thiago Acácio Raposo e Vivian Galdino de Andrade
  • Sobre as organizadoras e os organizadores
  • Sobre as autoras e os autores

Para ampliar a sua revisão da literatura


Resenhista

Micaela Franciele Costa é formada em Pedagogia (UFS) e professora do Ensino Fundamental. ID LATTES: http://lattes.cnpq.br/9009913060507621; ID ORCID: https://orcid.org/0009-0003-4455-7302; E-mail: [email protected].


Para citar esta resenha

LEITE, Priscila Gontijo; BORGES, Cláudia Cristina do Lago; SZLACHTA JÚNIOR, Arnaldo Martin (org.). Ensino de história, tecnologias e metodologias ativas: novas experiências e saberes escolares. João
Pessoa: Editora do CCTA, 2022. [recurso eletrônico]. Resenha de: COSTA, Micaela Franciele. Experimentações tecnológicas em aprendizagem histórica. Crítica Historiográfica. Natal, v.3, n.13, set./out., 2023. Disponível em <https://www.criticahistoriografica.com.br/experimentacoes-tecnologicas-em-aprendizagem-historica-resenha-de-micaela-franciele-costa-ufs-sobre-o-livro-ensino-de-historia-tecnologias-e-metodologias-ativas-novas-exper/>.


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.3, n. 13, set./out., 2023 | ISSN 2764-2666

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Experimentações tecnológicas em aprendizagem histórica – Resenha de Micaela Franciele Costa (UFS) sobre o livro “Ensino de História, tecnologias e metodologias ativas: novas experiências e saberes escolares”, organizado por Priscilla Leite, Cláudia Borges e Arnaldo Szlachta Júnior

Priscilla Leite, Cláudia Borges e Arnaldo Szlachta Jr | Imagens: Religare/UFPB/UFPE

Resumo: “Ensino de História, tecnologias e metodologias ativas”, organizado por Priscilla Leite, Cláudia Borges e Arnaldo Szlachta Júnior em 2022, explora o uso de tecnologias no ensino de História. Destina-se a educadores, discutindo a integração de dispositivos eletrônicos na educação histórica. Criticamente, a obra carece de uma contextualização mais profunda e exemplos práticos sobre a implementação de suas abordagens no contexto escolar.

Palavras-chave: Ensino de História, Metodologias Ativas, Saberes Escolares.


O livro “Ensino de História, tecnologias e metodologias ativas: novas experiências e saberes escolares”, editado em 2022 pela editora CCTA, foi organizado por Priscilla Leite, Cláudia Borges e Arnaldo Szlachta Júnior. Tendo em vista a presença crescente de dispositivos eletrônicos na vida cotidiana, o livro tem como finalidade discutir o uso de tecnologias e metodologias ativas no ensino de História.

O trabalho em questão integra a série “Experimentos e reflexões sobre práticas no ensino de História”, organizada pelo ProfHistória (Mestrado Profissional em Ensino de História) da UFPB (Universidade Federal da Paraíba). Os organizadores são docentes e pesquisadores do corpo docente do ProfHistória, voltando suas pesquisas para o ensino de História e formação de professores.

Destinada a reunir reflexões e diretrizes para educadores sobre o uso de tecnologia e metodologias ativas no ensino de História, considerando a ubiquidade dos dispositivos eletrônicos, a obra se mostra oportuna. Os professores de História devem ponderar tanto sobre como aplicar quanto sobre as razões para integrar as ferramentas tecnológicas disponíveis na sociedade contemporânea ao ensino.

Nesse sentido, o livro foi estruturado em onze capítulos, escritos por vários pesquisadores dedicados a reflexões sobre o uso de tecnologias e metodologias ativas no ensino de História. Eles visaram tanto evidenciar a utilidade dos dispositivos eletrônicos em sala de aula, quanto demarcar como os professores podem auxiliar os estudantes a usar a tecnologia de maneira consciente e reflexiva. A coletânea é composta pelos trabalhos listados a seguir.

O primeiro capítulo, “Entre Papéis Empoeirados e Mídias Digitais ou de Como o Aprendizado Histórico Comporta Múltiplas Dimensões”, sublinha a importância de conservar documentos físicos e acervos tradicionais. Simultaneamente, os autores indicam os desafios éticos e metodológicos ligados ao uso de mídias digitais. O capítulo se destaca por sua abordagem cuidadosa, ao evidenciar a necessária aplicabilidade das inovações tecnológicas e pedagógicas, realçando a valorização do conhecimento adquirido ao longo das gerações.

Em “Educação 4.0 e Educação Histórica: Mídias Digitais, Ensino de História e Metodologias Ativas para o Século XXI”, a importância das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) para o ensino de História é ressaltada. Os autores destacam a necessidade de empregar essas tecnologias de maneira significativa, promovendo a descentralização da produção do conhecimento e incentivando uma pedagogia mediada pelas novas tecnologias. Enfatizam também o protagonismo dos estudantes, salientando com precisão a importância de uma abordagem histórico-crítica e a consideração da diversidade e pluralidade discursiva na educação.

A necessidade de repensar as práticas docentes, realçando o potencial das metodologias ativas e do ensino híbrido para uma aprendizagem participativa e dinâmica, é o tema de “O Absolutismo Monárquico em Podcasts: Relato de Sala de Aula Invertida no Estágio Supervisionado em História no Oeste Baiano (2019)”. Este trabalho discorre sobre as metodologias ativas que possibilitam aos estudantes construir seu próprio conhecimento por meio de debates, projetos e recursos digitais.

O capítulo “Desafios de Ensinar História nas Aulas Remotas Emergenciais: Invertendo as Aulas como Possibilidade de Aprendizagem Ativa” trata da importância da adaptação dos professores ao uso de tecnologias. Durante essa discussão, os autores mencionam as metodologias ativas como estratégias para promover uma aprendizagem significativa. Embora experiências reais sejam descritas, as descrições são breves, mas servem para ilustrar o uso de tecnologias educacionais a fim de tornar as aulas interativas e interessantes.

No quinto capítulo, “Ensino de História, Histórias em Quadrinhos e Fake News: uma experiência com o aplicativo Cômica”, os estudiosos ressaltam a relevância dos quadrinhos como uma linguagem acessível e motivadora para os alunos no ensino de História. Enfatizam também as possibilidades das metodologias ativas, das tecnologias digitais e do uso de smartphones no ensino de História durante aulas remotas.

“O que produzem os professores de História quando estão no YouTube?” aborda a importância do YouTube como uma ferramenta educacional. Nesse capítulo, os autores analisam o papel dos professores de História que produzem conteúdo nessa plataforma. Concluem que a plataforma em foco tem um potencial educativo significativo, permitindo que os estudantes busquem vídeos para instrução.

“Ensino de História e Patrimônios Invisíveis e Silenciados: Um Guia para a Produção de Mapas Digitais Interativos” debate sobre os desafios enfrentados pelo ensino de História e propõe soluções inovadoras usando recursos digitais. O foco principal é a importância de uma experiência de aprendizagem histórica inclusiva, que aproveite os recursos tecnológicos para promover uma aprendizagem conectada com o século XXI.

Segue-se “Caminhos Operários Virtuais: Relato de uma Experiência com Trajetos de Memória Realizados à Distância”, que descreve a transformação do projeto “Caminhos Operários” em Porto Alegre. Nesse programa, o percurso se transfere do ambiente físico para uma prática educativa à distância durante a pandemia. O texto relata essa transformação, explorando os limites e possibilidades dessa experiência de ensino. Segundo os autores, o projeto visa resgatar a memória da classe trabalhadora organizada.

Caminhos Operários realizados em 2019 (da esquerda para direita): antiga sede da FORGS na Rua do Parque e Travessa dos Venezianos Imagem: Acervo de Frederico Duarte Bartz (Disponível em: LEITE; BORGES; SZLACHTA JR, 2022, p.181)

A integração da Educação Patrimonial, do Ensino de História e dos jogos como estratégia de ensino é debatida em “Patrimônio Cultural na Cidade do Paulista-PE: Uma Experiência de Educação Patrimonial a partir de Jogo de Trilha Digital”. Com o objetivo de promover o conhecimento histórico e o sentimento de pertencimento cultural, foi desenvolvido um inventário participativo dos bens culturais valorizados pelos estudantes e criado um jogo como recurso de ensino-aprendizagem. O resultado esperado com a pesquisa é a contribuição para a identificação dos bens culturais valorizados pelos estudantes e, assim, fomentar o sentimento de pertencimento.

Na pesquisa “Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação, Ensino de História e Educação Patrimonial: Experiências de Formação Docente nos Anos Iniciais da Educação Básica”, é abordada a utilização das tecnologias digitais no ensino de História e Educação Patrimonial. As autoras exploram a relação entre memória, História e patrimônio, discutindo diferentes perspectivas teóricas sobre a memória. Os alunos tiveram uma experiência de aprendizado participativo, e a importância da formação docente contínua no uso das tecnologias digitais para ensino de História e Educação Patrimonial foi evidenciada.

Por fim, “Narrativas do Passado Campinense no ‘Retalhos Históricos de Campina Grande/PB’ (2009–2020)” destaca o projeto digital que preserva e compartilha a história da cidade de Campina Grande. Descreve a criação do projeto e seu desenvolvimento, ressaltando sua natureza colaborativa e a importância da história digital. O projeto utiliza diversas plataformas online para alcançar um público amplo.

O texto é organizado com uma estrutura clara e coerente, relatando a progressão das experiências dos autores. A coletânea apresenta discussões enriquecedoras e propostas práticas, revelando a diversidade de experiências e caminhos promissores. Contudo, a leitura demonstra que a obra carece de uma contextualização mais aprofundada sobre a relevância e as lacunas existentes no ensino de História em consonância com as transformações sociais mediadas pelas mídias digitais.

Esta contextualização mais abrangente poderia ter sido realizada por meio da apresentação de estatísticas, estudos prévios ou exemplos práticos que demonstrassem a necessidade de abordagens inovadoras neste campo educacional. Embora os textos discutam os desafios da formação docente em tempos de mídias digitais, poderiam ser aprimorados se apresentassem uma análise mais crítica dos desafios enfrentados e uma discussão mais aprofundada sobre o uso de metodologias ativas e tecnologias digitais. O trabalho carece de mais exemplos concretos de como as abordagens propostas podem ser implementadas em diferentes contextos escolares e os possíveis desafios que podem surgir. Acima de tudo, a maneira pela qual a integração entre a licenciatura em História e a tecnologia pode ser realizada merece maior atenção e traria uma maior contribuição a esta temática.

Em conclusão, os textos ressaltam a importância das tecnologias digitais, jogos e projetos de história digital no ensino de História. Eles enfatizam a necessidade de adaptar as práticas educacionais ao contexto digital, aproveitando as potencialidades das plataformas online para promover a aprendizagem histórica e engajar os alunos. No entanto, também apontam desafios, como a desigualdade no acesso às tecnologias e a necessidade de formação docente contínua. No geral, apesar da falta de contextualização mais aprofundada e da ausência de exemplos concretos na aplicação da integração entre o ensino de História e a tecnologia, o livro cumpre seu objetivo principal, considerando que essas pesquisas oferecem percepções valiosas para os educadores interessados em explorar o uso das tecnologias digitais no ensino de História e Educação Patrimonial para formar cidadãos mais críticos de seus direitos e deveres em um mundo conectado.

Sumário de “Ensino de História, tecnologias e metodologias ativas: novas experiências e saberes escolares”:

  • Apresentação
  • Entre papéis empoeirados e mídias digitais ou de como o aprendizado histórico comporta múltiplas dimensões | Ângelo Emílio da Silva Pessoa
  • Educação 4.0 e educação histórica: mídias digitais, ensino de história e metodologias ativas para o século XXI | Alexandre de Souza Júnior
  • O absolutismo monárquico em podcasts: relato de sala de aula invertida no estágio supervisionado em história no oeste baiano (2019) | Aline Vanessa Locastre e Duglas Novais da Silva
  • Desafios de ensinar história nas aulas remotas emergenciais: invertendo as aulas como possibilidade de aprendizagem ativa | TAdeu Moura de Almeida e Paulo Tarcísio Moura de Almeida
  • Ensino de história, histórias em quadrinhos e fake news: uma experiência com o aplicativo cômica | Keliene Christina da Silva
  • O que produzem os professores de história quando estão no Youtube? | Pedro Botelho Rocha e Juliana Alves de Andrade
  • Ensino de história e patrimônios invisíveis e silenciados: um guia para a produção de mapas digitais interativos |  Renana Marques Birro
  • Caminhos operários virtuais: relato de uma experiência com trajetos de memória realizados à distância | Frederico Duarte Bartz
  • Patrimônio cultural na cidade de Paulista – PE: uma experiência de educação patrimonial a partir de jogo de trilha digital | Williams Urbano da Silva
  • Tecnologias digitais de informação e comunicação, ensino de história e educação patrimonial: experiências de formação docente nos anos iniciais da educação básica | Aléxia Pádua Franco, Nilza Aparecida da Silva Oliveira e Núbia da Silva Lopes Freitas
  • Narrativas do passado campinense no ‘retalhos históricos de campina grande/PB’ (2009–2020) | Thiago Acácio Raposo e Vivian Galdino de Andrade
  • Sobre as organizadoras e os organizadores
  • Sobre as autoras e os autores

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Resenhista

Micaela Franciele Costa é formada em Pedagogia (UFS) e professora do Ensino Fundamental. ID LATTES: http://lattes.cnpq.br/9009913060507621; ID ORCID: https://orcid.org/0009-0003-4455-7302; E-mail: [email protected].


Para citar esta resenha

LEITE, Priscila Gontijo; BORGES, Cláudia Cristina do Lago; SZLACHTA JÚNIOR, Arnaldo Martin (org.). Ensino de história, tecnologias e metodologias ativas: novas experiências e saberes escolares. João
Pessoa: Editora do CCTA, 2022. [recurso eletrônico]. Resenha de: COSTA, Micaela Franciele. Experimentações tecnológicas em aprendizagem histórica. Crítica Historiográfica. Natal, v.3, n.13, set./out., 2023. Disponível em <https://www.criticahistoriografica.com.br/experimentacoes-tecnologicas-em-aprendizagem-historica-resenha-de-micaela-franciele-costa-ufs-sobre-o-livro-ensino-de-historia-tecnologias-e-metodologias-ativas-novas-exper/>.


© – Os autores que publicam em Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir dos seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que lhe sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica. Natal, v.3, n. 13, set./out., 2023 | ISSN 2764-2666

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