Para uma educação antirracista — Resenha de Jandson Bernardo Soares (UFRN), sobre “Representações sociais e educação étnico-racial: Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural”, organizado por Antonio Luis Parladin Santos e Whashington Luiz Pedrosa Silva Júnior

Antonio Luis Parlandin Santos | Imagem: UFPA (2023)

Resumo : Representações sociais e educação étnico-racial : Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural é obra coletiva de 22 autores, organizada por Antonio Luis Parlandin Santos e Washington Luiz Pedrosa Silva Júnior com o objetivo de subsidiar professores em ações de combate ao racismo, principalmente, em ambientes virtuais.

Palavras-chave : Representações sociais. Educação étnico-racial, Educação antirracista.


Representações sociais e educação  étnica racial: Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural é resultado de pesquisas, vivências e reflexões sobre a vida cotidiana. É uma produção organizada por Antonio Luis Parlandin Santos e Washington Luiz Pedrosa Silva Júnior, que reúne 23 profissionais, a saber, pedagogos, geógrafos, matemáticos, físicos, gestores educacionais, psicólogos educacionais, estudantes sociais, médicos, docentes e enfermeiros, integrando assim às áreas de educação, ciências sociais e da saúde. A obra tem o objetivo de fornecer fontes efetivas para o combate de representações étnico-raciais de caráter negativo a sociedade, a partir de uma reconstituição epistemológica.

Tal composição nos aceita um tanto inusitada para a área das Ciências Humanas, uma vez que, a pluralidade da autoria só é comum em coletâneas ou em artigos, normalmente com no máximo três autores por produção, o que não é o caso do trabalho em questão . Tal fato nos autoriza a sinalizar a necessidade de refletirmos a respeito da relação entre as mudanças editoriais e as lógicas de produtividade aplicadas às produções acadêmicas.

O primeiro capítulo da obra desenha o caminho que as representações sociais e os saberes étnicos raciais percorrem na contemporaneidade, demonstrando que, apesar de no Brasil essas terem alçado marcos legais (leis 10639/ 2003, e 11645/ 2008), ainda existe um longo caminho a percorrer no combate ao racismo. Sabemos que a existência de legislação específica não implica em uma mudança modificada nas estruturas sociais, sendo necessariamente alcançada e efetivamente modificada como manifestações dessa identidade negativa nos campos econômico, social, cultural e político. Tal percurso, para os autores, só seria possível através do uso da educação como ferramenta de mudança.

O segundo se volta para a historicidade do conceito de representação, o qual pode ser tomado como central da obra. Esse tem uma composição ensaística, na medida em que se ateve ao estabelecimento das relações entre os autores que, de alguma maneira, toleraram para o incorporar de uma teoria da representação que levasse em conta a gênese, composição e operação das representações na sociedade, constituindo o que seria a contemporaneidade dessa rede conceitual.

Esse conjunto de saberes seria marcado pela superação de uma concepção sociológica durkheimiana a partir de duas críticas. A primeira delas está na estrutura social que se sobrepunha, através de um sistema de regras, aos indivíduos, os quais o seguiriam. A segunda encontra-se na constituição de um modelo interpretativo que hierarquizaria a cultura a partir de modos de pensar que se deslancharia entre formas primitivas e complexas, orientadas por uma perspectiva evolucionista baseada na ideia de progresso, normalmente eurocêntrica.

Para os autores, o aporte nesse tipo de epistemologia não limitava apenas a ação dos agentes sociais em relação às estruturas, mas vetaria a possibilidade de sua transformação. Ao mesmo tempo, corroboraria para que outras formas de pensar não fossem vistas a partir de suas maneiras de organização e sentido, uma vez que as mesmas, por comporem uma dinâmica etapista/evolucionista, substituíveis por modelos mais elaborados. Em seu lugar apresentou-se outro paradigma em que as representações eram observadas como fato social, com suas estruturas e lógicas, ao mesmo tempo, em que os indivíduos apareciam como seus articuladores.Eles seriam dotados de tipos de conhecimentos diferentes e próprios, operacionalizados discursivamente em relação a um conjunto central de saberes que garantiam a unidade, assim como a possibilidade de sua mudança.

Tais seriam vinculadas às mudanças sócio-históricas e à capacidade de mudar as formas de se relacionar com as estruturas. Esses fatores implicariam na necessidade de reconhecimento dessas formas de fazer e na constituição de um tratamento ético, baseado na alteridade, que reconhecesse esse outro a partir do distanciamento de compreendido  a priori.

O que se vê é a constituição de uma vitalidade do campo da cultura e, por sua vez, das representações, as quais seriam ferramentas capazes de operacionalizar e conhecer a realidade a partir da constituição de pontes entre o micro e o macrossocial, ou seja, entre os indivíduos e as estruturas, indicando as possibilidades de sensações e mudanças. Esse movimento teria em sua base a interação entre os grupos sociais, o lugar social em que os indivíduos ocupam e os referenciais que esses oferecem.

Tal composição interpretativa teria em seu cerne a colaboração de autores como Lucien Lévy-Bruhl, Sandra Jovchelovitch e Sigmund Freud, influências que, para os autores, teriam sido cruciais para a elaboração das abordagens contemporâneas da teoria das representações. Essas culminariam com o interesse a respeito da gênese, composição e sentidos atribuídos às formas de se reapropriar e construir a realidade.

Sandra Jovchelovich, co-author of Bottom-up Social Development in Rio de Janeiro Favelas a Toolkit, and professor at the London School of Economics it’s possible to provide missing psycho-socialcultural ingredients of personal development, in poor communities I Imagem: RioRealBog

É diante da vitalidade das representações que o terceiro capítulo se desenvolve. Seu objetivo é refletir sobre as representações sociais de caráter racial, identificando seus usos, seja para reprodução do racismo, em seus níveis materiais e simbólicos, seja para combater essa forma de violência, implicando na constituição de outras identidades, mediadas pelo campo educacional.

Apesar de não apresentar práticas que possam ser replicadas pelos docentes em sua dinâmica material e cotidiana (fato justificado pelos autores por meio da excepcionalidade de cada realidade escolar e pela autonomia das práticas docentes) os autores oferecem uma saída epistemológica, situada no campo dos discursos, com ênfase na reprodução do racismo por meio da própria consciência criada aos saberes disciplinares.

Dessa maneira, sinalizam dois caminhos. O primeiro se aportaria no estudo dos léxicos que circundariam essas práticas, levando em conta a sua historicidade, os momentos em que funcionariam como reprodutores da violência (raça, preconceito racial, negro) ou como ferramenta na luta antirracista (raça, negritude, identidade negra , afrocentricidade). É necessário apontar esse último grupo como aquele que demarca as mudanças nas estruturas centrais que compõem as representações étnico-raciais historicamente constituídas, valorizando as características e culturas negras e denunciando a maneira pela qual os conhecimentos a respeito da África ainda seguem uma epistemológica de caráter eurocêntrico.

É nesse sentido, que os autores indicam a segunda saída epistemológica para as práticas pedagógicas: apropriar-se de narrativas sobre história a África elaboradas pelos próprios africanos, as quais se dariam, inclusive, por meio de outros paradigmas metodológicos, marcados pela valorização da cultura oral. Sinalizam, assim, o papel que essa perspectiva teria na aproximação entre a experiência africana e brasileira. Tais culturas seriam fundamentadas na colonização em suas dinâmicas materiais e vividas, em trajetórias de luta e de combate a essa forma de exploração (endossando práticas de descolonização).

Entendemos que essa obra contribui com a iniciação às temáticas das representações, em especial às de caráter étnico racial, uma vez que estimula o leitor a questionar suas formas de se relacionar com o conhecimento racional ocidental, expondo suas matrizes. Ela também fornece um modo de lidar com a cultura e com as relações que a mesma estabelece entre as estruturas e agentes sociais, culminando com a assinatura para a constituição de outra forma epistemológica de produzir o conhecimento e educação em países vítimas da colonização e das suas mazelas.

No entanto, a inexistência de sugestões práticas em relação ao trabalho em sala de aula nos fez questionar o título da obra, o qual, de certa maneira, cria expectativas não atendidas pela produção. O caráter ensaísta da obra e a baixa presença de aspectos empíricos parecem limitar a sua utilização, uma vez que os organizadores indicam apenas possíveis direcionamentos a serem observados, cabendo aos leitores visitantes a busca por maiores aprofundamentos.

Consideramos, por fim, que a organização da obra também pode dificultar a compreensão de leitores pouco experientes, sobretudo no momento em que são exigidos a relacionarem os momentos teóricos, presentes no capítulo 2, e os elementos de caráter mais tangível, demarcados no capítulo 3 Tal fato se resolveria facilmente com retomadas claras que demonstrassem como o campo conceitual das representações serviria para a reapropriação das questões étnico-raciais e seu correspondente uso na transformação das estruturas sociais. Apesar desta crítica, não há como desconsiderar que obra é um ponto de partida.

Abra cumpre com seu objetivo geral de combater a invisibilidade dos povos afro-brasileiros na história nacional, na medida em que pauta não apenas seu o protagonismo desses povos, a partir da análise e exemplificação de fenômenos econômicos, culturais e políticos, mas também ao sinalizar à necessidade de se apropriar de uma outra epistemologia que valorize as identidades e lugar de atuação desses agentes sociais. Dessa maneira, esse livro é salutar aos interessados na luta contra o racismo, sejam esses militantes dos movimentos negros ou não, assim como aos especialistas em estudos das diásporas africanas e do pós-abolicionismo.

Sumário  Representações sociais e educação étnico-racial: Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural.

  • Apresentação
  • Tempo de decisões
  • Representações sociais: fenômeno e teoria
  • Negritude em movimento
  • Referências
  • Apresentação
  • Índice remissivo

Para ampliar a sua revisão da literatura


Resenhista

Jandson Bernardo Soares – Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publicou, entre outros trabalhos, A institucionalização do livro didático no Brasil (2021); História e Espaços do Ensino: historiografia; PNLD e a busca por um livro didático ideal ; A institucionalização do livro didático no Brasil; e, Produzindo livros didáticos de História : prescrições e práticas – notas de uma pesquisa em andamento. ID LATTES: 915196220680100 2; ID ORCID: orcid.org/0000-0001-8195-5113. E-mail: [email protected] .

 


Para citar esta resenha

SANTOS, Antonio Luis Parlandin; SILVA JÚNIOR. Washington Luiz Pedrosa. (Orgs.) Representações sociais e educação étnico-racial: Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural. Curitiba: CRV. 2021. ISBN: 9786525107516. (Ebook) (99p.) Resenha de: SOARES, Jandson Bernardo. P ara uma educação antirracista. Crítica Historiográfica . Natal, v.3, n.12, maio/jun.2023.


© – Os autores que publicam em  Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir de seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica . Natal, v.3, n.12, maio/jun., 2023 | ISSN 2764-2666

Pesquisa/Search

Alertas/Alerts

Para uma educação antirracista — Resenha de Jandson Bernardo Soares (UFRN), sobre “Representações sociais e educação étnico-racial: Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural”, organizado por Antonio Luis Parladin Santos e Whashington Luiz Pedrosa Silva Júnior

Antonio Luis Parlandin Santos | Imagem: UFPA (2023)

Resumo : Representações sociais e educação étnico-racial : Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural é obra coletiva de 22 autores, organizada por Antonio Luis Parlandin Santos e Washington Luiz Pedrosa Silva Júnior com o objetivo de subsidiar professores em ações de combate ao racismo, principalmente, em ambientes virtuais.

Palavras-chave : Representações sociais. Educação étnico-racial, Educação antirracista.


Representações sociais e educação  étnica racial: Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural é resultado de pesquisas, vivências e reflexões sobre a vida cotidiana. É uma produção organizada por Antonio Luis Parlandin Santos e Washington Luiz Pedrosa Silva Júnior, que reúne 23 profissionais, a saber, pedagogos, geógrafos, matemáticos, físicos, gestores educacionais, psicólogos educacionais, estudantes sociais, médicos, docentes e enfermeiros, integrando assim às áreas de educação, ciências sociais e da saúde. A obra tem o objetivo de fornecer fontes efetivas para o combate de representações étnico-raciais de caráter negativo a sociedade, a partir de uma reconstituição epistemológica.

Tal composição nos aceita um tanto inusitada para a área das Ciências Humanas, uma vez que, a pluralidade da autoria só é comum em coletâneas ou em artigos, normalmente com no máximo três autores por produção, o que não é o caso do trabalho em questão . Tal fato nos autoriza a sinalizar a necessidade de refletirmos a respeito da relação entre as mudanças editoriais e as lógicas de produtividade aplicadas às produções acadêmicas.

O primeiro capítulo da obra desenha o caminho que as representações sociais e os saberes étnicos raciais percorrem na contemporaneidade, demonstrando que, apesar de no Brasil essas terem alçado marcos legais (leis 10639/ 2003, e 11645/ 2008), ainda existe um longo caminho a percorrer no combate ao racismo. Sabemos que a existência de legislação específica não implica em uma mudança modificada nas estruturas sociais, sendo necessariamente alcançada e efetivamente modificada como manifestações dessa identidade negativa nos campos econômico, social, cultural e político. Tal percurso, para os autores, só seria possível através do uso da educação como ferramenta de mudança.

O segundo se volta para a historicidade do conceito de representação, o qual pode ser tomado como central da obra. Esse tem uma composição ensaística, na medida em que se ateve ao estabelecimento das relações entre os autores que, de alguma maneira, toleraram para o incorporar de uma teoria da representação que levasse em conta a gênese, composição e operação das representações na sociedade, constituindo o que seria a contemporaneidade dessa rede conceitual.

Esse conjunto de saberes seria marcado pela superação de uma concepção sociológica durkheimiana a partir de duas críticas. A primeira delas está na estrutura social que se sobrepunha, através de um sistema de regras, aos indivíduos, os quais o seguiriam. A segunda encontra-se na constituição de um modelo interpretativo que hierarquizaria a cultura a partir de modos de pensar que se deslancharia entre formas primitivas e complexas, orientadas por uma perspectiva evolucionista baseada na ideia de progresso, normalmente eurocêntrica.

Para os autores, o aporte nesse tipo de epistemologia não limitava apenas a ação dos agentes sociais em relação às estruturas, mas vetaria a possibilidade de sua transformação. Ao mesmo tempo, corroboraria para que outras formas de pensar não fossem vistas a partir de suas maneiras de organização e sentido, uma vez que as mesmas, por comporem uma dinâmica etapista/evolucionista, substituíveis por modelos mais elaborados. Em seu lugar apresentou-se outro paradigma em que as representações eram observadas como fato social, com suas estruturas e lógicas, ao mesmo tempo, em que os indivíduos apareciam como seus articuladores.Eles seriam dotados de tipos de conhecimentos diferentes e próprios, operacionalizados discursivamente em relação a um conjunto central de saberes que garantiam a unidade, assim como a possibilidade de sua mudança.

Tais seriam vinculadas às mudanças sócio-históricas e à capacidade de mudar as formas de se relacionar com as estruturas. Esses fatores implicariam na necessidade de reconhecimento dessas formas de fazer e na constituição de um tratamento ético, baseado na alteridade, que reconhecesse esse outro a partir do distanciamento de compreendido  a priori.

O que se vê é a constituição de uma vitalidade do campo da cultura e, por sua vez, das representações, as quais seriam ferramentas capazes de operacionalizar e conhecer a realidade a partir da constituição de pontes entre o micro e o macrossocial, ou seja, entre os indivíduos e as estruturas, indicando as possibilidades de sensações e mudanças. Esse movimento teria em sua base a interação entre os grupos sociais, o lugar social em que os indivíduos ocupam e os referenciais que esses oferecem.

Tal composição interpretativa teria em seu cerne a colaboração de autores como Lucien Lévy-Bruhl, Sandra Jovchelovitch e Sigmund Freud, influências que, para os autores, teriam sido cruciais para a elaboração das abordagens contemporâneas da teoria das representações. Essas culminariam com o interesse a respeito da gênese, composição e sentidos atribuídos às formas de se reapropriar e construir a realidade.

Sandra Jovchelovich, co-author of Bottom-up Social Development in Rio de Janeiro Favelas a Toolkit, and professor at the London School of Economics it’s possible to provide missing psycho-socialcultural ingredients of personal development, in poor communities I Imagem: RioRealBog

É diante da vitalidade das representações que o terceiro capítulo se desenvolve. Seu objetivo é refletir sobre as representações sociais de caráter racial, identificando seus usos, seja para reprodução do racismo, em seus níveis materiais e simbólicos, seja para combater essa forma de violência, implicando na constituição de outras identidades, mediadas pelo campo educacional.

Apesar de não apresentar práticas que possam ser replicadas pelos docentes em sua dinâmica material e cotidiana (fato justificado pelos autores por meio da excepcionalidade de cada realidade escolar e pela autonomia das práticas docentes) os autores oferecem uma saída epistemológica, situada no campo dos discursos, com ênfase na reprodução do racismo por meio da própria consciência criada aos saberes disciplinares.

Dessa maneira, sinalizam dois caminhos. O primeiro se aportaria no estudo dos léxicos que circundariam essas práticas, levando em conta a sua historicidade, os momentos em que funcionariam como reprodutores da violência (raça, preconceito racial, negro) ou como ferramenta na luta antirracista (raça, negritude, identidade negra , afrocentricidade). É necessário apontar esse último grupo como aquele que demarca as mudanças nas estruturas centrais que compõem as representações étnico-raciais historicamente constituídas, valorizando as características e culturas negras e denunciando a maneira pela qual os conhecimentos a respeito da África ainda seguem uma epistemológica de caráter eurocêntrico.

É nesse sentido, que os autores indicam a segunda saída epistemológica para as práticas pedagógicas: apropriar-se de narrativas sobre história a África elaboradas pelos próprios africanos, as quais se dariam, inclusive, por meio de outros paradigmas metodológicos, marcados pela valorização da cultura oral. Sinalizam, assim, o papel que essa perspectiva teria na aproximação entre a experiência africana e brasileira. Tais culturas seriam fundamentadas na colonização em suas dinâmicas materiais e vividas, em trajetórias de luta e de combate a essa forma de exploração (endossando práticas de descolonização).

Entendemos que essa obra contribui com a iniciação às temáticas das representações, em especial às de caráter étnico racial, uma vez que estimula o leitor a questionar suas formas de se relacionar com o conhecimento racional ocidental, expondo suas matrizes. Ela também fornece um modo de lidar com a cultura e com as relações que a mesma estabelece entre as estruturas e agentes sociais, culminando com a assinatura para a constituição de outra forma epistemológica de produzir o conhecimento e educação em países vítimas da colonização e das suas mazelas.

No entanto, a inexistência de sugestões práticas em relação ao trabalho em sala de aula nos fez questionar o título da obra, o qual, de certa maneira, cria expectativas não atendidas pela produção. O caráter ensaísta da obra e a baixa presença de aspectos empíricos parecem limitar a sua utilização, uma vez que os organizadores indicam apenas possíveis direcionamentos a serem observados, cabendo aos leitores visitantes a busca por maiores aprofundamentos.

Consideramos, por fim, que a organização da obra também pode dificultar a compreensão de leitores pouco experientes, sobretudo no momento em que são exigidos a relacionarem os momentos teóricos, presentes no capítulo 2, e os elementos de caráter mais tangível, demarcados no capítulo 3 Tal fato se resolveria facilmente com retomadas claras que demonstrassem como o campo conceitual das representações serviria para a reapropriação das questões étnico-raciais e seu correspondente uso na transformação das estruturas sociais. Apesar desta crítica, não há como desconsiderar que obra é um ponto de partida.

Abra cumpre com seu objetivo geral de combater a invisibilidade dos povos afro-brasileiros na história nacional, na medida em que pauta não apenas seu o protagonismo desses povos, a partir da análise e exemplificação de fenômenos econômicos, culturais e políticos, mas também ao sinalizar à necessidade de se apropriar de uma outra epistemologia que valorize as identidades e lugar de atuação desses agentes sociais. Dessa maneira, esse livro é salutar aos interessados na luta contra o racismo, sejam esses militantes dos movimentos negros ou não, assim como aos especialistas em estudos das diásporas africanas e do pós-abolicionismo.

Sumário  Representações sociais e educação étnico-racial: Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural.

  • Apresentação
  • Tempo de decisões
  • Representações sociais: fenômeno e teoria
  • Negritude em movimento
  • Referências
  • Apresentação
  • Índice remissivo

Para ampliar a sua revisão da literatura


Resenhista

Jandson Bernardo Soares – Doutor em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Publicou, entre outros trabalhos, A institucionalização do livro didático no Brasil (2021); História e Espaços do Ensino: historiografia; PNLD e a busca por um livro didático ideal ; A institucionalização do livro didático no Brasil; e, Produzindo livros didáticos de História : prescrições e práticas – notas de uma pesquisa em andamento. ID LATTES: 915196220680100 2; ID ORCID: orcid.org/0000-0001-8195-5113. E-mail: [email protected] .

 


Para citar esta resenha

SANTOS, Antonio Luis Parlandin; SILVA JÚNIOR. Washington Luiz Pedrosa. (Orgs.) Representações sociais e educação étnico-racial: Práticas pedagógicas, valorização, respeito, reconhecimento e (re)existência plural. Curitiba: CRV. 2021. ISBN: 9786525107516. (Ebook) (99p.) Resenha de: SOARES, Jandson Bernardo. P ara uma educação antirracista. Crítica Historiográfica . Natal, v.3, n.12, maio/jun.2023.


© – Os autores que publicam em  Crítica Historiográfica concordam com a distribuição, remixagem, adaptação e criação a partir de seus textos, mesmo para fins comerciais, desde que sejam garantidos os devidos créditos pelas criações originais. (CC BY-SA).

 

Crítica Historiográfica . Natal, v.3, n.12, maio/jun., 2023 | ISSN 2764-2666

Resenhistas

Privacidade

Ao se inscrever nesta lista de e-mails, você estará sujeito à nossa política de privacidade.

Acesso livre

Crítica Historiográfica não cobra taxas para submissão, publicação ou uso dos artigos. Os leitores podem baixar, copiar, distribuir, imprimir os textos para fins não comerciais, desde que citem a fonte.

Foco e escopo

Publicamos resenhas de livros e de dossiês de artigos de revistas acadêmicas que tratem da reflexão, investigação, comunicação e/ou consumo da escrita da História. Saiba mais sobre o único periódico de História inteiramente dedicado à Crítica em formato resenha.

Corpo editorial

Somos professore(a)s do ensino superior brasileiro, especializado(a)s em mais de duas dezenas de áreas relacionadas à reflexão, produção e usos da História. Faça parte dessa equipe.

Submissões

As resenhas devem expressar avaliações de livros ou de dossiês de revistas acadêmicas autodesignadas como "de História". Conheça as normas e envie-nos o seu texto.

Pesquisa


Enviar mensagem de WhatsApp